Pensa Povo
segunda-feira, maio 25, 2026
  • MUNDO
  • ESPORTE
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ENTRETENIMENTO
  • JUSTIÇA
  • CURSOS
  • EMPREGOS
No Result
View All Result
  • MUNDO
  • ESPORTE
  • ECONOMIA
  • POLÍTICA
  • ENTRETENIMENTO
  • JUSTIÇA
  • CURSOS
  • EMPREGOS
No Result
View All Result
Pensa Povo

Nem sorte, nem Deus: super-ricos se forjaram à custa de regalias

25 de maio de 2026
in Brasil, EDUCAÇÃO, Meio Ambiente
Home Brasil
0
SHARES
Share on FacebookShare on Twitter

Quer receber os textos desta coluna em primeira mão no seu e-mail?

Assine a newsletter Xeque na Democracia, enviada toda segunda-feira, 12h.

RELATED POSTS

O que diz a surfista da maior onda já surfada no Brasil

Seleção: 11 dos 26 convocados são agenciados por Jay-Z e Bertolucci

Para receber as próximas edições, inscreva-se aqui.

“Nunca foi sorte, sempre foi Deus” é a frase que ilustra boleias de caminhões pelo Brasil afora.

Poderia ser, também, o slogan do Grupo Mateus, a maior rede de supermercados do Nordeste e terceira do país, fundada por Ilson Mateus, que figura na última reportagem sobre Super-ricos que publicamos hoje.

Mas a reportagem, feita por Flávia Regina Melo, com colaboração de Alice Pires e Yan Ribeiro, mostra como a fortuna do “seu” Ilson pouco tem a ver com o dedo de Deus.

🔄 Atualizações Recentes

O crescimento do grupo se deve, em boa parte, às benesses fiscais concedidas, primeiro, pelo Estado do Maranhão, e depois por outros governos vizinhos – descontos fiscais generosos, na casa das centenas de milhões de reais, quase arrancados a fórceps pelas negociações duras da empresa varejista.

No meio do caminho, o grupo chegou a ser acusado pelo MP maranhense por participar de um esquema que “apagava” impostos devidos ao Estado durante o governo de Roseana Sarney, no escândalo conhecido como “Máfia da Sefaz”.

No ano de 2020, Ilson Mateus entrou para a lista da Forbes de bilionários brasileiros, com fortuna estimada em R$20 bilhões.

A generosidade do Estado brasileiro com homens ricos é a marca que perpassa a trajetória das empresas de todos os super-ricos retratados na série.

Vejamos os “Rockfellers de Segipe”, os Franco, uma das famílias mais poderosas do Estado, cuja fortuna vem desde os tempos da escravidão.

Segundo o pesquisador Igor Salmeron, a vastidão das terras da família é a base, mas o combustível da fortuna foram mesmo fomentos criados pelo governo federal a partir de 1930.

Primeiro, houve o fomento do Instituto do Açúcar e Álcool (IAA), fundado por Getúlio Vargas em 1933 na esteira da crise de 1929.

Depois, em 1975, o grupo foi beneficiado com o Programa Nacional do Álcool, o Proálcool.

“O poder dos Franco vem das terras.

Uma vez que eles já tinham terras, eles tinham os meios de produção – e conseguiram esses benefícios do Estado por serem empregadores”, diz o pesquisador.

Os fomentos ajudaram a concentrar ainda mais a terra nas mãos de poucos, aponta Salmeron, que chegou a flagrar trabalhadores em condições precárias em uma das fazendas da família, conforme mostrou a reportagem de Ana Paula Rocha.

Outro dos super-ricos que investigamos foi a família Feffer, dona da Suzano, que detém a Aracruz celulose, um empreendimento de plantação de eucalipto que dominou a região de Sapê do Norte, nos municípios de Conceição da Barra e de São Mateus, no Espírito Santo.

A reportagem feita por Mariah Friedrich revela que depois que a Aracruz se instalou, na década de 1960, as comunidades quilombolas da região foram, aos poucos, sendo sufocadas pelo eucalipto.

Antes da ocupação, havia 12 mil famílias quilombolas.

Hoje, restam 2 mil.

E elas seguem sem uma demarcação definitiva das suas terras, rodeadas por paredões de eucalipto e terra seca, uma prova de que o Estado corre para socorrer uns, enquanto deixa outros esperando à míngua.

A família Feffer sempre teve laços com o poder, inclusive durante a ditadura militar.

Entre 1976 e 1979, o patriarca Max Feffer foi Secretário de Cultura, Ciência e Tecnologia de São Paulo durante o governo biônico – sem eleição popular.

Pouco antes, o governo militar havia aprovado um novo Código Florestal que isentou de tributos as plantações para obter papel.

O Código equiparava plantações industriais a matas nativas e declarou “florestas naturais ou plantadas” como imunes à tributação.

📊 Informação Complementar

Já a repórter Hevilla Wanderley foi atrás da história de como o empresário Mário Araripe se tornou o “senhor dos ventos”, dono da empresa de energia eólica Casa dos Ventos.

As enormes turbinas se multiplicaram com incentivos fiscais pelo litoral do Nordeste e a perspectiva de lucro levou ao acosso da empresa aos moradores, segundo pessoas entrevistadas pela reportagem.

Uma delas é Vânia Aguiar, presidente da associação do Assentamento Queimadas, assentamento agroecológico no município de Remígio, na Paraíba, resultante da luta pela reforma agrária.

