Na reunião inaugural da entidade – que Trump pretende funcione em paralelo à ONU, mas sob a liderança dos Estados Unidos – participou uma comissária europeia, apesar das críticas do Parlamento Europeu e dos Governos de vários Estados-membros da União Europeia (UE).
"Instamos a presidente da Comissão Europeia a distanciar-se claramente do Conselho de Paz de Donald Trump, a não enviar observadores e a suspender qualquer forma de participação.
A Comissão deve concentrar os seus esforços políticos e diplomáticos num trabalho multilateral genuíno que fortaleça, em vez de fragmentar, as iniciativas internacionais de paz", exigiram.
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Numa carta partilhada nas redes sociais, a líder dos Socialistas e Democratas (S&D, a que pertence o PS português), Iratxe García, a dirigente do grupo parlamentar Renew (que inclui o partido português Iniciativa Liberal), Valérie Hayer, e os copresidentes dos Verdes, Terry Reintke e Bas Eickhout, criticaram a participação da comissária europeia para o Mediterrâneo, Dubravka Suica, no evento, classificando-a como “um grave erro de avaliação de uma perspetiva institucional, jurídica e política”.
"Há um problema político claro: estar presente num evento inaugural envia um forte sinal de apoio, quaisquer que sejam as intenções expressas.
No atual contexto geopolítico, este simbolismo pode ser interpretado como virar costas ao compromisso da UE com o multilateralismo e a diplomacia assente em normas", advertiram.
📊 Fatos e Dados
Para os dirigentes destes grupos políticos, que apoiam o mandato de Ursula von der Leyen na Comissão Europeia, o executivo comunitário deve “estar sujeito a um elevado padrão de disciplina institucional, precisamente porque as suas ações moldam a perceção da União Europeia no seu conjunto”, apesar de a comissária ter participado na reunião sem um mandato dos Governos dos 27.
Os eurodeputados argumentaram que a participação de Dubravka Suica nesta "iniciativa diplomática politicamente controversa" mina também o equilíbrio institucional.
“Dar visibilidade e legitimidade implícita a essa iniciativa enfraquece a autoridade das Nações Unidas, que continua a ser o principal quadro para a mediação, a coordenação humanitária e os processos de paz internacionalmente reconhecidos”, sublinharam.
🌍 Contexto e Relevância
A Comissão Europeia defendeu a presença da sua comissária para o Mediterrâneo, afirmando que serviu para demonstrar o seu apoio à Palestina e evitar “ficar fora da mesa” das negociações, uma vez que a UE é o principal doador de ajuda humanitária ao país.
Sustentou, contudo, que a participação da comissária não equivale à adesão da UE ao Conselho de Paz de Trump.
Países como Espanha, França e Eslovénia criticaram a Comissão Europeia pela sua participação na reunião do Conselho de Paz, devido à incompatibilidade desse organismo com a ONU.
Portugal, através do ministro dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, admitiu na quinta-feira assistir, "sempre como observador", a reuniões do organismo dedicadas ao processo de paz e reconstrução da Faixa de Gaza.
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Fonte: noticiasaominuto
20/02/2026 16:24











