O que esperar de Israel e do Oriente Médio em 2026
Eleições gerais e implementação de plano de paz são os principais desafios.
Crédito: Daniel Gateno e Gabriella Lodi/Estadão
2026 está chegando e este jornal seguirá publicando o que de mais importante acontece no mundo.
No Brasil, por exemplo, os ministros do Supremo Tribunal Federal continuarão governando como quem julga, e julgando como quem governa – legislando por despacho, interpretando a Constituição como um texto em aberto e tratando o Congresso como uma instância decorativa, útil apenas quando confirma decisões já tomadas.
Também continuarão expandindo competências em nome de “excepcionalidades” permanentes, certos de que não há freio institucional, nem custo político relevante.
A certeza de impunidade – construída debaixo da covardia do Senado – seguirá sendo o cimento desse arranjo.
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Em 2026, a separação de poderes no nosso país persistirá existindo mais como uma fórmula retórica do que como prática efetiva, e o STF seguirá acumulando funções que não lhe foram delegadas – e que ninguém parece disposto a retirar.
Nas eleições mundo afora – dos Estados Unidos ao Brasil – as IAs continuarão sendo usadas para enganar eleitores que clamam para serem enganados.
Deepfakes, vozes falsas e imagens fabricadas seguirão circulando não para converter indecisos, mas para confortar convicções pré-existentes.
A tecnologia não criará a mentira política – apenas a tornará mais barata, mais rápida e mais conveniente para públicos que já escolheram no que acreditar.
Candidatos continuarão denunciando “manipulação algorítmica” quando prejudicados e celebrando “engajamento orgânico” quando beneficiados.
Autoridades prometerão regulação, plataformas falarão em vigilância reforçada e eleitores continuarão compartilhando conteúdos evidentemente falsos, com a persistência de quem exige ser iludido.
A política continuará o seu rumo: abandonando a disputa de projetos para se consolidar como um duelo de identidades.
O que vai acontecer com a Venezuela em 2026?
Trump alega que a campanha de intimidação contra a Venezuela faz parte de uma campanha contra o narcotráfico, mas analistas apontam desejo de mudança de regime.
Crédito: Carolina Marins e Gabriella Lodi/Estadão Em 2026, os eleitores não buscarão ser convencidos, mas reconhecidos; e os eleitos não tentarão resolver problemas, mas performar em frente às câmeras dos seus celulares.
A indignação seguirá sendo o combustível mais barato e mais eficiente de quem procura uma eleição.
Nos Estados Unidos, Donald Trump continuará sendo Donald Trump: intempestivo, confundindo franqueza com grosseria, estratégia com impulso e lealdade com submissão.
O presidente americano permanecerá tratando aliados históricos como um estorvo e instituições como obstáculos à sua própria vontade.
📊 Informação Complementar
Também seguirá entupindo o Salão Oval de objetos banhados a ouro e ampliando a sua fortuna pessoal, provando mais uma vez que, no seu universo eleitoral, escândalo não é custo: é ativo.
Vladimir Putin, seu velho amigo, permanecerá anunciando ameaças nucleares que ninguém acredita, e insinuando que o Ocidente “força” a Rússia a medidas extremas.
Também seguirá prometendo o que não consegue entregar: a queda de Kiev, a submissão da Ucrânia, a vitória histórica que nunca chega.
E muita gente continuará morrendo em nome desse sonho.
A União Europeia seguirá reagindo a Putin com a arma em que se especializou: a nota de repúdio.
Em 2026, Bruxelas produzirá novos comunicados cuidadosamente calibrados, ameaçando “medidas adicionais” que raramente passam da fase verbal, e tratando cada novo gesto de Moscou como se fosse o último antes de uma mudança definitiva de postura.
ONU, OMS e afins continuarão publicando relatórios cada vez mais longos, alarmantes e irrelevantes.
Alertas dramáticos sobre guerras, pandemias, clima e crises humanitárias seguirão sendo lançados com regularidade.
As conclusões serão “preocupantes”, as recomendações “urgentes” e as respostas dos países, quando existirem, cuidadosamente simbólicas.
Em 2026, essas organizações continuarão funcionando menos como instrumentos de coordenação internacional e mais como cartórios de cada desastre: registrando, documentando e alertando.
Também seguirão patrocinando cúpulas vendidas como históricas antes mesmo de acontecer – esquecidas dias depois, sem produzir qualquer mudança relevante.
No ano que se inicia, o mundo não será exatamente surpreendente – mas coerente com os incentivos que já o governam.
Políticos continuarão prometendo o que não podem entregar; instituições continuarão condenando o que não conseguem impedir; e multidões continuarão compartilhando qualquer coisa que confirme as suas crenças.
Saiba mais
Peugeots pegarão fogo em protestos populares na França.
Os chineses organizarão novos exercícios militares a poucos metros de Taiwan.
Um novo escândalo político atingirá a Coreia do Sul.
No Oriente Médio, israelenses e palestinos continuarão se matando.
Na África, novos golpes de Estado serão dados por militares sedentos em permanecer décadas no poder.
Na Oceania, parlamentares cairão na porrada em frente às câmeras.
Na América Latina, presidentes serão eleitos e afastados do cargo – não necessariamente nessa mesma ordem, e às vezes ao mesmo tempo.
2026 promete.
Feliz ano velho.
Fonte: estadao
30/12/2025 14:25











