O maior adversário da derrubada do veto do presidente Lula ao PL da Dosimetria, feito sob encomenda para favorecer Jair Bolsonaro, não é político, eleitoral ou ideológico, é simplesmente o calendário: quórum no Congresso numa quinta-feira, véspera do feriado de 1º de Maio?
A questão é explosiva e a tendência é contra Lula, a favor de Bolsonaro.
Mas nesta semana?
🔍 Detalhes Importantes
A sessão para analisar o veto total de Lula ao PL da Dosimetria será conjunta, do Senado e da Câmara, e o quórum para a derrubada é de metade mais um das duas Casas.
Ou seja, é preciso que 257 dos 513 deputados e 41 dos 81 senadores fiquem em Brasília, atrasem viagens, praias e passeios para votar na véspera do feriado.
Também tensa, a votação de Jorge Messias para o STF foi marcada para esta quarta-feira, 30, mas é só na CCJ e no plenário do Senado, exige muito menos políticos em Brasília e Messias aplainou o terreno no STF e no próprio Senado.
💥 Impacto e Consequências
A previsão é que seja aprovado, cinco meses depois de anunciado, mas não dá para apostar; se ele passar, será com placar apertado.
O maior obstáculo é Davi Alcolumbre.
O PL da Dosimetria, aprovado pelo Congresso e vetado por Lula, altera o Código Penal e a Lei de Execução Penal, com efeito retroativo, para impedir, ou limitar, a soma de penas para crimes similares, especialmente contra o Estado Democrático de Direito.
🌍 Contexto e Relevância
Um efeito seria a redução das penas, com troca do regime fechado para semiaberto ou aberto.
O alvo formal são os condenados pela invasão de Planalto, Supremo, Câmara e Senado no 8/1, mas o objetivo real é melhorar a vida do ex-presidente Bolsonaro, que foi condenado por tentativa de golpe, a 27 anos e 3 meses de prisão, e isso pode cair para 13 anos, apressando o fim efetivo do regime fechado.
Hoje, ele está em prisão domiciliar, por saúde debilitada.
Lula vetou integralmente o projeto e as relações entre Executivo e Legislativo, já nada bem, seguiram a regra, nua e crua, de que “tudo que está ruim sempre pode piorar”.
Uma regra que continua bastante válida no caso, ao menos, até a eleição.
Bolsonaro tem uma base sólida no Congresso e Lula vive às turras com a Câmara de Hugo Motta e numa gangorra com o Senado de Alcolumbre.
A bola está de novo com o Congresso, que vai manter o veto de Lula ou derrubá-lo, para reavivar seu projeto original.
No meio disso, Suas Excelências, o cidadão e a cidadã – neste ano, particularmente, chamados de eleitores – se colocam majoritariamente, segundo as pesquisas, contra a redução de penas para golpistas.
A oposição será mais leal ao ex-presidente ou à maioria da sociedade?
Fonte: estadao
28/04/2026 14:05











