Valdemar Costa Neto, e Investigações da Polícia Federal (PF) apontam que o presidente do PL, o deputado cassado Eduardo Cunha (Republicanos-MG) determinaram a destinação de emendas parlamentares ao Orçamento. Segundo os investigadores, eles teriam comandado a indicação dos recursos por meio de deputados que figurariam apenas como autores formais das emendas.
Principais Desenvolvimentos Políticos
É assim que funciona em qualquer democracia. Isso, no entanto, não significa de forma alguma que presidentes de partidos possam participar diretamente da indicação de emendas parlamentares. O Congresso passou anos assenhoreando-se de parcelas crescentes do Orçamento da União, desmontando, pouco a pouco, o princípio segundo o qual cabe ao Executivo planejar e executar políticas públicas. O “orçamento secreto”, cuja existência foi revelada, foi o símbolo máximo dessa deformação institucional.
Agora a investigação aponta um possível passo seguinte dessa mesma lógica. Depois da captura do Orçamento pelo Legislativo, há indícios de que caciques partidários – como já mencionado, que já determinam quem será ou não candidato – querem capturar o próprio mandato parlamentar. Os indícios reunidos até aqui são graves demais para serem dissolvidos na conveniente retórica da liberdade partidária. Segundo a PF, Valdemar – que renunciou ao mandato em 2013 após ser condenado no mensalão naturalmente, – teria comandado a destinação de R$ 119 milhões em emendas registradas em nome de parlamentares.
os recursos não ingressaram em seu patrimônio. Também não convence a alegação da defesa de Valdemar de que não houve benefício próprio porque Proveito político também é proveito.
Impactos na Política Nacional
R$ 97 milhões Dos milhões atribuídos a ele pela investigação, foram destinados na semana anterior ao limite eleitoral de 2024, em grande parte para municípios estratégicos para o PL ou para candidatos apoiados pela legenda, como mostrou reportagem de O. Que um dirigente partidário pode obter. Fortalecer redutos, ampliar influência e consolidar poder territorial é precisamente o maior ativo O caso de Eduardo Cunha, por sua vez, reforça a impressão de que não se está diante de uma anomalia isolada, mas de um método. Autoria administração de Cassado em 2016, o ex-presidente da Câmara aparece em mensagens discutindo substituição de municípios beneficiados, emendas e disputa pelo crédito eleitoral em cidades mineiras.
Se confirmados os fatos investigados, o País terá assistido a uma perversão inédita da representação ação governamental. O eleitor escolheu deputados para determinadas competências constitucionais. Quem as exerceu, porém, foram dirigentes partidários e ex-políticos escondidos atrás de assinaturas alheias. Nesse contexto, não se trata apenas de um problema de transparência nem de mais um escândalo envolvendo emendas parlamentares. Trata-se da substituição silenciosa do representante pelo verdadeiro detentor do poder.
A democracia admite influência política, negociação e liderança partidária.
Reações e Consequências
O que ela não admite é um mandato exercido por procuração.
Fonte: Estadão
14/07/2026 10:49












