Como a guerra no Irã está espalhando caos no mundo?
Aumento nos preços dos combustíveis e energia por causa do fechamento do Estreito de Ormuz tem provocado protestos e tumultos em muitos países.
Crédito: Carolina Marins (roteiro), Ariel Liborio (edição), Vitória Schmitz (produção) e Felipe Pedro (fotografia) Gerando resumo Os Estados Unidos já assinaram eletronicamente o acordo preliminar firmado com o Irã para suspender as hostilidades no Oriente Médio e reabrir o Estreito de Ormuz, segundo informou um alto funcionário americano à agência Reuters nesta segunda-feira, 15.
De acordo com a fonte, o documento recebeu as assinaturas do presidente Donald Trump, do vice-presidente JD Vance e do presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf.
O governo americano espera divulgar os termos completos do entendimento nos próximos dias.
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O acordo, anunciado após negociações mediadas pelo Paquistão, prevê uma trégua inicial de 60 dias entre Washington e Teerã, além da reabertura do Estreito de Ormuz e do início do desmonte do bloqueio americano ao Irã.
O conteúdo integral do documento ainda não foi divulgado.
Informações preliminares indicam que temas mais sensíveis, como o futuro do programa nuclear iraniano, foram deixados para uma próxima rodada de negociações.
Segundo a autoridade ouvida pela Reuters, mais detalhes do acordo devem ser divulgados nas próximas 24 a 48 horas, enquanto as discussões técnicas começam ainda nesta semana.
Quem anunciou o acordo?
Estados Unidos, Irã e Paquistão — que atuou como mediador das negociações — confirmaram no último domingo que chegaram a um entendimento, embora tenham utilizado termos diferentes para descrevê-lo.
Em publicação nas redes sociais, o presidente Donald Trump afirmou que “este grande acordo trará paz e segurança para toda a região”.
Já o Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã classificou o entendimento como um “memorando de entendimento”.
O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, declarou que as partes concordaram com a “cessação imediata e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano”.
A questão libanesa tem sido um dos principais pontos de tensão nas negociações entre Washington e Teerã desde o início dos confrontos envolvendo Israel, Irã e grupos aliados na região.
Nem Israel nem o Hezbollah, protagonistas dos confrontos no Líbano, participam formalmente do acordo firmado entre Estados Unidos e Irã.
Por isso, ainda não está claro qual será o impacto prático do entendimento sobre a situação no país.
Nesta segunda-feira, 15,+ autoridades israelenses rejeitaram a possibilidade de retirada das tropas do território libanês.
Qual é o cronograma?
Estados Unidos e Irã parecem ter concordado com um processo dividido em etapas, que prevê negociações mais amplas ao longo dos próximos meses.
O vice-ministro das Relações Exteriores do Irã, Kazem Gharibabadi, afirmou à televisão estatal que os compromissos assumidos por Teerã começarão a valer na sexta-feira, data prevista para a assinatura formal do acordo em Genebra, na Suíça.
A partir daí, os dois países interromperão as hostilidades por pelo menos 60 dias para permitir negociações sobre os temas ainda pendentes.
Segundo Sharif, os mediadores trabalharão na construção das bases para discussões técnicas que deverão ocorrer ao longo desta semana.
Gharibabadi afirmou ainda que o programa nuclear iraniano, um dos pontos mais delicados e ainda sem consenso, estará entre os temas da próxima rodada de negociações.
O que muda no Estreito de Ormuz?
Antes do conflito, cerca de 20% do petróleo comercializado no mundo passava pelo Estreito de Ormuz.
Durante os confrontos, a passagem foi praticamente interrompida pelo Irã, provocando forte alta nos preços internacionais da energia.
Trump afirmou no domingo que a navegação comercial será retomada na sexta-feira, indicando que o Irã removerá as minas instaladas na região.
O presidente americano também anunciou o fim imediato do bloqueio naval imposto aos portos iranianos desde meados de abril, medida que tinha como objetivo restringir as exportações de petróleo do país.
Em entrevista ao The New York Times, Trump afirmou que o acordo prevê que o estreito permaneça permanentemente aberto e livre de cobranças para a navegação.
O anúncio contribuiu para a queda de quase 5% no preço do barril do petróleo Brent, referência global do mercado, que passou a ser negociado em torno de US$ 83.
Autoridades iranianas ainda não comentaram os detalhes relacionados ao estreito.
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O que acontecerá com o programa nuclear iraniano?
O acordo preliminar não resolve a questão nuclear e transfere as discussões para uma etapa posterior das negociações.
Segundo autoridades e diplomatas americanos, quatro pontos concentram as divergências: o período durante o qual o Irã suspenderá o enriquecimento de urânio, o destino do estoque já existente de urânio enriquecido, o futuro das instalações nucleares iranianas e o regime de inspeções internacionais do programa.
Trump defende há anos a limitação das atividades nucleares iranianas, argumentando que o estoque de urânio enriquecido pode ser utilizado na produção de armas nucleares.
O governo iraniano nega ter intenção de desenvolver armamento atômico.
Em entrevista ao NYT, o presidente americano afirmou que os dois países discutem o período durante o qual o Irã se comprometerá a interromper o enriquecimento de urânio.
Segundo ele, a proposta em negociação permitiria atividades nucleares apenas para fins civis.
Já Gharibabadi confirmou que as chamadas “questões nucleares” estarão entre os principais temas da próxima rodada de negociações.
Fonte: Estadão
15/06/2026 15:49









