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PF investiga laços de ‘Capo’ da máfia italiana com PCC e juiz bloqueia R$ 631 milhões

2 de junho de 2026
in Esportes, POLÍTICA, TECNOLOGIA
Home Esportes
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A Polícia Federal foi às ruas nesta terça-feira, 2, para cumprir dez mandados de prisão preventiva contra suspeitos de integrarem um megaesquema de transporte de grandes carregamentos de cocaína do Brasil para países da Europa e da África, utilizando rotas marítimas internacionais.

Um dos alvos é o mafioso sérvio Antun Mrdeza, conhecido mundialmente como “Nikola Boros” por operações de tráfico na América do Sul.

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Ele é apontado como integrante da máfia italiana ‘Ndrangheta, que teria se aliado ao Primeiro Comando da Capital (PCC) para operar no País.

Preso desde maio de 2025 na Venezuela, Mrdeza não atua apenas como financiador do tráfico internacional, segundo a Polícia Federal.

🔍 Detalhes Importantes

Os investigadores afirmam que ele comanda remessas de cocaína para a Europa, supervisiona operações, cobra resultados e investe recursos próprios para ampliar os lucros da organização criminosa.

A Polícia Federal afirma que relatórios de inteligência e informações obtidas com fontes internacionais identificam o mafioso sérvio como integrante da chamada “New Drug Trafficking Board”, descrita por autoridades colombianas como um novo centro global de comando do narcotráfico.

A estrutura seria usada para coordenar alguns dos maiores carregamentos de cocaína do mundo e já é alvo de investigações em ao menos sete países.

‘Evento Mobydick’
Segundo a investigação, Antun Mrdeza participou diretamente de uma operação internacional de tráfico de cocaína realizada em 2020 com o uso do veleiro “Mobydick”.

📊 Fatos e Dados

A embarcação saiu de Ilhabela, no litoral paulista, em direção a Las Palmas, na Espanha, carregada com cocaína destinada ao mercado europeu.

O veleiro era comandado pelo capitão sueco Axel Bertil Eriksson, que atravessou o Atlântico até o Brasil e chegou ao Recife em março daquele ano.

Depois, seguiu para Ilhabela em maio de 2020, onde a embarcação passou pelos preparativos finais para receber a droga e iniciar a travessia internacional.

A PF afirma que a carga de cocaína destinada ao “Mobydick” estava ligada a um carregamento de 490,8 quilos da droga apreendido pela polícia brasileira em uma aeronave PT-RAS, em Fernandópolis, no interior de São Paulo.

A carga pertencia ao PCC, segundo investigadores.

Para a polícia, a conexão revelou uma “sofisticada cadeia logística multimodal, na qual a cocaína era transportada inicialmente por via aérea até pontos de concentração no interior do País e, depois, levada ao litoral para exportação marítima rumo à Europa”.

A apreensão da droga e problemas técnicos no veleiro provocaram atrasos na operação e geraram atritos entre os integrantes da organização criminosa, principalmente entre operadores brasileiros e o capitão estrangeiro responsável pela embarcação.

Após reorganizar a carga e solucionar os entraves técnicos, o grupo conseguiu concluir o embarque da cocaína e iniciar a viagem em 30 de julho de 2020.

As investigações apontam que a operação no Brasil contou com uma ampla estrutura de apoio em terra coordenada por um investigado conhecido como Marco Aurélio de Souza, o “Lelinho”.

Ele é um dos alvos de prisão preventiva nesta terça-feira.

Também integravam o núcleo logístico apelidado pela PF de “equipe de suporte” nomes como “Sapão”, Walter Pires Junior, o “Waltinho”, e Klaus de Castro Rios Motta e Silva.

Segundo os investigadores, eles eram responsáveis por garantir toda a infraestrutura necessária para a preparação do veleiro e o sucesso da travessia internacional da droga.

“Waltinho” e Klaus também são alvo de prisão da Polícia Federal.

A reportagem busca contato com a defesa dos citados.

No âmbito da Operação Narco Sky, a 5.ª Vara Federal de Santos determinou o bloqueio e o sequestro de bens e valores até o limite de R$ 631,8 milhões dos investigados.

📊 Informação Complementar

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A investigação é um desdobramento da Operação Narco Vela, que apura o uso de embarcações equipadas com sistemas de navegação via satélite para atravessar o Atlântico recheados de cocaína.

Nesta nova fase, os agentes cumprem dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em São Paulo, no Rio Grande do Sul e no Pará, além da inclusão de investigados na lista de difusão vermelha da Interpol, por conta de foragidos no exterior.

Nikola Boros e Jhon Gotti A Polícia Federal e a Interpol registram que, além de usar o nome “Nikola Boros”, o megatraficante Antun Mrdeza também é conhecido no submundo do crime como “John Gotti”, em referência ao gângster norte-americano que liderou a família Gambino, considerada o “sindicato do crime” mais poderoso de Nova York nas décadas de 1980 e 1990.

A atuação de Mrdeza no tráfico de cocaína ganhou repercussão mundial após uma fuga cinematográfica no aeroporto de Rionegro, na Colômbia, em 2023.

Segundo a Polícia Federal, o sérvio entrou no país usando a identidade falsa de “Nikola Boros” e chegou a ser capturado por ser alvo de uma ordem de prisão internacional.

No momento em que seria expulso da Colômbia, porém, conseguiu escapar do aeroporto com apoio externo e em meio a disparos, episódio que, segundo os investigadores, “evidencia sua elevada capacidade logística, proteção armada e rede de apoio típica de organizações criminosas de alto nível”.

Pivô de embate diplomático
A prisão de Antun Mrdeza na Venezuela em maio de 2025 transformou o caso em um tema sensível da diplomacia internacional.

Autoridades dos Estados Unidos vinculam o sérvio ao narcotraficante colombiano Giovanny Andrés Rojas, o “Araña”, apontando que ambos teriam formado uma aliança para enviar grandes carregamentos de cocaína por algumas das principais rotas globais do tráfico.

Washington já formalizou pedidos de extradição para que Mrdeza seja levado a um presídio de segurança máxima nos EUA, mas a captura do mafioso em território venezuelano, em meio às tensões políticas entre Caracas e Washington, tornou o caso um impasse diplomático.

A Operação Narco Sky ocorre cinco dias após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

A designação permite que o governo americano imponha sanções financeiras severas, bloqueie recursos, restrinja transações internacionais e proíba a entrada de membros das facções em território americano.


Fonte: Estadão

02/06/2026 15:42

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