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Como as duas maiores guerras da atualidade estão cada vez mais interligadas

27 de maio de 2026
in EDUCAÇÃO, Internacional, TECNOLOGIA
Home EDUCAÇÃO
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Em 2022, conflitos na Ucrânia e no Irã destacaram a evolução da guerra moderna.

A Rússia e os EUA enfrentaram resistência inesperada, com táticas assimétricas e tecnologia avançada, como drones e IA, remodelando o campo de batalha.

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Negociações de paz entre EUA e Irã avançam, mas ataques continuam.

A guerra no Irã testa alianças e afeta a economia global, enquanto a Ucrânia busca apoio no Oriente Médio.

Especialistas destacam a democratização da precisão em massa e a importância estratégica do Estreito de Ormuz.

A guerra de trincheiras e a artilharia pesada nos campos de batalha da Ucrânia em 2022 não se assemelham muito à guerra aérea e marítima que teve início quando os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã.

Mas as semelhanças entre os dois conflitos logo se tornaram evidentes e permanecem assim quase três meses depois.

🌍 Contexto e Relevância

Em ambos, o país com as forças armadas mais poderosas não conseguiu derrotar seu adversário.

O presidente Vladimir V.

Putin, da Rússia, esperava uma vitória rápida quando lançou sua “operação militar especial”, há mais de quatro anos.

O presidente Trump inicialmente prometeu que a “pequena incursão” contra o Irã, que começou em 28 de fevereiro, duraria de quatro a cinco semanas.

“Tanto para a Rússia quanto para os Estados Unidos, há muitas expectativas não atendidas em relação às suas operações militares”, disse Nicole Grajewski, especialista em Irã e Rússia e professora da Sciences Po, a universidade de elite em ciências sociais em Paris, atribuindo isso à “arrogância de ambos os lados”.

Nos últimos dias, as negociações produziram avanços em direção a um plano inicial de paz entre o Irã e os Estados Unidos, embora com muita incerteza, dada a retomada dos ataques americanos contra o Irã na segunda-feira, 25.

Independentemente de se chegar ou não a um acordo, a guerra terá proporcionado lições, juntamente com o conflito na Ucrânia, sobre a evolução da guerra moderna.

A tecnologia remodelando a guerra
Táticas assimétricas ajudaram tanto a Ucrânia quanto o Irã a conter forças mais poderosas com as quais não poderiam competir em um confronto militar convencional.

O Irã, por exemplo, atingiu os Estados Unidos atacando seus aliados.

Instilou medo nos países do Golfo Pérsico ao enviar drones de ataque sem retorno para atingir bases militares e instalações de energia em países como o Kuwait e a Arábia Saudita.

Também utilizou a ameaça de minas e pequenas lanchas armadas para manter o controle do Estreito de Ormuz.

A Ucrânia assassinou oficiais militares russos em Moscou e atacou regularmente instalações petrolíferas, a força vital da economia russa.

Também utilizou drones marítimos para neutralizar a marinha russa no Mar Negro, muito maior.

Talvez o mais marcante, segundo especialistas, seja que os dois conflitos demonstram como a inovação e a tecnologia estão remodelando a guerra.

Os Estados Unidos recorreram a sistemas de detecção de drones equipados com inteligência artificial para proteger a Base Aérea Príncipe Sultan, na Arábia Saudita, segundo uma pessoa a par do acordo.

Esses sistemas foram desenvolvidos pela Ucrânia para se defender da Rússia.

No Líbano, milícia radical xiita e pró-iraniana Hezbollah está atacando tropas israelenses com drones explosivos controlados por cabos de fibra óptica, como os comumente usados na guerra na Ucrânia.

Sistemas em camadas de sensores, mísseis guiados e drones — e, em muitos casos, tecnologia habilitada por IA — que foram aperfeiçoados na Ucrânia e implantados no Golfo, “provavelmente se proliferarão rapidamente pelo mundo”, disse Michael Kofman, especialista militar e pesquisador sênior do Programa Rússia e Eurásia da Fundação Carnegie para a Paz Internacional.

Em ambas as guerras, “vemos o advento da precisão em massa no campo de batalha”, disse Kofman.

Segundo ele, o Hezbollah e combatentes no Mali já recorreram a tecnologias igualmente baratas e fáceis de construir, mostrando que tais sistemas “democratizarão o acesso à precisão em massa no campo de batalha para potências médias e pequenas”.

Veja mais Irã afirma ter derrubado drone militar dos EUA na região do Golfo Netanyahu afirma que Israel planeja intensificar ataques contra o Hezbollah no Líbano Irã: países do Golfo Pérsico ‘não servirão mais de escudo para bases americanas’, diz líder supremo Estratégias de ataque semelhantes Os combates no Oriente Médio antes da entrada em vigor do cessar-fogo no início de abril caracterizaram-se pelo tipo de enxames de drones combinados com ataques de mísseis balísticos que, segundo autoridades e especialistas, estrearam na invasão russa da Ucrânia.

