Monotrilho da Linha 17-Ouro para com rajadas de vento acima de 74 km/h.
Vídeo Inaugurado na semana passada, monotrilho da Linha 17-Ouro tem operação limitada em ventanias e pode parar com rajadas de mais de 74 km/h atualizado Compartilhar notícia As rajadas de vento têm se tornado cada vez mais intensas com as mudanças climáticas e podem afetar diretamente o novo monotrilho da Linha 17-Ouro, inaugurado na última semana, na zona sul da cidade de São Paulo.
Caso a ventania passe dos 74 km/h por hora, a operação será interrompida imediatamente por motivo de segurança, com os trens parando nas estações mais próximas.
As limitações, porém, começam a partir dos 61 km/h.
A paralisação total ou a circulação dos trens com velocidade reduzida em função de eventos climáticos não deve ser algo incomum no futuro próximo.
📊 Fatos e Dados
Ao longo dos últimos três anos, a capital paulista teve, justamente, as três maiores rajadas de vento já registradas na história.
Em 3 de novembro de 2023, a cidade viveu um vendaval de 103 km/h, o maior até então.
Mas 11 de outubro de 2024 chegou com ventania de 107 km/h, a maior até hoje.
No último dia 10 de dezembro de 2025, foi anotada outra, de 98 km/h, completando o “pódio” da série histórica.
Monotrilho da Linha 17-Ouro
O monotrilho circula por quase 7 km sobre pilares que atingem até 18 metros de altura e, por isso, fica mais suscetível aos problemas decorrentes de fortes rajadas.
Durante testes anteriores à liberação para a população, o trem já chegou a 60 km/h de velocidade máxima.
Com rajadas de vento de até 61 km/h, a operação consegue seguir normalmente.
Entre 61 km/h e 74 km/h, o limite de velocidade do trem cai para 43 km/h, semelhante ao que é utilizado durante a operação assistida.
Acima dos 74 km/h, a circulação é interrompida.
Caso a circulação pare por causa das rajadas de vento, poderá ser acionado o Plano de Apoio entre Empresas de Transporte frente a Situações, o temido Paese, quando ônibus são colocados para levar os passageiros ao destino final.
Diretor de engenharia e planejamento do Metrô de SP, Roberto Torres afirmou que, da mesma forma que ocorre com pontes, viadutos e aeroportos, os monotrilhos seguem normas internacionais, que colocam a segurança em primeiro lugar.
“Os primeiros monotrilhos vieram dos países asiáticos e, já na época, eles traziam as preocupações em relação ao vento e, obviamente, às estratégias de operação”, disse.
“Lembrando que a engenharia não é infinita.
Então faz parte da boa engenharia você considerar os limites de operação.” Segundo Torres, haverá contato permanente com a Prefeitura de São Paulo a partir do momento em que forem detectadas as condições de instabilidades provocadas pelo vento.
“Os trens vão parar pelo tempo que for necessário.
A gente vai primar sempre pela segurança do passageiro.
Claro, a gente sabe que o trem rodando nessas condições já mexeria, naturalmente, com o conforto do passageiro.
Segundo, ele pode trazer risco pelo próprio balanço, pela própria movimentação do trem”, explicou.
Em relação às estruturas da Linha 17-Ouro, como estações e pilares, estas foram projetadas para suportar ventos de até 120 km/h.
As regras da Linha 17-Ouro seriam semelhantes àquelas aplicadas à Linha 15-Prata, o monotrilho da zona leste.
Metrô e monotrilho
O impacto das rajadas de vento é apenas uma das muitas diferenças entre o metrô e o monotrilho.
Questionado se, em algum momento, houve suspensão da circulação dos trens da Linha 1-Azul por causa de fortes ventos, por exemplo, entre as estações Armênia e Portuguesa-Tietê, que fica em local aberto, em curva, em cima de pilares passando sobre rio, Torres explicou que não.
“Ao longo desses mais de 50 anos de operação, a gente não teve nenhuma incidência dessa natureza, o que mostra que os sistemas também são diferentes.
O sistema de metrô convencional, ele é diferente, é um outro projeto, segue normas diferentes”, disse.
Questionado se o monotrilho não poderia ter pilares mais baixos e, até por isso, ser menos suscetíveis aos vendavais, o diretor de engenharia do Metrô afirmou que o projeto segue uma determinada topografia.
“Quando projetados, o trem e a via têm seus limites de aclive e declive.”
Por que não metrô?
Quando comparadas às do metrô, as limitações do monotrilho relacionadas às rajadas de vento não são as únicas.
Por exemplo, o volume de passageiros transportados é o mais evidente, já que uma linha de metrô pode transportar em torno de 70 mil pessoas por hora.
No trem, são esperadas até 36 mil por hora na Linha 17, o máximo de capacidade, operando com intervalos de 80 segundos entre composições, segundo a gestão de Tarcísio de Freitas (Republicanos).
De forma geral, monotrilhos são concebidos para cobrir curtas distâncias, entretanto a Linha 17 “nasceu” com quase 7 km e deverá crescer ainda mais, seguindo do Jabaquara até a região do Morumbi, quando forem concluídas as obras de expansão previstas.
📊 Informação Complementar
Desde que o projeto foi apresentado, ainda em 2010, durante a gestão de José Serra (PSDB), passando posteriormente pela administração do atual vice-presidente, Geraldo Alckmin (PSB), houve questionamentos sobre a relevância da obra e do modal a ser adotado.
A justificativa era o custo mais baixo e a menor necessidade de desapropriações, em um cenário que previa a utilização do Estádio do Morumbi na Copa de 2014.
Além do atraso de 12 anos e do fato de que a abertura do Mundial foi no estádio do Corinthians, a NeoQuímica Arena, a obra saiu, oficialmente, por quase R$ 6 bilhões.
O que diz o Metrô O Metrô afirma que, nesta fase inicial, os trens circulam em modo automático, assistido por operador, “com velocidade compatível com o traçado da via, espaçamento curto entre estações e o conforto dos passageiros, priorizando estabilidade, suavidade e regularidade”.
“Com a operação plena, prevista para outubro deste ano, a operação ganhará maior velocidade, intervalos menores e funcionamento ampliado, com previsibilidade, aprimoramento contínuo da comunicação com os passageiros, integração entre modais e benefícios como redução do trânsito e uso de energia limpa”, diz, em nota.
Fonte: metropoles
07/04/2026 14:42











