Lula anulará leilão da Petrobras que vendeu gás de cozinha mais caro Presidente Lula afirmou que vendas foram feitas contra a orientação da estatal atualizado Compartilhar notícia O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) declarou, nesta quinta-feira (2/4), que anulará os leilões da Petrobras que venderam gás de cozinha a preços superiores aos praticados pelas refinarias, realizados nessa terça-feira (31/3).
Segundo o petista, os leilões foram feitos contra a orientação da direção da estatal, o que ele classificou como “cretinice”.
“Foi cretinagem, cretinice, bandidagem, o que fizeram com o leilão.
Sabiam da orientação do governo, da Petrobras: ‘Não vamos aumentar a GLP’.
Fizeram um leilão contra a vontade da direção da Petrobras, e vamos revê-lo.
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Vamos anular esse leilão, porque o povo pobre não pagará, em hipótese alguma, o preço dessa guerra (no Irã)”, disse Lula à TV Record Bahia.
A estatal de exploração de petróleo e gás leiloou o volume de gás liquefeito de petróleo (GLP), o gás de cozinha, equivalente a 11% das vendas nacionais previstas para abril.
Foram comercializadas cerca de 70 mil toneladas de GLP, com preços superiores aos cotados na tabela oficial da companhia.
A Petrobras ofertou valores que podem gerar um incremento de até R$ 39,40 por botijão de 13 kg.
Para cada região, foram definidos preços específicos.
O produto retirado na refinaria de Duque de Caxias (RJ), por exemplo, foi vendido com valor adicional de 117% sobre o preço base da unidade, de quase R$ 2,6 mil por tonelada.
O preço do gás de cozinha permanecia congelado desde novembro de 2024, e o reajuste deve impactar o programa Gás do Povo.
Assim como ocorre com o diesel, parte do GLP consumido no Brasil é importada.
📊 Informação Complementar
Com o conflito no Oriente Médio, os preços internacionais sobem, o que acaba pressionando os valores praticados no mercado interno.
Atualmente, o botijão de 13 kg é vendido, em média, por R$ 109,91 no país, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
O titular do Planalto voltou a afirmar que a população brasileira não vai pagar o preço da guerra no Oriente Médio, provocada por ataques dos Estados Unidos e de Israel ao Irã.
“O [Donald] Trump é que pague, o [Benjamin] Netanyahu, Israel que pague, mas brasileiro não vai pagar.
Pode ficar certo que o povo não vai pagar.
Não vamos aumentar o óleo diesel para o caminhoneiro, não vamos aumentar o diesel para a dona de casa, não vamos aumentar o óleo diesel para o feijão, nem a gasolina, nem o etanol”, garantiu o presidente.
“Nós faremos de tudo o que tiver ao alcance do país para não permitir que a guerra do Irã chegue ao prato de comida do povo brasileiro, e muito menos chegue no preço de combustíveis dos caminhoneiros, que já têm dificuldade com seu frete”, completou.
Ações do governo
Lula também reiterou que o governo federal tem feito “todo o esforço possível” para evitar que a “guerra irresponsável” impacte a economia do Brasil.
Com o conflito no Oriente Médio, os preços do diesel subiram, em alguns casos, mais de R$ 1 por litro, superando os 22%.
“Por isso, nós estamos tomando muitas medidas, com um processo de fiscalização muito sério no Brasil.
Estamos tentando colocar a Polícia Federal para pegar quem for necessário, a Polícia Rodoviária Federal para investigar distribuidoras, porque tem muita gente ganhando dinheiro roubando o povo”, afirmou.
Além do reforço na fiscalização, o governo federal adotou outras medidas para tentar conter os preços no mercado interno.
Em 12 de março, o governo anunciou duas ações: a primeira foi zerar as alíquotas de PIS e Cofins para o diesel, com expectativa de redução de R$ 0,32 no preço; na mesma data, também foi divulgada a concessão de subvenção aos produtores.
Agora, o governo negocia a adesão de todas as unidades da Federação para uma subvenção de R$ 1,20 por litro do diesel importado.
A proposta prevê que o governo federal arque com R$ 0,60, enquanto os estados bancariam os outros R$ 0,60 até maio.
O custo estimado é de R$ 3 bilhões no período.
BR Distribuidora
O chefe do Executivo citou que a gestão estuda a possibilidade de recomprar a Refinaria de Mataripe, na Bahia, privatizada em 2021, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e criticou a perda do controle da BR Distribuidora pela Petrobras na gestão anterior.
O processo de privatização da BR foi iniciado em 2019 e concluído dois anos depois.
À época, sob o governo Bolsonaro, a diretoria da Petrobras defendia que a empresa deveria focar na produção e exploração de óleo e gás, abrindo mão da distribuição de combustíveis.
“Qual a lógica de aumentar o preço do álcool e da gasolina, se ainda não temos necessidade disso?
É pura bandidagem de algumas pessoas, porque venderam algumas distribuidoras.
Se a gente tivesse a BR, a gente poderia garantir que o preço não subiria.
Mas eles venderam a BR.
E o que é grave, e nós só podemos recomprá-la a partir de 2029.
Ou seja, nós não temos hoje distribuidora”, lamentou Lula.
Fonte: metropoles
02/04/2026 14:40











