Guerra faz Copom mudar o tom e ampliar preocupação com inflação Documento expõe argumentos para decisão tomada no último dia 18, quando taxa foi cortada em 0,25 ponto percentual atualizado Compartilhar notícia O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) divulgou, nesta terça-feira (24/3), a ata referente à reunião de março.
No comunicado oficial da última reunião, encerrada em 18 de março, o Copom apresentou uma visão diferente do cenário do encontro anterior, de 28 de janeiro deste ano.
A ata aponta um cenário mais incerto diante do conflito bélico no Oriente Médio.
A taxa foi reduzida em 0,25 ponto percentual no último encontro, realizado nos dias 17 e 18 de março deste ano.
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Com isto, o índice vigente passou para 14,75% ao ano.
“O ambiente externo tornou-se mais incerto, em função do acirramento de conflitos geopolíticos no Oriente Médio, com reflexos nas condições financeiras globais.
Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, diz trecho da ata.
Ao fim do documento, o Copom afirma que o cenário atual exige uma restrição monetária maior, ou seja, sinal de que os juros possam vir a ficar em um patamar mais elevado por mais tempo.
💥 Impacto e Consequências
Em janeiro, o Copom sinalizou claramente a tendência pelo corte de juros em março.
No entanto, na última ata não há este apontamento.
📊 Informação Complementar
“A principal conclusão obtida, e compartilhada por todos os membros do Comitê, foi a de que, em um ambiente de expectativas desancoradas, como é o caso do atual, exige-se uma restrição monetária maior e por mais tempo do que outrora seria apropriado”, diz parte do documento.
Entenda a situação dos juros no Brasil
– A taxa Selic é o principal instrumento de controle da inflação.
– Os integrantes do Copom são responsáveis por decidir se vão cortar, manter ou elevar a taxa Selic.
A missão do BC é controlar o avanço dos preços de bens e serviços do país.
– Ao aumentar os juros, a consequência esperada é a redução do consumo e dos investimentos no país.
– Dessa forma, o crédito fica mais caro, e a atividade econômica tende a desaquecer, provocando queda de preços para consumidores e produtores.
– Projeções mais recentes mostram que o mercado desacredita em um cenário em que a taxa de juros volte a ficar abaixo de dois dígitos durante o governo Lula e o mandato de Galípolo à frente do BC.
O colegiado dos diretores do Banco Central também demonstra maior preocupação com uma possível elevação na inflação.
“As expectativas de inflação, medidas por diferentes instrumentos e obtidas de diferentes grupos de agentes, que seguiam em trajetória de declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta de inflação em todos os horizontes”, diz a ata.
No momento, as expectativas para que isto aconteça se espalham no mercado.
O Boletim Focus, por exemplo, elaborado pelo próprio Banco Central a partir de opinião de analistas de mercado, indica isso.
Há quatro semanas, a expectativa era de que o índice fechasse 2026 em 3,91%, mas na última segunda, a projeção foi elevada para 4,17%.
– Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação para este ano é de 3%.
Como há intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5%.
O próprio governo já assimilou a possibilidade de maior inflação ao fim de 2026.
A Secretaria de Políticas Econômicas do Ministério da Fazenda divulgou, no último dia 13, uma revisão nas projeções para 2026.
A projeção da inflação teve um acréscimo de 0,1 ponto percentual e terminaria 2026 com 3,7% na visão dos técnicos da Fazenda.
Os preços de bens e serviços do país avançaram 0,70% em fevereiro deste ano, com isto, o índice está em 3,81% nos últimos 12 meses.
Em 2025, a inflação acumulou alta de 4,26% – valor que ultrapassou o centro da meta, mas permaneceu abaixo do teto.
Calendário das reuniões do Copom em 2026
– 28 e 29 de abril
– 16 e 17 junho
– 4 e 5 de agosto
– 15 e 16 de setembro
– 3 e 4 de novembro
– 8 e 9 de dezembro
Fonte: metropoles
24/03/2026 09:52