Ela mesma foi procurada pela Casa dos Ventos, assim como outras 100 famílias do assentamento, mas as famílias negaram, pois as enormes turbinas seriam um risco para o modo de produção e vida da comunidade (estudos apontam prejuízo na saúde por causa das enormes turbinas).

A empresa não desistiu, segundo moradores ouvidos, e segue procurando alguns membros da comunidade.

“Eu disse que não ia dar apoio ao que viria destruir a natureza, viria destruir o bioma, que vem para destruir a nossa caatinga.

Então, a nossa área de assentamento foi para produzir, foi para a gente preservar e zelar, não para a gente entregar para projetos que venham fortalecer só as corporações.

Precisamos de energia renovável, mas não assim”, diz Vânia.

Mário Araripe é, hoje, o homem mais rico do Nordeste, com fortuna estimada pela Forbes em cerca de R$ 17 bilhões de reais em 2026.

Muito antes de ser o “senhor dos ventos”, Araripe comandava a empresa Troller, beneficiava com diversos incentivos fiscais, como o Fundo de Desenvolvimento Industrial criado pelo governo do Ceará em 1979 e ampliado ao longo dos anos 1990, que permitia a retenção de até 75% do ICMS.

Depois, com a Casa dos Ventos, vieram mais benefícios, com o Regime Especial de Incentivos para o Desenvolvimento da Infraestrutura (REIDI), que suspende a cobrança de PIC e Cofins para a compra de equipamentos – um desconto que pode chegar a quase 10% dos custos de construção de um parque eólico.

“Quando o governo dá isenções fiscais ou benefícios para empresas, ele está abrindo mão desse dinheiro que poderia ser usado para a população”, explicou o professor de Economia Brasileira da Universidade Federal da Paraíba, Lucas Milanez.

“Na prática, essas isenções funcionam como uma ajuda direta do Estado para tornar os negócios mais lucrativos e financeiramente mais seguros”.

Entrevistado para a reportagem sobre o grupo Mateus, o deputado estadual Yglésio Moyses (PRTB) levantou uma pergunta simples: até quando faz sentido manter esse tipo de benefício?

“Faz sentido manter o mesmo nível de renúncia fiscal para empresas que já operam com alta eficiência, escala e rentabilidade?”, perguntou.

No livro Coisa de Rico, Michel Alcoforado comparou os ricos brasileiros com os americanos em relação à auto-imagem da origem da riqueza.

Enquanto os ricos dos EUA sempre se gabam de ter conseguido ficar ricos “graças às benesses da América”, os brasileiros dizem ter “conquistado” a riqueza “apesar” dos empecilhos dados pelo Brasil.

Mas esta série especial mostra que não é bem assim: as maiores fortunas brasileiras contam com benesses fiscais, privilégios em disputas de terras e mão leve quanto às condições trabalhistas.

Nunca foi sorte, e tampouco Deus: no Brasil, os super-ricos se forjam evadindo seus deveres e conquistando privilégios.

E quem os ajuda é um Estado conivente que prefere alguns, para prejuízo da vasta maioria.


Fonte: Terra

25/05/2026 17:05

ShareTweet

Related Posts

O que diz a surfista da maior onda já surfada no Brasil

by Iago
25 de maio de 2026

‘Fiquei de queixo caído’, diz surfista da maior onda já surfada por uma mulher no Brasil Atleta alcançou o feito...

Seleção: 11 dos 26 convocados são agenciados por Jay-Z e Bertolucci

by Iago
25 de maio de 2026

A lista de 26 convocados para defender o Brasil na Copa do Mundo apresenta diversidade em relação aos clubes, idades...

Instituto Carlos Chagas realiza sessão solene com homenagem

by Iago
25 de maio de 2026

Instituto Carlos Chagas realiza sessão solene com homenagem Cerimônia homenageou Jacob Samuel Kierszenbaum, Jayme José Gouveia e Murillo Côrtes Drummond...

Wine South America 2026 movimenta R$ 120 milhões em negócios

by Iago
25 de maio de 2026

Wine South America 2026 movimenta R$ 120 milhões em negócios A Wine South America é uma das principais feiras profissionais...

Odebrecht e Vorcaro são sócios na venda de 577 apartamentos em SP

by Iago
25 de maio de 2026

Demétrio VecchioliColunas Odebrecht e Vorcaro são sócios na venda de 577 apartamentos em SP Empresas sócias da Odebrecht são atribuídas...

TRENDING

Brasil

Nem sorte, nem Deus: super-ricos se forjaram à custa de regalias

25 de maio de 2026
ENTRETENIMENTO

Praga, a deslumbrante capital da República Tcheca, atrai turistas do mundo inteiro

25 de maio de 2026
ENTRETENIMENTO

Adriane Galisteu celebra vitória de A Fazenda no Shorty Awards e agradece fãs: ‘Esse prêmio é de vocês’

25 de maio de 2026
POLÍTICA

Boulos manterá ofensiva pela escala 6×1 apesar das críticas de Motta

25 de maio de 2026
Notícias

Vini Jr. diz que é ‘óbvio’ o número da camisa que Neymar usará na Copa

25 de maio de 2026
PHP Code Snippets Powered By : XYZScripts.com
No Result
View All Result
  • Inicio
  • POLÍTICA
  • MUNDO
  • TECNOLOGIA
  • SAÚDE
  • ECONOMIA
  • ENTRETENIMENTO
  • SEGURANÇA
  • JUSTIÇA
  • Carnaval
  • VIDA E ESTILO

© 2024 Pensa Povo.

Este site utiliza cookies. Ao continuar a utilizar este site, você está dando consentimento para o uso de cookies. Visite nossa Política de Privacidade e Cookies.