“No fundo é uma peça sobre o amor e a capacidade que nós temos de empatia pelo outro, de seremos capazes ou não de perdoar e de nos reconstruirmos no meio do horror e da guerra”, disse à Lusa o encenador da peça, Álvaro Teixeira.
A ação de "Todos pássaros" acompanha a história do jovem cientista alemão de origem judaica Eitan, e da paixão que sente por Wahida, uma estudante árabe de origem marroquina.
Os jovens conhecem-se numa biblioteca de Nova Iorque, onde se apaixonam, mas o amor que sentem esbarra com entraves quando Eitan entra em conflito com o pai, defensor incontornável da identidade e da herança familiar.
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A narrativa da peça acaba por subir de tom quando Eitan, na busca que enceta pela verdade da sua identidade, é vítima de um ataque terrorista que acaba por provocar uma crise familiar e faz vir à tona segredos e divisões diretamente relacionadas com o conflito israelo-palestiniano.
A complexidade de pertencer a um povo e a um lugar, no contexto do conflito do Médio Oriente, as histórias e dores dos antepassados e a forma como influenciam as escolhas e as relações das novas gerações e o amor e a reconciliação, através da relação entre Eitan e Wahida, que acaba por servir como um espelho para uma possível união face à divisão, são temas que perpassam toda a peça, composta por várias camadas do princípio ao fim.
Álvaro Teixeira, que já conhecia e tinha vontade de erguer esta obra, acabou por fazê-lo no Teatro S.
📊 Fatos e Dados
Luiz, depois de convidado pelo diretor artístico deste teatro municipal, Miguel Loureiro, para aí montar um espetáculo.
A escolha recaiu sobre o texto do autor e encenador franco-libanês ainda antes do agravamento do conflito israelo-palestiniano na sequência do ataque do Hamas de 07 de outubro de 2023, disse o encenador.
O texto acabou, assim, por ganhar "outra atualidade", já que se trata de um conflito que nunca deixou de o ser nem de existir, notou o encenador.
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“As coisas continuam na mesma só que agora desviam-se para outros sítios, e vivemos um bocadinho isso, infelizmente”, acrescentou Álvaro Teixeira, sublinhando o facto de apenas parecer que o conflito em Gaza e na Cisjordânia “já está resolvido”.
E não está "de todo, continua tudo igual", frisou Álvaro Teixeira.
"Dificilmente estará resolvido", sustentou, manifestando-se convicto de que "dificilmente se irá ver a resolução do conflito em vida".
"Trata-se de uma aniquilação a que neste momento estamos a assistir, sim.
Mas é algo que já vem de há muito tempo.
Infelizmente a situação mexe com muita coisa; é muito complicado", observou.
Sobre a peça, o encenador considera que o herdeiro de tudo o que se passa acaba por ser Eitan, “que é verdadeiramente o ‘peixe anfíbio’, pois tem as duas coisas: é judeu, porque nasce de mãe judia, e é árabe, porque o pai é árabe”.
Um dos pontos fulcrais da peça, para Álvaro Teixeira, reside nas falas de Eitan no final da peça que, várias vezes, afirma: "Não serei consolado".
Uma frase que, segundo o encenador, transmite uma potência de alguém que não se vai deixar ficar "só num lamento ou na gravidade da situação".
Eitan assume que, como reúne ambas as religiões e identidades, "equanto puder", não se sentirá "confortável" com o horror que se vive no Médio Oriente.
📊 Informação Complementar
"E não será consolado nem quer que o consolem", concluiu o encenador.
A interpretar a peça estão Cucha Carvalheiro, David Esteves, Fernando Luís, Madalena Almeida, Manuela Couto, Virgílio Castelo e os alunos finalistas da Escola Superior de Teatro e Cinema Duarte Romão e Laura Garnel.
Com tradução de João Paulo Esteves da Silva, "Todos pássaros" tem espaço cénico de André Guedes, figurinos de Neusa Trovoada, música e espaço sonoro de Vitória e desenho de luz de Manuel Abrantes.
Coproduzida pela Culturproject, pelo Teatro Municipal Joaquim Benite e pelo São Luiz Teatro Municipal, onde estará em cena na sala Luis Miguel Cintra até dia 29, “Todos pássaros” tem récitas de quarta-feira a sábado, às 20:00, e, ao domingo, às 17:30.
A sessão de dia 22 conta com interpretação em Língua Gestual Portuguesa e as sessões de dias 27 e 29 têm audiodescrição.
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Fonte: noticiasaominuto
12/03/2026 14:19











