A Fórmula 1 vai ter uma importante novidade nos dias que sucederem o GP do Canadá de domingo (24): a primeira utilização de um mecanismo que pode mexer com a ordem de forças entre as equipes da categoria.
O chamado ADUO (sigla para Additional Development and Upgrade Opportunities, em inglês) pode fornecer oportunidades adicionais de desenvolvimento às fornecedoras de motores, desde que estejam com desvantagem acima de 2% em relação à mais bem avaliada.
O cálculo dessa desvantagem é feito pela Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
O mecanismo foi criado para aumentar a competitividade entre as equipes após a introdução dos novos regulamentos; caso se enquadre nos requisitos da entidade, uma fornecedora terá mais tempo de testes, atualizações adicionais e reajustes no teto de gastos da categoria.
Valtteri Bottas (Cadillac) e Fernando Alonso (Aston Martin) no GP do Japão da F1 2026 — Foto: Andy Hone/LAT Images A primeira implementação do sistema estava prevista para o GP de Miami, que seria a sexta etapa do Mundial deste ano.
No entanto, o cancelamento das corridas no Bahrein e na Arábia Saudita bagunçou o calendário, e a FIA revisou os períodos em que verificará os desempenhos das equipes em 2026.
A nova divisão é a seguinte: – Período 1: corridas 1 a 5 (Austrália até Canadá) – Período 2: corridas 6 a 11 (Mônaco até Hungria) – Período 3: corridas 12 a 18 (Holanda até México) Abaixo, o ge explica como funciona o ADUO e por que ele é tão importante para o desenrolar da Fórmula 1.
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Como funciona o ADUO?
Em primeiro lugar, vale ressaltar que as unidades de potência, como são chamados os motores da F1, são divididas em dois componentes: um motor de combustão interna (ICE) e uma parte elétrica.
Motor da F1 2026 — Foto: Infoesporte A cada período listado acima, os motores de combustão interna fornecidos por cada fabricante às equipes vão passar por uma verificação, e os resultados vão gerar um Índice de Performance.
A partir dele, a FIA vai calcular quem tem o melhor desempenho e o quão atrás estão as concorrentes.
Atualmente, cinco fabricantes fornecem motores para as 11 equipes da Fórmula 1.
São elas:
– Mercedes: uso próprio e fornece para McLaren, Alpine e Williams.
– Ferrari: uso próprio e fornece para Haas e Cadillac.
– Ford: fornece para Red Bull e Racing Bulls.
– Audi: uso próprio.
– Honda: fornece para Aston Martin.
George Russell à frente de Max Verstappen no GP do Japão de F1 2026 — Foto: Wan Mikhail Roslan/NurPhoto via Getty Images
O cálculo do desempenho de cada motor é baseado em fatores técnicos.
A partir disso, a FIA vai publicar os resultados das verificações e anunciar quais fornecedoras terão direito a melhorias, que poderão ser implementadas a partir da corrida seguinte ao anúncio; no caso deste primeiro uso, a partir do GP de Mônaco, em 7 de junho.
Para que uma fabricante se torne elegível, o desempenho do motor de combustão deve ficar, pelo menos, 2% atrás do mais bem avaliado.
O nível de auxílio varia de acordo com a discrepância para a melhor fornecedora, e a FIA realizou alterações no início do mês para incluir uma nova categoria, que abrange motores com déficit acima dos 10% – a expectativa é de que a Honda se enquadre neste caso.
– Fala-se que a Red Bull, por exemplo, não estaria incluída nesses 2%, então não teria autorização para atualizar seu motor, mas é fato que isso pode mudar um pouco sim o cenário a partir do GP de Mônaco.
A Ferrari, que deve ser uma das agraciadas, não sei se vai colocar um motor atualizado já em Mônaco, que favoreceria aquela turbina pequena que eles colocaram no motor.
Uma vez que a Ferrari consiga uma boa largada, pode ser que até consiga chances de vencer; o motor da Ferrari não tem boa velocidade de reta nesse momento, mas tem boa retomada de curva, justamente por causa dessa turbina, que enche mais rápido – aposta o comentarista Rafael Lopes.
Para motores que tenham entre 2% e 4% de desvantagem, o acréscimo será de 70h de testes.
Já para aqueles acima de 10%, o total chega a 230h.
Confira a tabela completa abaixo: Índice de Delta de Desempenho dos motores da F1 2026 O regulamento ainda determina que as fabricantes cujo motor estiver entre 2% e 4% abaixo da referência vão poder fazer uma atualização extra na temporada vigente, e outra na seguinte.
Se for mais de que 4%, o número de atualizações sobe para duas.
Essas permissões especiais de atualização podem ser cumulativas.
