Xavi Hernández concedeu uma extensa entrevista à edição desta segunda-feira do jornal espanhol La Vanguardia, na qual procurou expor a sua “verdade” a propósito dos motivos que culminaram na demissão do comando técnico do Barcelona, em junho de 2024, após duas épocas e meia, nas quais conquistou uma La Liga e uma Supertaça de Espanha.
O treinador de 46 anos de idade não poupou nas críticas tecidas ao presidente do emblema blaugrana, Joan Laporta, que acusou de lhe ter “falhado”:”Prescindiu de mim enquanto treinador sem dizer-me a verdade, condicionado por uma pessoa que penso que está acima do presidente, que é Alejandro Echevarría.
Isto é, quem prescinde de mim como treinador é o Alejandro".
“Em janeiro da minha última temporada como treinador, eu digo-lhes que, a partir de junho, não continuarei, por bem do clube e de mim mesmo, no plano pessoal, e, a partir daí, a equipa vai ganhando, e são eles que, durante dois ou três meses, até que perdemos na Liga dos Campeões, contra o PSG, e em La Liga, contra o Real Madrid, me dizem constantemente que tenho de ficar e tentam convencer-me”, afirmou.
"Eu, de facto, tenho uma reunião cara a cara com o Alejandro, porque sei que é ele que decide tudo, e digo-lhe como vejo as coisas.
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Digo-lhe ‘Ouve, eu tenho dúvidas, porque estás a dizer-me para continuar, mas eu não vejo isso claro’, e ele diz-me que sim, que eles estão a preparar o ano que vem, que estão a planificar, que o presidente tem isso claro…”, prosseguiu.
Foi então que surgiu o tão badalado jantar em casa de Joan Laporta: "Ele, depois, também não me contou a verdade.
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Convence-me a continuar, diz-me textualmente 'Xavi, eu não vejo a equipa sem ti, não vejo o novo Camp Nou sem ti, não vejo o 125.º aniversário do clube sem ti como treinador', e, como me sobrava motivação e via um futuro grande para a equipa, com a geração de jovens tão boa que surgia, vi-me capaz.
Só pedi uma alteração no plantel".
“Deu-se uma reunião de planificação com toda a minha equipa técnica e com Raúl Martínez e Julio Tous, novos preparadores físicos que tínhamos acordado com o Alejandro e com o Deco, que iriam juntar-se a nós, e foi então que o Alejandro começou a gritar e a dizer que a preparação física era um desastre”, desvendou.
"Eu interrompi-o e disse que aquilo não era assim.
Há dados que demonstram que, desde 2003, não havia um Barcelona que tenha corrido mais que o nosso, que foi campeão de La Liga.
Nunca perdemos por questões físicas.
Foi o relato que eles contaram para prescindir de mim como treinador.
E um dos que contribuiu foi Raúl Martínez, outro amigo íntimo que compra o relato do Alejandro para me despedir", acrescentou.
Xavi Hernández disse, de resto, estar de tal modo “magoado” que não lhe passa pela cabeça voltar ao Barcelona, nem mesmo que Joan Laporta seja derrotado por Víctor Font, nas próximas eleições: “Eu, agora, penso que nunca mais irei voltar ao Barcelona.
Já tive a minha etapa como jogador e como treinador.
A partir daí, o meu interesse é contar a verdade".
"Messi não vem para o Barcelona porque Joan Laporta não quer"
Xavi Hernández levantou, ainda, o 'véu' sobre…
Lionel Messi: "Não vem para o Barcelona porque o presidente não quer, não é por La Liga ou porque Jorge Messi pede mais dinheiro.
Isso é mentira, é o presidente que, com a sua gente, diz que não, que não pode permitir que isso acontece, que ele tem todo o poder e que Messi vai gerir mal todo esse poder".
"O Leo estava contratado.
Em janeiro de 2023, depois de se sagrar campeão do mundo, entrámos em contacto, e ele disse-me que tinha a ilusão de voltar, e eu vi isso mesmo.
Falámos até ao mês de março, e disse-lhe 'Bem, quando me deres o OK, eu digo ao presidente, porque via isso a acontecer, futebolisticamente", relatou.
"Laporta disse-me textualmente que, se o Leo voltasse, iria declarar-lhe guerra, e que não podia permitir que isso acontecesse.
E, de repente, o Leo deixou de me atender o telefone, porque, do outro lado, lhe tinham dito que não podia fazer-se.
Liguei ao pai e disse-lhe 'Não pode ser, Jorge', e ele disse-me 'Fala com o presidente'.
Eu insisti que levávamos cinco meses a falar com o Leo, que estava feito, futebolisticamente, não havia dúvidas.
A nível económico, iríamos a Montjuic e faríamos uma 'last dance', como a de [Michael] Jordan.
Estava tudo preparado", lembrou.
"Eu morria de vontade que o Leo voltasse, e, além disso, penso, até ao dia de hoje, que ajudaria a equipa a marcar golos, a dar últimos passes…
Sem dúvida nenhuma, mas vai jogar um Mundial!
O Leo voltaria a triunfar em Camp Nou, e, além disso, era o desejo dele e o meu.
Ele sabe disso.
Agora, sabe, mas passei por um período em que não pude comunicar com ele.
Foi uma pena, mas foi por culpa de quem lá está", concluiu.
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Fonte: noticiasaominuto
09/03/2026 04:29











