Os problemas que o Brasil enfrenta não são novidade para ninguém.
Há, na verdade, até um excesso de diagnósticos.
O que falta são soluções viáveis para esses problemas.
E não há um momento melhor que o período de eleição presidencial para discuti-los e apontar caminhos que coloquem o País no rumo do crescimento sustentável.
É isso que o Estadão pretende com o projeto Brasil Adiante, que vai reunir, até agosto, especialistas e lideranças da sociedade civil que vão discutir e apontar propostas práticas para os principais problemas do País.
O primeiro encontro é nesta quarta-feira, 27.
A curadoria do projeto é do executivo Fábio Barbosa, que elaborou três eixos de trabalho para os encontros, contemplando temas como saúde, educação, segurança pública, instituições, entre outros.
🔍 Detalhes Importantes
Na abertura do evento, Barbosa defendeu que o avanço do País depende de mudanças de comportamento da própria sociedade e afirmou que o Brasil “não acontece por acaso”.
“O Brasil vai ser aquilo que dele nós fizermos com nossas ações e omissões”, disse.
No encontro desta quarta-feira, serão dois painéis:
Painel 1: O Estado brasileiro cabe no Brasil que queremos construir?
Painelistas: Marcos Mendes, economista do Centro de Diálogo de Políticas Públicas; Jéssika Moreira, CEO do Movimento Pessoas à Frente; e Pedro Parente, economista, empresário, ex-ministro da Casa Civil, do Planejamento e de Minas e Energia e ex-presidente da Petrobras.
Mediação de Álvaro Gribel, colunista do Estadão.
Painel 2: Judiciário: reformar para recuperar a confiança da população.
Painelistas: Carlos Ari Sundfeld, especialista em Direito Administrativo e presidente da Sociedade Brasileira de Direito Público (SBDP); Oscar Vilhena Vieira, especialista em Direito Constitucional, ex-Procurador do Estado de SP e professor fundador da FGV Direito SP; e Magno Karl, líder do Movimento Livres e membro da Coalizão Ninguém Acima da Lei.
Mediação de Carolina Brígido, colunista do Estadão.
Acompanhe ao vivo Magno Karl critica confusão entre independência do Judiciário e ‘corporativo instransponível’ “A perda de legitimidade acaba erodindo um dos pilares fundamentais da democracia”, afirmou Magno Karl.
Segundo o cientista político, para que as reformas que serão propostas prosperem, o Judiciário deve estar aberto a acatar medidas que possam aprimorar seu funcionamento.
“Há uma confusão, não sei se deliberada ou acidental, entre a independência do Judiciário e o corporativismo intransponível.” Baixa eficiência e interferência na gestão pública desgastam imagem do Judiciário, diz Sundfeld Carlos Ari Sundfeld afirmou que a percepção negativa da população sobre o Judiciário tem relação com problemas estruturais do sistema.
Na avaliação dele, a Justiça brasileira é marcada por lentidão, alto custo e decisões consideradas aleatórias.
Sundfeld também criticou o impacto de decisões judiciais sobre a administração pública e afirmou que o sistema de Justiça passou a atuar como um fator de “desarranjo” da gestão estatal.
Para o especialista, o cenário exige reformas tanto no Judiciário quanto na estrutura administrativa do País.
Carlos Ari Sundfeld alerta para uso ‘predador’ do sistema de Justiça por diferentes atores O jurista Carlos Ari Sundfeld afirmou que instrumentos criados para garantir acesso à Justiça podem ser usados de forma distorcida por diferentes atores do sistema jurídico.
Ao comentar a atuação de advogados, Sundfeld disse que parte da sociedade enxerga a categoria como responsável por corrigir decisões judiciais inadequadas, mas ponderou que esse papel também pode gerar abusos.
“Precisamos olhar o quanto esse potencial instrumento para obtenção de Justiça pode se transformar num instrumento de retirada de vantagens da sociedade”, declarou.
Judiciário passa por crise de confiança global, diz Oscar Vilhena O jurista Oscar Vilhena aponta que há uma crise de confiança global no Poder Judiciário, acentuada pela polarização política ao redor do mundo.
Na avaliação do professor, diante da importância da Justiça para o desenvolvimento social, o cenário é “muito grave”.
Quanto a essas questões, Vilhena propõe como medidas prioritárias a adoção de um código de conduta para juízes do STF, o controle de decisões monocráticas e uma “minirreforma do STJ”.
Segundo painel debate reforma do Judiciário
O segundo painel do dia discute os principais pontos para uma reforma do Poder Judiciário.
Ao abrir o debate, a mediadora Carolina Brígido afirmou que a desconfiança na Justiça converteu-se em insatisfação.
“O Judiciário estava sendo criticado pelas decisões que toma.
Agora, é criticado pela credibilidade”, disse a colunista.
‘Ambos fracassaram’, diz Marcos Mendes sobre teto de gastos e arcabouço fiscal
“O arcabouço fiscal é uma nova versão do teto de gastos, e ambos fracassaram”, disse Marcos Mendes.
📊 Informação Complementar
Segundo o pesquisador, se o próximo governo basear a nova política fiscal em uma reforma do arcabouço, será “uma perda de tempo”.
“Perdemos a oportunidade de fazer ajuste fiscal gradual.
Próximo governo deve discutir reformas de verdade”, afirmou Mendes.
Pedro Parente aponta distorções em carreiras do serviço público e debate sobre teto salarial Pedro Parente afirmou que a discussão sobre o funcionalismo público não deve se limitar ao cumprimento do teto constitucional.
Segundo ele, a estrutura das carreiras no setor público cria distorções salariais e incentiva movimentos de equiparação entre categorias.
Parente também avaliou que os salários iniciais do serviço público são, em muitos casos, superiores aos pagos pela iniciativa privada.
Em tom bem-humorado, relembrou um episódio em que sindicatos pediram que o quinquênio passasse a ser contado a cada três anos.
“Vimos que ali tínhamos um problema de matemática”, brincou.
Jéssika Moreira propõe unificação das verbas indenizatórias
Segundo Jéssika Moreira, a unificação da classificação das verbas consideradas remuneratórias ou indenizatórias pode coibir o “efeito cascata” de proliferação dos “penduricalhos”.
Porém, para Jéssika Moreira, há um lobby “muito forte” das carreiras do funcionalismo contra as reformas necessárias.
Marcos Mendes critica divisão de royalties de petróleo
“É um absurdo dizer que existe estado e município produtor de petróleo.
Criaram fronteiras camaradas”, afirma Marcos Mendes sobre a divisão dos royalties de petróleo no País.
O pesquisador relembra que a maior parte da produção de petróleo no Brasil é realizada na costa continental, a quilômetros de distância dos entes federativos que recebem pela exploração do produto.
“Nossa geração está consumindo tudo, não está deixando nada para as gerações futuras”, criticou o pesquisador.
Segundo Mendes, os royalties poderiam ser utilizados para financiar a transição do sistema da Previdência Social.
Pedro Parente defende uso de royalties do petróleo com foco nas futuras gerações
A discussão sobre royalties do petróleo não deve se limitar à distribuição dos recursos entre Estados e municípios, para Pedro Parente.
Segundo ele, o País precisa criar mecanismos para garantir que essa riqueza também beneficie as próximas gerações.
“Não basta olhar a distribuição, temos que olhar como assegurar que esses recursos possam também ser utilizados pelas gerações futuras”, declarou.
“Nossa geração esta consumindo tudo, não está deixando nada para as gerações futuras".
Fonte: Estadão
27/05/2026 10:32











