João Cotrim de Figueiredo considerou, este domingo, que Marcelo Rebelo de Sousa foi um “mau Presidente”, dizendo que não lhe poderá dar “uma nota positiva” neste final de mandato, que termina já esta segunda-feira, dia 9 de março.
"No total, tenho que, com pena, dizer que foi um mau Presidente e vai ficar associado aquilo que, para todos os efeitos, vai ser visto como uma década perdida.
Eu apreciei a forma como trouxe o seu estilo pessoal ao exercício do mandato, até uma certa erudição e cultura política e não só, a proximidade de uma certa jovialidade”, apontou no seu espaço de comentário na SIC Notícias, “Visto Assim”.
No entanto, na óptica de Cotrim de Figueiredo, "as coisas que até eram boas transformaram-se em coisas más".
“A descrispação que era necessário ter depois daquele período da Troika e dos mandatos de Cavaco, a descrispação transformou-se numa espécie de conformismo, de resignação, de deixarmos de estar zangados para aceitar tudo o que o que havia e o que não havia em termos de crescimento económico, por exemplo”, referiu.
Quanto à coabitação institucional, que o liberal defende que um Presidente da República deve fazer com os governos que estão em funções, "acabou por se tornar numa cumplicidade desses mesmos governos que também não fizeram grandes reformas”.
"Portanto, não posso dar uma nota positiva no final do mandato, mas fica já aqui uma espécie de proferia.
Se Marcelo Rebelo de Sousa não foi um extraordinário presidente e foi cúmplice desta estagnação de Portugal por omissão porque não fez o que deveria ter feito, temo que António José Seguro possa ser igualmente cúmplice desta estagnação, mas por convicção.
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Nunca o vi com enorme vontade de mudar seja o que for em Portugal", criticou.
“E se aparecesse alguém e Montenegro perdesse as diretas?” Questionado sobre o facto de Luís Montenegro ter antecipado as eleições diretas do PSD e ter desafiado Pedro Passos Coelho a candidatar-se, Cotrim de Figueiredo disse não estar à espera, “nem Luís Montenegro está à espera”.
"Estava lá fora quando soube da notícia e pensei: 'Ouvi mal'.
Luís Montenegro ou baralhou isto tudo ou baralhou-se, uma das duas", salientou.
Cotrim afirmou que "há aqui várias confusões".
"Passos Coelho tem feito críticas estratégicas de falta de visão, de reformas.
A resposta é tática: 'vamos antecipar eleições diretas internas no partido'", indicou.
"A resposta não podia ser tática, tinha de ser no mesmo plano.
E seria o quê?
Mostrar que [o Governo] está a fazer reformas, mandar os ministros comunicar, andar no terreno porque se não dá razão aqueles que dizem que Luís Montenegro não é mais do que um António Costa 2.0″, considerou.
E acrescentou: "Depois é feita a crítica como primeiro-ministro, mas [Luís Montenegro] reage como líder partidário.
Como líder partidário, parece que tem medo de alguma sombra de Passos Coelho, que já sabia que não vinha.
Portanto, é um bluff total".
Segundo Cotrim de Figueiredo, "é uma brincadeira que podia ser arriscada".
"Pergunto: E se aparecesse alguém e Montenegro perdesse as eleições diretas em maio?
Não vai acontecer, mas pergunto.
Brinca-se com a função de primeiro-ministro?", questionou.
"É assim que se faz política em Portugal?
Eu tenho um problema interno num partido e vou colocar a função de primeiro-ministro em causa?
Não me parece muito sério", continuou.
"E, depois, talvez a coisa mais prática de todas.
É completamente ineficaz este movimento porque nem que Montenegro ganhe as diretas com 120% dos votos vai calar Passos Coelho”, considerou, notando que “aqueles eventuais descontentes que dentro do PSD já possam existir ou possam crescer por acharem que o Governo não está a governar na forma mais reformista como prometeu na campanha, só poderão crescer”.
João Cotrim de Figueiredo apontou que "houve uma baralhação" e que "não foi a hora mais feliz de Luís Montenegro".
Quanto à possibilidade de o ex-primeiro-ministro poder ter como objetivo desestabilizar a liderança de Luís Montenegro, o eurodeputado respondeu de forma negativa.
No entanto, disse parecer-lhe "óbvio que, se este Governo for suficientemente reformista, Passos Coelho fica sem discurso".
"A forma mais fácil de deixar de ter uma sombra ou uma pré-oposição interna é mostrar que é reformista.
Seria relativamente fácil, havendo vontade", frisou.
Já sobre Passos Coelho querer fazer reformas com o Chega, Cotrim de Figueiredo disse não perceber.
“Como é que se pode fazer reformas com um partido que é tudo menos reformista e que a única hipótese que teve de estar ao lado de uma reforma, nos tempos mais recentes, foi na valorização laboral e embrulhou-se.
Começou por dizer que era a favor e depois o vento soprou noutra direção e afinal já não quis.
E vai ser sempre assim, não importa o que custa, o que dói.
Se for popular, o Chega vai estar desse lado e já se sabe que há reformas que, pelo menos, à partida poderão não ser as mais populares", sublinhou.
Novo líder supremo do Irão?
"Não são boas notícias"
Sobre a nomeação do filho de Ali Khamenei, Mojtaba Khamenei, como líder supremo do Irão, João Cotrim de Figueiredo considerou que "não são boas notícias".
"Não são boas notícias para quem acha que esta guerra tem de acabar depressa.
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É um dos rostos mais duros do regime, ligado a uma das milícias mais violentas e um dos responsáveis pelas maiores repressões das mulheres", notou.
"Nono dia da guerra e ninguém sabe quando isto pode parar porque alguém resolve começar uma guerra sem motivos claros.
Se perguntar a alguns militares norte-americanos dizem uma coisa, o presidente diz coisas diferentes em dias consecutivos.
Hoje, soubemos que Israel está a bombardear instalações petrolíferas, os americanos não sabiam ou não gostavam ou não o vão fazer.
Há uma confusão total.
Isto é gravíssimo", referiu.
Quanto à duração deste conflito no Médio Oriente, Cotrim apontou que “se for mais duas ou três semanas, temos um sarilho muito sério porque há um senhor na Casa Branca que decidiu começar uma guerra sem um motivo concreto”.
Considerou ainda que um dos problemas mais graves tem que ver com os produtos petrolíferos, explicando que passam pelo estreito de Ormuz um conjunto de produtos derivados da refinação de petróleos “que tem a ver direta ou indiretamente com a produção de ácido sulfúrico”.
"Qual é o interesse?
Sem ácido sulfúrico, por exemplo, não se extrai cobalto e não se fabricam baterias e determinados equipamentos eletrónicos.
Taiwan tinha cerca de 11 dias de stock deste tipo de sulfuretos para produzir ácido sulfúrico, podemos estar a arranjar condições para parar a encomia mundial", disse, notando ainda que o mesmo poderá acontecer com os sulfuretos para a produção de amónia e fertilizantes.
"Podemos estar com escassez de fertilizantes a curto prazo no mundo ocidental e já se sabe que, sem eles, a produção agrícola cai", salientou.
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Fonte: noticiasaominuto
08/03/2026 21:43











