Demétrio VecchioliColunas Master: BRB gastou R$ 500 milhões ao comprar 2 vezes mesma carteira sem garantia Documentos obtidos com exclusividade pelo Metrópoles mostram que área técnica apontou 18 riscos no negócio, aprovado horas depois atualizado Compartilhar notícia O Banco de Brasília (BRB) comprou do Banco Master duas vezes uma mesma cédula de crédito bancário (CCB) sem garantias, em negócio fortemente não recomendado pela área técnica do banco estatal e fechado antes da produção de um parecer jurídico pedindo precauções adicionais.
As informações constam em documentos obtidos com exclusividade pelo Metrópoles e publicados agora em uma série de reportagens que mostra que os ativos comprados do Master pelo BRB são frios, contribuindo para o rombo ainda desconhecido nas contas do BRB.
É o caso da carteira da RKO Alimentos, um frigorífico do Mato Grosso que havia, supostamente, tomado um empréstimo de R$ 400 milhões do Master em dezembro de 2023, com carência até fevereiro de 2026.
💥 Como metropoles Afeta o Cotidiano
O BRB comprou duas vezes essa dívida, pagando R$ 498 milhões no total.
Primeira compra teve imóvel fake de garantia
O BRB primeiro comprou uma parte da CCB, em 17 de outubro de 2024, por R$ 174 milhões.
A transação não consta na planilha com todas compras de ativos do Master pelo BRB, produzida pelo Banco de Brasília e revelada pela coluna.
🧠 Análise da Situação
Como as garantias oferecidas pelo frigorífico não cobriam 130% do valor cedido, padrão mínimo em negócios do tipo feitos pelo BRB, o banco estatal estabeleceu como condicionante a inclusão de uma nova garantia imobiliária: um imóvel urbano avaliado em R$ 1,3 bilhão em Mata de São João (BA), cidade conhecida por seus resorts.
O Metrópoles foi atrás desta matrícula e descobriu que o imóvel nunca pertenceu ao Master.
Logo, nunca poderia ser tomado como garantia, tanto que não há qualquer anotação de alienação fiduciária dele na matrícula atualmente.
🌍 O Cenário Atual de metropoles
Segunda compra tinha 18 pontos de risco A segunda compra, por R$ 324 milhões, foi aprovada a toque de caixa, em 30 de junho de 2025, depois que o BRB identificou que carteiras de varejo adquiridas do Master era fraudulentas.
Precisando convencer o Banco Central (BC) a aprovar a compra do próprio Master, o BRB tinha pressa em substituir aquelas carteiras “podres” por ativos de melhor qualidade.
Entre as opções apresentadas pelo Master, escolheu de novo a CCB da RKO, nascida de um empréstimo tomado na modalidade capital de giro, para “construção ou aquisição de novos frigoríficos e desenvolvimento de lojas no segmento de carnes premium e congeladas”.
Master e RKO acordaram que 90% dos R$ 400 milhões emprestados ficariam aplicados em um Fundo de Investimento da Reag e só seriam liberados à medida que o frigorífico desenvolvesse os projetos.
Inicialmente esse fundo deveria ser o “Bravo”.
Mas quando o CCB foi oferecido novamente ao BRB, em junho do ano passado, o dinheiro estava em outro fundo, de nome Titânia, sem que houvesse sido apresentado qualquer aditivo contratual.
Para a área técnica do BRB, essa era uma das fragilidade do negócio.
Outra era a falta de acompanhamento sobre como o dinheiro estava sendo utilizado.
📊 Informação Complementar
“Entendemos que a falta de acompanhamento de uma operação com saldo devedor atual de mais de R$ 550 milhões também representa uma fragilidade da operação de crédito”, alertou a área técnica do BRB.
Mas os problemas iam bastante além.
Relatório assinado em 30 de junho de 2025 por cinco superintendências do BRB apontou 18 pontos de alerta.
Entre eles: – “Ausência de garantia real imobiliária na operação contratada”; – “Ausência de informações sobre liberações de recursos e cumprimento das etapas pré-estabelecidas”; – “Ausência de comprovação de utilização dos recursos contratados no desenvolvimento dos projetos mencionado”; – “Baixo índice de garantia (69%)”; e – “Ausência de documentos contábeis e financeiros atualizados”.
Também faltava um parecer jurídico, que só viria a ser produzido no dia 11 de julho, impondo oito condicionantes ao negócio, entre elas a inclusão de uma cláusula de revenda como “salvaguarda institucional”.
Já era tarde, porque a compra da CCB por R$ 324 milhões foi aprovada pelos órgãos competentes do BRB, sem qualquer condicionante, ainda durante a tarde do dia 30 de junho.
Fonte: metropoles
06/04/2026 17:28











