António José Seguro toma posse na próxima segunda-feira, 9 de março.
Apesar de só nessa altura ser oficial, o novo Presidente da República já disse que a sua casa continuará a ser nas Caldas da Rainha, junto da mulher.
Pernoitar no Palácio de Belém só esporadicamente.
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Mas Seguro está longe de ser o único a optar por não se mudar de malas e bagagens para a residência oficial do Chefe de Estado.
Aliás, desde que Portugal entrou na Terceira República apenas o General Ramalho Eanes viveu lá durante os seus dois mandatos.
Tal como Seguro, os últimos quatro Presidentes da República portugueses – Marcelo Rebelo de Sousa, Aníbal Cavaco Silva, Jorge Sampaio e Mário Soares – rejeitaram a hipótese de viver no Palácio.
📌 Pontos Principais
Numa entrevista dada ao arquiteto Pedro Vaz, para uma tese sobre o Palácio, como recordou recentemente a revista Sábado, Manuela Eanes explicou que o marido decidiu que iriam mudar-se para Belém porque “logo a seguir à eleição” tinham “todos os dias pessoas à porta de casa para porem os seus problemas”.
“Quer o Presidente chegasse a casa às 21h ou às 3h da manhã, havia sempre pessoas que lhe queriam falar e exporem os seus problemas”, garantiu, revelando que chegaram mesmo a receber ameaças de rapto do filho mais velho.
Desta forma, decidiram, "por segurança" ir viver para Belém.
💥 Impacto e Consequências
Na altura, a família Eanes encontrou um Palácio "degradado e despersonalizado".
Manuela Eanes e o marido decidiram então, com a ajuda de membros da Casa Civil, dar uma volta à residência oficial, decorando-a com móveis e quadros.
Os jardins foram também de intervenção, principalmente o jardim da Arrábida onde Manuela plantou buganvílias e instalou baloiços, escorregas e um cesto de basquetebol para as crianças brincarem.
“Para nós a transformação do jardim foi muito importante, porque durante os anos que estivemos em Belém quase nunca saímos de férias, sendo aquele o nosso refúgio, onde podíamos ter um ambiente de família”, assegurou na mesma entrevista.
No entanto, o 'inquilino' que sucedeu a Eanes – Mário Soares – preferiu manter-se na sua casa de sempre, localizada no Campo Grande, junto ao jardim da sua infância e ao colégio da família.
O Palácio de Belém ficou assim reservado durante uma década – dois mandatos – para ocasioões mais formais.
Seguiu-se Jorge Sampaio, que era igual.
Quando tomou posse, em 1996, decidiu ficar a viver na sua casa e só usar a residência oficial do Presidente da República para reuniões.
Ambos os Chefes de Estado oriundos do PS só pernoitaram no Palácio de Belém em situações excecionais: Soares uma noite na primeira guerra do Golfo, Sampaio durante a crise de Timor.
Marcelo Rebelo de Sousa, que tomou posse do seu primeiro mandato a 9 de março de 2016, optou por seguir a mesma linha e permanecer na sua casa de há 40 anos, em Cascais.
Só durante a pandemia da Covid-19 é que o (ainda) Presidente da República praticamente viveu no Palácio de Belém.
Apesar de Seguro já ter dito que vai continuar a seguir o mesmo caminho, a atual Presidência já deixou claro que "a residência está em condições de receber o Presidente eleito", embora "um edifício desta idade precise sempre de obras de manutenção".
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Fonte: noticiasaominuto
06/03/2026 10:20











