'A IA não está nem aí para ela nem para nós’, diz Suzana Herculano-Houzel
Neurocientista alerta para os impactos cognitivos do uso excessivo de redes sociais.
Crédito: edição: Larissa Kinoshita Gerando resumo A neurocientista Suzana Herculano-Houzel subiu ao palco do São Paulo Innovation Week (SPIW) nesta quinta-feira, 14, para refletir sobre como usamos – ou desperdiçamos – a nossa própria inteligência em um contexto de excesso de informação e decisões cada vez mais terceirizadas para a IA.
No painel Pensar melhor para viver melhor, uma das cientistas brasileiras mais reconhecidas no mundo transformou conceitos complexos da neurociência em provocações sobre educação, tecnologia e comportamento.
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Suzana defendeu que ninguém nasce “pronto” intelectualmente ao mencionar a diferença entre capacidade e habilidade.
“Habilidade exige tempo, exposição, repetição, experiência.
Exige oportunidade.”
A escola, segundo ela, deveria ser entendida como esse espaço de oportunidades sistematizadas para transformar informação em conhecimento.
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Como aprender a agir com inteligência?
No segundo momento do painel, a neurocientista se posicionou de forma veemente contra a passividade produzida pela automação contemporânea.
“Aprende-se a usar a inteligência com inteligência quando existem oportunidades para descobrir valores individuais, aplicar informações para abrir portas, pensar adiante e experimentar novas formas de agir.” Leia também ‘Você não frita os neurônios nas telas, mas pode estar jogando sua vida pela janela’ Segundo dia do São Paulo Innovation Week traz neurociência, limites da IA e potência humana Na visão da neurocientista, o risco do presente é usar a tecnologia justamente para eliminar as oportunidades que nos tornam mais inteligentes.
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“O uso mais inteligente da nossa inteligência é não sabotar nossas habilidades pela terceirização e automação que nos roubam oportunidades.” ‘O que importa é o número de neurônios’ De acordo com Suzana, inteligência não é uma questão de tamanho do cérebro.
“O que importa é o número de neurônios”, diz a cientista, responsável pela descoberta de que o cérebro humano tem cerca de 86 bilhões de neurônios, número hoje incorporado à literatura científica mundial.
Os humanos têm, em média, 16 bilhões de neurônios corticais, o dobro dos gorilas, afirma a pesquisadora.
Já os corvos, frequentemente associados à capacidade de resolver problemas complexos, possuem entre 2 bilhões e 3 bilhões de neurônios, quantidade comparável à estimada para um Tiranossauro rex.
Além da anatomia cerebral, Suzana também abordou a própria experiência de cognição.
O córtex, explicou, não controla diretamente o corpo, mas recebe cópias das informações que vêm dele e as recombina.
É esse processo que torna o comportamento humano flexível.
“Não fazemos a mesma coisa duas vezes exatamente igual.”
Foi a partir dessa ideia que ela apresentou sua definição de inteligência.
“Inteligência é flexibilidade comportamental.” Ser inteligente significaria conseguir agir de maneiras diferentes diante de novos cenários, sem ficar preso a respostas automáticas.
Ao longo da apresentação, Suzana desmontou também a ideia tradicional de que a evolução humana teria sido uma corrida em direção a cérebros maiores.
Para ela, a história da espécie humana passa menos por “superioridade natural” e mais por oportunidade energética e tecnológica.
SPIW
O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é realizado pelo Estadão em parceria com a Base Eventos, no Pacaembu e na Faap, entre esta quarta-feira, 13, e sexta, 15.
Entre os mais de 2 mil palestrantes convidados para os três dias do evento, estão especialistas brasileiros e estrangeiros em áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia, entre muitas outras.
Fonte: Estadão
14/05/2026 16:00











