'Felicidade não é estado permanente de euforia', diz Monja Coen
Estado de bem-estar e felicidade inclui também o mal-estar e a tristeza, afirma a escritora e palestrante.
Sonja Lyubomirsky é uma das principais pesquisadoras sobre a ciência da felicidade há décadas.
E, por todo esse tempo, as pessoas perguntam a ela: qual é o segredo?
Sonja, professora titular de psicologia na Universidade da Califórnia em Riverside, sempre se incomodou com essa pergunta.
O segredo da felicidade?
Que ideia ridícula e reducionista.
📌 Pontos Principais
Quando pressionada, ela me contou que costuma responder algo como: “Conexão e relacionamentos.
Pensamento positivo, que inclui gratidão.
E uma sensação de controle sobre a própria vida.”
Mas, se tivesse mesmo de escolher uma única coisa, ela diz, o segredo da felicidade é “sentir-se amado”.
Essa é a premissa de seu livro mais recente, “How to Feel Loved”, lançado hoje (e sem previsão de lançamento no Brasil), que ela escreveu com Harry Reis, professor de psicologia na Universidade de Rochester, que estuda relacionamentos íntimos.
📊 Informação Complementar
As pesquisas sobre amor e felicidade costumam se concentrar no amor que sentimos pelos outros.
Mas, na verdade, argumentam Sonja e Reis no livro, o que realmente nos faz felizes é o quanto sentimos que o amor retorna para nós.
Pessoas que querem se sentir mais amadas tendem a adotar uma de duas abordagens que nem sempre são eficazes, escrevem os autores: tentam consertar a si mesmas (se eu fosse melhor, mais gentil, mais atraente etc.) ou tentam consertar a outra pessoa (se ao menos meu parceiro finalmente entendesse minha linguagem do amor!).
Mas, se você quer se sentir mais amado, defendem Sonja e Reis, não concentre sua energia em tentar mudar ninguém.
Em vez disso, mude as conversas que você está tendo.
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Ouça melhor para receber mais amor
Para se sentir mais amado pelos outros, você precisa começar fazendo com que eles se sintam amados por você, escrevem os autores.
E tornar-se um ouvinte melhor é uma das maneiras mais poderosas de fazer isso.
Muitos de nós achamos que somos bons ouvintes, comenta Sonja, mas, na verdade, estamos apenas esperando nossa vez de falar.
(Ela admite que isso é algo com que luta.) Por isso, recomenda adotar uma mentalidade de “ouvir para aprender”.
Basicamente, mudar o foco de responder para compreender.
“Todos conhecemos aquela sensação de quando alguém está tão curioso sobre você, como se mal pudesse esperar para que você compartilhasse sua história”, descreve Sonja.
“Os olhos da pessoa brilham.
Ela se inclina na sua direção.”
Esse tipo de escuta genuína e focada é raro, afirma, e muito poderoso.
“Quando alguém se sente profundamente visto, valorizado e compreendido por você, torna-se mais disposto, motivado e até ansioso para fazer o mesmo por você”, escrevem os autores.
Mas tornar-se um ouvinte melhor exige prática.
Algumas orientações simples: não interrompa, recomenda Sonja, e não ofereça conselhos, a menos que a pessoa com quem você está falando peça.
E faça perguntas de aprofundamento.
Harry costuma recorrer a três palavras que, segundo ele, raramente falham: “Conte-me mais”.
Foque em um relacionamento de cada vez Em vez de tentar mudar a forma como você se relaciona com todas as pessoas da sua vida, Sonja recomenda escolher uma pessoa de quem você gostaria de sentir mais amor e começar por aí.
Pode ser alguém de quem você já é próximo, como um parceiro ou um dos pais, cita ela.
Ou pode ser um colega que você gostaria de conhecer melhor.
Relacionamentos românticos não são o único lugar onde se pode sentir-se amado, nem esse sentimento está restrito a apenas alguns vínculos próximos, argumentam os autores.
Depois de identificar essa pessoa, faça um plano para se desafiar: na próxima semana, tenha três conversas com ela nas quais você se esforce para demonstrar curiosidade genuína, recomenda Sonja.
Os autores acreditam que dar e receber amor funcionam juntos como uma gangorra: você eleva a outra pessoa com o peso da sua curiosidade e atenção — e ela faz o mesmo em troca.
“O outro lado também é muito importante”, aponta Reis.
“Compartilhar o que é importante para você, dividir o que está te preocupando, para que realmente se torne uma via de mão dupla.” A reciprocidade não é garantida, acrescenta ele, mas é uma norma social poderosa.
Temos a tendência de responder com cuidado e gentileza àqueles que demonstram essas atitudes conosco.
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Saiba quando jogar a toalha
Claro, às vezes você pode fazer o seu melhor para ouvir e se abrir, e a outra pessoa não oferecer absolutamente nada em troca.
Se esse for o caso — ou se você estiver achando difícil reunir curiosidade genuína — esses podem ser sinais de que esse não é o relacionamento certo para investir muita energia e esforço.
“Às vezes escolhemos a pessoa errada de quem queremos nos sentir mais amados”, aponta Sonja.
Considere perguntas como: essa pessoa parece me “entender” em algum nível, ou ao menos demonstra interesse em fazê-lo?
Quando compartilhei dificuldades ou imperfeições, ela foi curiosa e ouviu com entusiasmo?
No fim das contas, Sonja espera que as pessoas se sintam fortalecidas pela mensagem de que, se escolherem com sabedoria — e se concentrarem na maneira como conduzem as conversas — começarão a sentir mais amor, e portanto mais felicidade, vindo em sua direção.
“Sentir-se amado”, argumentam os autores, “não está fora do seu controle.”
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Fonte: estadao
15/02/2026 14:29











