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Eleições e escândalo do Banco Master impulsionam voto pelo fim da jornada 6×1 no Brasil

28 de maio de 2026
in Brasil, ENTRETENIMENTO, POLÍTICA
Home Brasil
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Eleições e escândalo do Banco Master impulsionam voto pelo fim da jornada 6×1 no Brasil
Parlamentares têm sido cobrados nas ruas e nas redes sociais a reduzir a escalada de trabalho.

Proposta de Emenda Constitucional foi aprovada na Câmara, com apenas 22 votos contrários no primeiro turno e 19, no segundo.

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Raquel Miura, correspondente da RFI em Brasília Falência de negócios, queda de produção, riscos econômicos: argumentos que eram usados no século XIX em defesa da escravização de pessoas negras também são repetidos hoje por quem contesta mudanças na jornada de trabalho no Brasil.

Mas as eleições estão ajudando a sepultar a escala 6×1 e a estabelecer uma jornada de 40 horas semanais, com dois dias de folga por semana.

A proximidade do pleito tem obrigado autoridades políticas a apresentar uma agenda mínima em sintonia com a população.

Isso veio em meio a um cenário marcado por escândalos, como o do Banco Master, que atingiu figuras centrais do Congresso, e aos esforços do governo para ganhar popularidade.

🔄 Atualizações Recentes

Eleições são daqueles raros momentos em que, mesmo sopesando o poder financeiro dos grandes grupos nas doações, o voto de um trabalhador na urna conta da mesma forma que o de um grande empresário.

E o primeiro grupo é bem mais numeroso.

O andar de cima também tem se movimentado nos bastidores.

Após o acordo fechado entre o governo e a presidência da Câmara em torno de uma proposta com transição de apenas um ano, começaram peregrinações voltadas ao Senado.

📊 Informação Complementar

"Empresários já procuraram o presidente do Senado, mas acredito que a PEC será aprovada também pelos senadores.

Primeiro porque o mandato de 2/3 da Casa termina agora e, assim, são 54 senadores candidatos, a maioria buscando a reeleição.

Segundo porque esse tema tem um forte apoio da população, talvez seja a proposição com mais apoio popular dos últimos tempos", afirmou à RFI o senador Humberto Costa (PT/PE).

A proposta original foi apresentada em 2019 pelo deputado Reginaldo Lopes (PT/MG) e previa uma jornada de 36 horas.

O assunto ganhou as redes sociais num desabafo de Rick Azevedo (PSOL/RJ) – um balconista de farmácia exausto com a longa jornada, que depois virou vereador – e foi bandeira no Congresso pela atuação da deputada Erika Hilton (PSOL/SP), autora de uma PEC sobre o tema que tramitou em conjunto.

Mas de repente, as mudanças passaram a ser defendidas por partidos de várias matizes.

"Nós apoiamos a escala 5×2 por acreditar que é o novo momento para o trabalhador brasileiro", afirmou o líder do União Brasil na Câmara, Pedro Lucas Fernandes (Maranhão).

"A base familiar é fundamental para nós.

E acreditamos que com o trabalhador tendo mais tempo com sua família, teremos um país melhor na formação das crianças e adolescentes”, justificou o líder do Progressistas, deputado Doutor Luizinho (RJ).

Uma das cenas que viralizaram durante as discussões foi a deputada Sâmia Bonfim (PSOL/SP) mostrando um pote de óleo de peroba durante uma entrevista de Nickolas Ferreira (PL/MG), pois o parlamentar foi um árduo crítico da PEC e, ao fim, votou a favor da redução da jornada de trabalho.

"A matéria estava aí.

Mas foi a dor de uma bicha de balcão e a insistência de um deputada travesti que deu voz a essa matéria, que popularizou essa pauta.

Então essa vitória vai para a conta do movimento LGBTQIA+, na conta da luta das mulheres", ressaltou Erika Hilton, ao se referir à atuação dela e de Rick Azevedo no processo.

“Não dá para descansar” Muitos debates têm sido realizados sobre o tema na imprensa e em fóruns oficiais, com destaque para a presença de economistas, especialistas em trabalho, parlamentares, confederações patronais e de empregados.

Em meio a projeções e números apresentados pelas partes, estão aqueles diretamente atingidos pela jornada 6×1, mas que, justamente pela jornada exaustiva, não conseguem comparecer às manifestações que pedem mudanças.

Não só porque estão trabalhando, mas porque temem serem identificados e perderem o emprego.

A reportagem ouviu pessoas que estão nos shoppings, nas padarias, nas farmácias, nos postos de combustível.

A maioria falou baixo e pediu para dar apenas o primeiro nome.

"Não dá para descansar com um só dia de folga.

Como a jornada diária é longa, acumula tarefas de casa.

Aí no dia de folga, que no meu caso é na terça-feira, eu vou cuidar da casa, lavar roupa, passar roupa, limpar tudo", disse Sílvia, que trabalha num supermercado.

"Não consigo ter lazer, não consigo ir numa pizzaria, num aniversário, nada disso.

Nem me chamam mais, por causa do meu horário.

Nem folga fixa eu tenho, mas geralmente é na terça ou na quinta-feira", relatou Marcos, que trabalha numa drogaria.

O funcionário contou que este ano a jornada dele passou a ser 5×2, portando com dois dias de folga, porém houve aumento da carga diária para dez horas trabalhadas, além de uma hora de almoço.

Contando com deslocamento de uma hora e meia na ida e na volta, ele passa 14 horas por dia por conta do trabalho.

“É muito cansativo, chego em casa esgotado.” Tanto Sílvia quanto Marcos recebem um salário-mínimo, mesmo valor que a loja de departamento de um shopping em Brasília paga a Henrique, que ainda sonha em realizar o aniversário do filho, hoje com três anos.

"Não tem como fazer o aniversário dele na quarta-feira.

E mesmo quando tenho folga no domingo, que é raríssimo, é difícil porque preciso organizar tudo antes e depois limpar, já que tenho que trabalhar no dia seguinte.

Então a gente faz um bolinho só entre nós, mas eu queria fazer uma comemoração com amigos e família."
A jornada puxada acabou fazendo com que a atendente Érika tivesse dificuldade de seguir com o curso superior.

"Eu trabalhava num shopping e tranquei a faculdade, que era federal.

Não conseguia me dedicar porque a jornada era muito puxada.

Acabei fazendo outro curso, que tinha a modalidade à distância, em outra instituição.” Ela e a amiga Ana trabalham hoje num laboratório de exames médicos, com folga aos domingos, mas com expediente todos os sábados e na maioria dos feriados.

"É muito cansativo, você perde tempo de convivência com a família, com os amigos e pode ter problemas de saúde mental.

No meu caso é muito tempo de tela, imagina conseguir estudar depois da jornada", afirmou Ana.

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Fonte: Terra

28/05/2026 06:24

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