O Irã entregou drones de ataque Shahed de uso único à Rússia em 2022, que Moscou usou para atacar a Ucrânia.

Esse mesmo modelo foi lançado contra países do Golfo pelo Irã este ano, enquanto a Rússia retribui o favor com algum apoio militar ao Irã.

A extensão desse apoio permanece incerta, mas, de acordo com autoridades americanas, inclui o envio de peças de drones através do Mar Cáspio.

Grajewski observou “alguma cooperação” entre a Rússia e o Irã na manipulação de sistemas globais de localização para confundir a orientação de alvos da oposição.

Alguns navios ligados ao Irã parecem ter recentemente falsificado rastreadores de localização no Estreito de Ormuz — espelhando uma tática há muito aperfeiçoada pela frota-sombra ilícita de petroleiros da Rússia — para evitar a detecção pela Marinha dos EUA.

Equipamentos russos anti-interferência foram encontrados em um drone iraniano que tinha como alvo uma base britânica em Chipre em março.

Autoridades e especialistas europeus temem que Moscou forneça armas caso as negociações de paz, atualmente paralisadas, fracassem e o Irã retomasse os ataques na região.

“Vimos evidências de que a Rússia está ajudando o Irã em seus ataques”, disse o ministro da Defesa britânico, John Healey, em abril, em uma reunião de aliados que estão enviando apoio militar à Ucrânia.

Ele não descreveu essas evidências, mas acrescentou: “Putin queria que ficássemos distraídos com o conflito no Oriente Médio”.

Relações diplomáticas
A guerra no Irã colocou à prova algumas alianças, principalmente entre o governo Trump e a Europa, onde muitos líderes acreditam que o conflito é desnecessário e ilegal.

Isso também desencadeou uma corrida mundial por suprimentos de energia, com alguns países recorrendo à Rússia em busca de petróleo e gás ilícitos, mas disponíveis.

E atrasou o processo de paz entre a Rússia e a Ucrânia ao desviar a atenção dos Estados Unidos para o Oriente Médio.

“Acredito que estavam bebendo champanhe no Kremlin quando o presidente Trump iniciou a guerra no Irã”, disse Danylo Lubkivsky, diretor do Fórum de Segurança de Kiev e ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia.

Mas a guerra no Irã também gerou algumas alianças surpreendentes, mais evidentes nas novas parcerias que a Ucrânia estabeleceu com os Estados do Golfo.

Em abril, a Ucrânia anunciou novos acordos de segurança com o Catar, a Arábia Saudita e os Emirados Árabes Unidos.

📊 Informação Complementar

Esse tipo de laço teria sido improvável há alguns anos, quando alguns desses países do Golfo buscavam manter relações neutras com a Rússia.

Kiev quer trocar sua tecnologia de drones e assistência em treinamento em troca de apoio diplomático do Oriente Médio, acordos de energia e sistemas avançados de defesa aérea, disse Jana Kobzova, codiretora do Programa de Segurança Europeia do Conselho Europeu de Relações Exteriores.

O presidente Volodmir Zelensky espera “transformar essa crise em uma oportunidade”, disse ela.

No mínimo, disse Kobzova, acordos com países ricos em petróleo que incluam a venda de tecnologia de drones a eles podem se revelar lucrativos para a florescente indústria de defesa da Ucrânia.

A Europa tem sido uma tábua de salvação para a Ucrânia desde que os Estados Unidos praticamente pararam de doar armas e equipamentos a Kiev no ano passado.

Seus países compraram armas dos Estados Unidos para enviar à Ucrânia e, no mês passado, a União Europeia liberou um empréstimo de 90 bilhões de euros, cerca de US$ 106 bilhões, para ajudar Kiev a suportar a guerra em curso.

Mas a capacidade da Europa de continuar a fornecer apoio robusto pode depender de se a escassez de combustível e bens causada pela guerra com o Irã prejudicará as economias europeias, uma situação que se agravaria se a paz não fosse alcançada.

Riccardo Alcaro, especialista do Instituto de Assuntos Internacionais de Roma, disse que o impasse contínuo sobre o Estreito de Ormuz, uma rota marítima crucial para 20% do abastecimento energético global, ilustra como o Irã pode representar uma ameaça tão significativa para a Europa quanto a que está à sua porta, na Ucrânia.

“A guerra na Ucrânia ainda é a principal frente da Europa”, disse Alcaro, cuja pesquisa se concentra na Europa e no Irã.

“Mas a guerra no Irã não é uma frente secundária, no sentido de que está realmente, realmente, realmente afetando a capacidade da Europa de contribuir para sua prioridade principal — que é a Ucrânia.”


Fonte: Estadão

27/05/2026 06:05

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