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The Economist: Países ricos deveriam ter cuidado com a ‘Brasilização’

15 de fevereiro de 2026
in BAHIA, Brasil
Home BAHIA
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Se Lula for reeleito, chance de ajuste fiscal é zero; se oposição ganhar, ajuste será insuficiente
Para economista Marcos Mendes, Brasil hoje está mais fragilizado por ter uma dívida pública elevada.

Gerando resumo
A economia mundial oferece muitos exemplos que servem de alerta.

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A inflação na Argentina demonstrou o perigo de tratar um banco central como um caixa eletrônico.

A estagnação da Itália mostra o lado negativo de aderir a uma união monetária com dívidas acumuladas.

O Reino Unido sofreu com o Brexit, que criou barreiras comerciais com seus vizinhos mais próximos.

💥 Impacto e Consequências

Mas o alerta mais oportuno para muitas das grandes economias do mundo vem do Brasil.

Conforme relatamos, o Brasil apresenta um crescimento econômico razoável, um banco central independente e seu orçamento primário — ou seja, excluindo o pagamento de juros — está quase equilibrado.

Sua dívida líquida, equivalente a 66% do PIB, é alta para os padrões de mercados emergentes, mas baixa para os padrões de países desenvolvidos.

O Brasil, no entanto, enfrenta um grande problema: seu governo precisa pagar juros altíssimos para honrar suas dívidas.

O controle da inflação obrigou o Banco Central a fixar as taxas de curto prazo em 15%.

Como resultado — e apesar de estar próximo do equilíbrio primário —, o governo provavelmente precisará tomar emprestado cerca de 8% do PIB por ano para pagar os juros.

É improvável que o déficit seja reduzido por meio de austeridade; o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que busca a reeleição em outubro, afrouxou as restrições orçamentárias.

A menos que as taxas de juros caiam drasticamente, a dívida pública aumentará consideravelmente.

A situação fiscal precária do Brasil contrasta fortemente com os orçamentos dos países ricos.

Pode-se pensar que os governos de países mais ricos estejam com as finanças apertadas, mas os Estados Unidos, o Reino Unido, a França e a Itália ainda desfrutam de custos de empréstimo na faixa de um dígito.

Suas dívidas se estabilizariam se conseguissem equilibrar seus orçamentos primários, ou pelo menos se aproximar disso.

Em contrapartida, o Brasil provavelmente precisaria de um superávit primário de cerca de 5% para manter sua dívida estável, caso as taxas de juros não caiam.

Os formuladores de políticas ocidentais devem considerar por que as taxas de juros são tão altas no Brasil.

A resposta reside em uma combinação de fatores.

As instituições brasileiras, apesar de gozarem de proteções formais como a independência do banco central e a separação de poderes, são instáveis — e oscilaram durante a tentativa de golpe do presidente Jair Bolsonaro em 2022.

A inflação é mais propensa a oscilações, mesmo após três décadas de um sistema bancário central tecnocrático, em parte devido a um legado de hiperinflação nas décadas de 1980 e início de 1990 e a uma crise econômica em meados da década de 2010.

Leia outras edições da The Economist
Por fim, a trajetória de longo prazo do orçamento é alarmante.

O governo brasileiro gasta 10% do PIB com Previdência Social.

Sem reformas, em 2050 gastará mais com previdência do que países mais ricos e com uma população mais idosa.

No entanto, a previdência é protegida pela Constituição, que, por exemplo, exige que, quando o salário mínimo aumenta, os aposentados também recebam um aumento.

O controle extraordinário dos aposentados sobre o orçamento dificulta o equilíbrio das contas e também impede o acesso a outros gastos mais importantes.

O diagnóstico deveria preocupar o mundo rico, que apresenta os primeiros sintomas da “Brasilização”.

📊 Informação Complementar

As instituições americanas estão sofrendo.

O presidente Donald Trump politizou o Departamento de Justiça, almeja controlar o Federal Reserve (Fed, o banco central americano) e cogita federalizar as eleições do país.

Após as grandes altas de preços que se seguiram à pandemia, e com a geopolítica ameaçando as cadeias de suprimentos, a inflação representa um risco maior do que nas últimas décadas.

E os gastos com previdência e saúde estão crescendo à medida que a população envelhece.

As aposentadorias podem não ter o mesmo nível de proteção formal que no Brasil, mas os eleitores mais velhos gostam delas.

Basta observar o “triplo bloqueio” britânico, que garante que as aposentadorias superem o crescimento salarial a longo prazo.

Se isso elevar as taxas de juros, os dilemas orçamentários atuais podem parecer triviais.

Muitos países ricos estão se esforçando para encontrar 1% ou 2% a mais do PIB para gastos com defesa.

Imagine se tivessem de encontrar esse valor duas vezes para pagar os juros da dívida.

Pode parecer extremamente difícil, em um mundo populista, prometer baixa inflação e, ao mesmo tempo, gastar menos com os idosos.

Mas isso não é nada comparado à escolha angustiante que se apresenta ao Brasil: entre austeridade profunda e uma espiral assustadora de dívida e juros.

Este conteúdo foi traduzido com o auxílio de ferramentas de Inteligência Artificial e revisado por nossa equipe editorial.Saiba mais em nossa Política de IA.


Fonte: estadao

15/02/2026 18:51

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