Após o anúncio da liquidação do Banco Master pelo Banco Central (BC) no início da manhã desta terça-feira, 18, a sede da instituição estava praticamente vazia.
Os poucos funcionários que chegaram ao luxuoso prédio, localizado na Avenida Faria Lima, em São Paulo, foram embora com olhar perdido e sem saber se voltarão amanhã.
De quinta melhor instituição financeira para se trabalhar, segundo ranking de 2024 do Great Places to Work, agora se multiplicam relatos de tensão e ansiedade.
🌍 O Cenário Atual de estadao
Em conversa com o Estadão, um funcionário disse que desde a fracassada tentativa de compra do banco pelo BRB, a atmosfera foi tomada pelo sentimento de que algo estava prestes a implodir.
Outro funcionário comentou que a equipe paralisou os trabalhos nesta manhã, desde que o Banco Central emitiu a nota de liquidação do Master, por volta das 7h.
Mesmo antes disso, porém, já circulavam nos grupos de WhatsApp notícias sobre a situação do banco e a incerteza de quais serão os próximos passos.
🧠 Análise da Situação
Após a prisão de Daniel Vorcaro, o dono do Master, o banco amanheceu cercado por grades e sob a vigilância de muitos seguranças.
A entrada no prédio foi restrita a terceirizados, poucos colaboradores e aos carros de luxo conduzidos por superintendentes e diretores do banco.
Também tiveram acesso representantes do BC e da PF, que cumpriam mandado de busca e apreensão no edifício de 13 andares — inaugurado no início do ano e concebido como uma espécie de cartão de visitas da instituição.
📌 Pontos Principais
Veja mais Ao longo do dia, enquanto a PF e o BC realizam seu trabalho nos andares superiores, carros desaceleravam e pedestres paravam para fotografar o edifício localizado na Rua Elvira Ferraz que ostenta o nome do Banco Master.
De acordo com o Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e região, a instituição tem 515 trabalhadores (dados de junho/2025), que serão diretamente afetados.
“Além disso, acompanhamos com cautela possíveis efeitos indiretos sobre o Will Bank, que emprega 756 trabalhadores (junho/2025), considerando que eventuais desdobramentos envolvendo o Banco Master podem repercutir nas operações da instituição.” Próximos passos De empresa reconhecida no mercado por oferecer salários maiores que a média e condições agradáveis de trabalho, agora o peso da incerteza.
Pessoas abordadas pela reportagem ainda não sabem se terão ou não emprego amanhã.
Segundo Francisco Gomes Junior, advogado sócio da OGF Advogados e presidente da Associação de Defesa de Dados Pessoais e do Consumidor, é provável que não.
“Quando ocorre a liquidação extrajudicial, o banco deixa de existir.
E os contratos de trabalho dos funcionários são rescindidos automaticamente.
Deixam de trabalhar para o banco automaticamente”, afirma.
“O que acontece é que agora eles têm prioridade para receber todas as verbas rescisórias, férias, 13º salário, fundo de garantia”.
Na prática, após a liquidação, haverá um quadro de credores a serem pagos.
A prioridade desses pagamentos, entretanto, é dos trabalhadores.
“Precisa haver a liquidação dos ativos do banco para gerar caixa e aí pagar os funcionários.
Mas a partir da liquidação, eles não são mais funcionários do banco”, reforça.
Ao ser abordada pela reportagem na saída do Banco Master, uma jovem enxugava as lágrimas e reclamou da reportagem: “você nem deveria estar aqui”.
Outra tentava levar a situação com mais leveza: “Será que você tem vaga lá?”, brinca.
Fonte: estadao
18/11/2025 18:37











