Estes ataques atingiram um pico desde o início dos ataques ao Irão.
E os seus autores continuam a agir em toda a impunidade, acusam várias instituições e ONG.
Desde há anos que existem ataques de colonos contra palestinianos na Cisjordânia ocupada.
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Mas o seu aumento brutal causou críticas de rabinos influentes e até do chefe de Estado-Maior israelita, general Eyal Zamir, que os considerou "moral e eticamente inaceitáveis".
No final de março, a associação Comandantes para a Segurança de Israel, que tem 550 generais e oficiais superiores na reforma, bem como antigos altos responsáveis dos serviços de segurança, publicaram uma carta aberta a interpelar o general Zamir sobre o “perigo estratégico” que representa o “terrorismo judaico”.
O chefe da oposição, Yair Lapid, por seu lado, apelou recentemente ao governo para "combater o terrorismo judaico por todos os meios" na Cisjordânia.
🧠 Análise da Situação
Para Réem Cohen, investigador no Instituto para o Estudos de Segurança Nacional (IESN) de Telavive, “há um aumento dos atos de terrorismo judaico desde o início da guerra com o Irão”, bem como “da gravidad dos atos”.
Em entrevista à AFP, este autor de um relatório sobre o assunto denunciou a impunidade de que beneficiam os autores destes crimes.
"O governo israelita e as forças de segurança (…) não reagem de maneira determinada", estimou.
🔍 Detalhes Importantes
Recordou que uma das primrias medidas do ministro da Defesa, Israël Katz, depois de tomar posse em 2024, foi anular a detenção administrativa para os suspeitos israelitas na Cisjordânia.
Pelo menos seis palestinianos foram mortos neste território ocupado desde o início de março, por colonos, que comparam com os cinco recenseados pela ONU em 2024.
"Acontecimentos marginais e locais" tornaram-se "um fenómeno generalizado, ligado à luta pelo controlo do território e ao esforço para expulsar a população palestiniana", disse.
Israel ocupa a Cisjordânia desde 1967.
Com exceção de Jerusalém-Leste, mais de 500 mil colonos aí vivem em colónias consideradas ilegais pela ONU; no meio de três milhões de palestinianos.
A colonização da Cisjordânia prosseguiu durante todos os governos israelitas desde 1967, mas acelerou nitidamente desde a ascensão da extrema-direita ao poder em 2022 e mais ainda depois do ataque do Hamas, em 07 de outubro de 2023.
Nos anos 2000, desde o início da Segunda Intifada (levantamento palestiniano), os colonos radicais, designados os “jovens das colinas”, praticavam o que designavam a política do “preço a pagar”, atacando palestinianos ao acaso depois de cada atentado anti-israelita.
Desde 07 de outubro, estas violências tornaram-se quase-diárias, “com o apoio implícito de alguns membros do governo”, disse Cohen, em referência clara aos ministros de extrema-direita Itamar Ben Gvir (Segurança Nacional) e Bezalel Smotrich (Finanças).
Em plena guerra com o Irão, o governo “apoia o terrorismo judaico” e prejudica a segurança de Israel, ao forçar o exército a ter de “apagar fogos” que ele próprio acendeu na Cisjordânia, acusou em março Yaïr Golan, chefe da aliança Os Democratas.
Vídeos divulgados as redes sociais, por vezes pelos próprios autores dos ataques, mostraram centenas de homens armados, com a cabeça coberta, equipados com paus, mas também armas de fogo, entrar em localidades palestinianas para semear o terror.
Aí se multiplicam incêndios de casas, arranque de oliveiras, morte de ovelhas e disparos com fogo real.
Em um recente inquérito sobre estes grupos ativos principalmente em Naplouse e Hebron, o Yediot Aharonot qualificou-os como "bárbaros das colinas".
Rejeitando qualquer autoridade, o núcleo duro dos "jovens das colinas" tem por prioridade impor a soberania judaica sobre a Cisjordânia com recurso a todos os meios.
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Fonte: noticiasaominuto
02/04/2026 23:34











