Acordo Mercosul – União Europeia: o que acontece agora?
Após assinatura, texto precisará passar pelo Parlamento Europeu, considerado mais protecionista.
Crédito: Estadão/imagens da AFP ESTRASBURGO, FRANÇA – Os parlamentares da União Europeia votaram nesta quarta-feira, 21, para frear o acordo de livre-comércio com o Mercosul, assinado no último sábado, argumentando terem preocupações sobre a legalidade do acordo.
🧠 Análise da Situação
Em uma votação em Estrasburgo, na França, os parlamentares aprovaram, por uma pequena margem, o envio do acordo UE-Mercosul ao Tribunal Superior da Europa para decidir se ele está em conformidade com os tratados do bloco.
Foram 334 votos a favor do envio à Justiça, 324 contra e 11 abstenções.
Após 25 anos de negociações, o tão esperado acordo de livre-comércio foi assinado com grande alarde no fim de semana.
🌍 Contexto e Relevância
O objetivo era fortalecer os laços comerciais diante do crescente protecionismo e das tensões comerciais em todo o mundo.
O acordo visa a eliminar gradualmente mais de 90% das tarifas sobre produtos dos dois blocos, criando uma das maiores zonas de livre-comércio do mundo e tornando as compras mais baratas para mais de 700 milhões de consumidores.
A França, principal produtora agrícola da Europa, queria proteções mais fortes para os agricultores e tentou adiar o pacto.
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A Comissão Europeia disse lamentar a decisão do Parlamento.
Agora, a votação para aprovação do acordo, um passo fundamental para que entre efetivamente em vigor, não poderá ser feita até que o Tribunal de Justiça Europeu se pronuncie, e isso pode levar meses.
No entanto, a poderosa Comissão Executiva da UE pode aplicar provisoriamente o acordo até lá.
Os líderes da UE devem discutir o caminho a seguir em uma cúpula de emergência focada nas relações transatlânticas nesta quinta-feira.
Diante da sede do Parlamento Europeu, centenas de agricultores – com seus tratores – reunidos antes da votação comemoraram a decisão.
“Podemos ficar orgulhosos”, disse Quentin Le Guillous, secretário geral da organização francesa Jovens Agricultores.
“Levamos meses, ou anos, trabalhando neste tema”.
O ministro francês das Relações Exteriores, Jean-Noel Barrot, também celebrou a decisão, e disse considerar que o Parlamento Europeu expressou “com coerência” a posição da França, país que encabeça a resistência ao acordo por suas possíveis consequências para o setor agrícola do país.
Em uma postagem nas redes sociais, o chanceler alemão Friedrich Merz, porém, descreveu a decisão do Parlamento Europeu como “lamentável”.
“Ela avalia mal a situação geopolítica.
Estamos convencidos da legalidade do acordo.
Sem mais atrasos.
O acordo deve agora ser aplicado provisoriamente”, escreveu Merz.
A ratificação é considerada praticamente garantida na América do Sul, onde o acordo tem amplo apoio.
Fonte: estadao
21/01/2026 11:36