Por exemplo: se uma equipe receber dois direitos a atualizações em 2026 e 2027 e, em 2027 estiver novamente qualificada para dois atualizações (no ano vigente e em 2028), ela totalizará quatro só em 2027.
Em relação ao teto de gastos, uma fabricante que estiver mais de 10% atrás da marca de referência terá um alívio de US$ 11 milhões, o equivalente a R$ 55 milhões, na atual cotação – além disso, ela poderá antecipar mais US$ 8 milhões (R$ 40 milhões) de orçamentos futuros.
Desconto no teto de gastos sob o ADUO
Por que o ADUO é importante?
O mecanismo dá às fornecedoras e equipes a oportunidade de identificar e corrigir problemas no motor durante o ano.
Como a fabricante mais bem avaliada não receberá qualquer tipo de benefício, a expectativa é de que as demais consigam evoluir e se aproximar em termos de desempenho.
– Um fabricante ainda precisará produzir o melhor motor possível para vencer.
Não é uma solução mágica, nem a FIA está distribuindo pontos extras para quem está atrasado; simplesmente oferece a eles margem de manobra para desenvolver sua unidade de potência dentro da estrutura estabelecida pelo regulamento técnico – disse Nicolas Tombazis, diretor de monopostos da FIA.
Essas correções podem fazer diferença em todas as partes do grid.
Se o motor Mercedes for o mais bem avaliado – o que é provável, já que a equipe Mercedes venceu as quatro provas do ano –, isso significa que o time alemão e a McLaren não terão qualquer auxílio.
O mesmo vale para a Williams mesmo que a inglesa esteja com desempenho negativo, somando só cinco pontos até aqui.
Charles Leclerc assume a ponta na largada do GP de Miami da Fórmula 1 em 2026 — Foto: REUTERS/Marco Bello Por outro lado, Ferrari e Ford (com a Red Bull) podem se qualificar para as atualizações e ganhar uma preciosa chance de equilibrar a disputa no topo.
Chefe de equipe da escuderia de Maranello, Frédéric Vasseur já classificou o ADUO como “uma oportunidade de diminuir a diferença”.
Embora não seja possível quantificar o impacto do motor de combustão no desempenho de cada equipe (já que a parte elétrica do motor, a aerodinâmica e o chassis também cumprem papéis importantíssimos), essas mudanças podem inverter até mesmo o favoritismo durante a atual temporada e além.
Unidade de potência (motor) da Aston Martin, fornecido pela Honda — Foto: Takashi Aoyama/Getty Images
Isso também vale para o pelotão intermediário e o fundo do grid.
A Aston Martin, por exemplo, precisou fazer uma força-tarefa para conter as vibrações no carro, que têm prejudicado o desempenho desde o início de campeonato.
Especula-se que seu motor Honda esteja mais de 10% abaixo em capacidade, o que teria motivado as mudanças no índice de performance.
– É na corrida seguinte, o GP da Catalunha, que a gente vai começar a ver mudanças, principalmente nos motores que estão com mais dificuldade.
A Honda, que equipa a Aston Martin, deve ter um maior porcentual de mudanças disponíveis para o motor dela.
Não acho que vai mudar muito o patamar da equipe, mas certamente vai melhorar o desempenho e deve fugir da briga com a Cadillac para não ser a pior equipe do ano.
Mas é fato que a gente pode ter uma mudança no campeonato, ou pelo menos uma aproximação maior das equipes em relação a Mercedes e a McLaren, que deu uma crescida de desempenho e, nesse momento, já passou a Ferrari na briga pela segunda força do ano – completou Rafa Lopes.
Gabriel Bortoleto no GP de Miami de F1 — Foto: Sona Maleterova/LAT Images
Com o brasileiro Gabriel Bortoleto como um dos pilotos, a Audi é outra equipe que pode se aproveitar bastante da novidade.
Além de estar no meio da tabela e com desempenho abaixo dos times de topo, a escuderia alemã não fornece motores para outros times e, por causa disso, possui menos dados para entender os gargalos de desempenho em relação às rivais.
Portanto, o ADUO pode dar ao time uma importante oportunidade de correção de rota.
📊 Informação Complementar
– Pensando no brasileiro Gabriel Bortoleto, a Audi atualizando o motor dela e corrigindo essa questão do turbo-compressor que é muito grande, também pode dar um salto de qualidade – principalmente não perdendo tantas posições na largada como eles vêm perdendo.
Tanto ele, quanto o Nico Hülkenberg, seu companheiro de equipe nessas primeiras corridas do ano – completou Rafael Lopes.
Infos e horários GP do Canadá de F1 2026 — Foto: Infoesporte
Fonte: Globo Esporte
20/05/2026 15:32











