Após Desenrola: Brasil tem 82,8 milhões de endividados; veja como limpar nome Segundo levantamento da Serasa, 47% das dívidas dos brasileiros estão concentradas no setor financeiro: 27,3% em bancos/cartão de crédito atualizado Compartilhar notícia O Brasil tem 82,8 milhões de endividados.
O número das pessoas que não conseguem pagar as dívidas em dia no país foi divulgado pela Serasa nesta terça-feira (5/5), um dia após o governo federal lançar programa para reduzir esse contingente: o Desenrola 2.0.
O número representa aumento de 1,35% em relação ao levantamento anterior, de fevereiro deste ano, quando havia 81,7 milhões de pessoas que não conseguiam pagar as dívidas em dia.
O total de 82,8 milhões de endividados representa 49% da população adulta.
Além do aumento do contingente de pessoas endividadas, houve crescimento no valor da dívida média total por pessoa.
Em relação a fevereiro, a alta foi de 1,98%, o que fez o valor chegar a R$ 6.728,51.
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Cada pessoa tem, em média, conforme a Serasa, quatro dívidas.
Cada uma delas tem valor médio de R$ 1.647,64.
Ao todo, existem 338,2 mil dívidas – que somam R$ 557 bilhões em valores.
Esse número cresceu 3,35% em relação ao levantamento de fevereiro deste ano.
📊 Informação Complementar
A pesquisa da Serasa ouviu ao todo 1.904 pessoas que têm dívidas não pagas em todo o país, em abril deste ano.
A sondagem mostrou que 38% dos entrevistados apontam o desemprego ou a perda de renda como o principal fator para a inadimplência.
No entanto, os fatores gastos de emergência (16%), descontrole/desorganização financeira (13%), apoio financeiro a familiares ou amigos (10%) e atraso no pagamento de contas básicas (7%) representam parcela maior, ou seja, 46%.
Diretora da Serasa, Aline Maciel chama a atenção para o fato de o endividamento elevado e a inadimplência recorde ocorrerem mesmo diante de um momento bom para a geração de emprego.
“Mesmo com os índices de desemprego bons, a gente tem ele como um opressor [da inadimplência], vemos que ainda tem espaço para piorar essa percepção.
É algo para a gente ficar em alerta”, pontua Maciel.
A taxa de desocupação ficou em 6,1% nos três primeiros meses do ano, conforme dados divulgados na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, na última quinta-feira (30/4), pelo Instituto Nacional de Geografia e Estatística (IBGE).
Conforme o levantamento, 47% das dívidas dos brasileiros estão concentradas no setor financeiro: – 27,3% bancos/cartão de crédito; – 21% utilidades (contas básicas, como água, luz e gás); – 20,2% financeiras; – 11,5 serviços.
Desenrola: como limpar o nome
O governo federal lançou, na segunda-feira (4/5), o programa Novo Desenrola Brasil, que visa reduzir o endividamento recorde da população.
Segundo a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o débito renegociado terá descontos de 30% a 90% para pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
A iniciativa, que terá duração de 90 dias, vai conceder descontos de até 90% em dívidas e provocar o refinanciamento com juros mais baixos, limitados a 1,99% ao mês.
O programa atua em linhas diferentes: – Desenrola Famílias: renegociação de dívidas atrasadas, uso do Fundo de Garantia por Tempo de Serviços (FGTS), consignado Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e consignado público; – Desenrola Fies; – Desenrola Empresas: Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Pronampe) e Programa Acredita (ProCred); e – Desenrola Rural.
No caso do desenrola famílias, são elegíveis as dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, nas modalidades de cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Podem participar as pessoas com renda de até cinco salários mínimos (R$ 8.105).
A dívida renegociada terá:
– descontos entre 30 a 90%.
– taxa de juro máxima de 1,99% ao mês.
– até 48 meses de prazo; – prazo de até 35 dias para pagamento da primeira parcela; – limite da nova dívida (após descontos) até R$ 15 mil por pessoa, por instituição financeira; e – garantia do Fundo de Garantia de Operações (FGO).
O Desenrola 2.0 estabeleceu que dívidas de até R$ 100 serão perdoadas pelos bancos e 1% do que for renegociado deverá ser destinado à educação financeira.
As normas valem para dívidas contratadas até 31 de janeiro de 2026 e que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, com cartão de crédito, cheque especial e crédito pessoal (CDC).
Segundo o governo, os usuários do novo Desenrola também ficarão bloqueados em plataformas de apostas on-line, as chamadas de bets, por um ano.
“A pessoa vai estar automaticamente fora dos jogos on-line (bets) por um ano.
A gente precisa melhorar a qualidade do crédito que essa pessoa toma.
A pessoa que está endividada e precisa de ajuda do governo não pode jogar nas apostas on-line”, disse o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
Quem pode participar?
– Público-alvo: brasileiros com renda até 5 salários mínimos (R$ 8.105).
– Dívidas elegíveis: o programa permite renegociar dívidas (cartão de crédito, cheque especial e empréstimos) que estejam atrasadas entre 90 dias e 2 anos, feitas até janeiro de 2026.
– Forma de acesso: canais oficiais dos bancos.
O que quer o endividado
Do total, 71% dos entrevistados na pesquisa Serasa afirmaram que já tentaram negociar as dívidas bancárias.
Na pesquisa divulgada nesta terça, 45% dos entrevistados responderam, em múltipla escolha, que se sentiriam mais confiante se houvesse: – acordo com desconto (69%); – redução nos juros (64%); – parcelamento acessível (58%); e – aumento da renda (36%).
A diretora vê com bons olhos o novo programa do governo federal para redução no endividamento e na inadimplência.
No entanto, ressalva que outras medidas são necessárias, bem como a educação financeira e a redução nas taxas de juros no país.
“O programa sozinho não vai fazer milagre.
A gente viu o programa passado, ele acaba suavizando a inadimplência, mas sabemos que, se outras ações não forem tomadas, a gente não vai ter a inversão na curva da dívida, porque a gente tem um estoque altíssimo de dívidas”, afirma Maciel.
No aplicativo
A Serasa afirma que parte das instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN) tem convênio com a instituição.
Este grupo mantém ofertas de renegociação, inclusive nos termos do Novo Desenrola Brasil, que podem ser acessadas diretamente no aplicativo da Serasa.
Conforme a instituição, a plataforma privada concentra 7,7 milhões de ofertas no âmbito do Novo Desenrola Brasil e 691 milhões ao todo, contemplando 2 mil empresas parceiras.
Fonte: Metrópoles
05/05/2026 12:11











