Questionado numa conferência de imprensa sobre a utilização do espaço aéreo francês por aviões relacionados com a guerra naquela região, o porta-voz da diplomacia francesa, Pascal Confavreux, respondeu que as autoridades francesas tomarão as suas decisões “caso a caso”, de forma “soberana e em conformidade com o Direito Internacional”.
O porta-voz sustentou que a posição de França se mantém inalterada desde o início do conflito, desencadeado, a 28 de fevereiro, pela ofensiva dos Estados Unidos e de Israel ao Irão, tal como afirmou esta semana a presidência francesa, ao reagir a acusações do Presidente norte-americano, Donald Trump.
Trump acusou Paris de agir de forma "muito pouco cooperante" ao proibir, no domingo passado, o sobrevoo do território nacional por aviões com destino a Israel carregados de material militar.
🔄 Atualizações Recentes
Paris não tinha publicamente anunciado ser uma zona de exclusão aérea para aeronaves dos Estados Unidos envolvidas na guerra, ao contrário de outros países, como Espanha, que declarou claramente a sua posição.
No início de abril, as Forças Armadas francesas indicaram que França não autorizaria o uso de bases militares francesas por aviões norte-americanos a participar em ataques ao Irão, mas permitiria, de forma pontual, se a missão destes fosse de apoio à defesa dos aliados franceses na região.
As bases militares em causa situam-se em Istres (Bouche-du-Rhônes) e em Avord (Cher), segundo a comunicação social francesa.
🧠 Análise da Situação
O porta-voz do MNE sublinhou hoje que França não é parte no conflito e que a sua posição é “estritamente defensiva”, centrada na proteção dos seus aliados, na liberdade de navegação (pelo Estreito de Ormuz) e no apoio aos seus cidadãos no estrangeiro.
Quanto a exportações de equipamento militar para Israel, cujas autoridades reagiram veementemente ao anúncio, apelando para o fim das compras a França, o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros francês indicou tratar-se de um volume de negócios muito reduzido, equivalente a aproximadamente 0,2% do total das exportações francesas de armamento em 2024, e que corresponde a equipamento de caráter defensivo ou destinado à reexportação.
Por último, o porta-voz reafirmou que o objetivo de França neste conflito é contribuir para a redução das tensões e a estabilidade internacional, orientando as suas decisões em função destes princípios.
💥 Como noticiasaominuto Afeta o Cotidiano
Os Estados Unidos e Israel lançaram a 28 de fevereiro um ataque militar ao Irão, que justificaram com a inflexibilidade da República Islâmica nas negociações para pôr fim ao enriquecimento de urânio no âmbito do seu programa nuclear, que afirma destinar-se apenas a fins civis.
Em retaliação, o Irão encerrou o Estreito de Ormuz e lançou ataques contra alvos em Israel, bases norte-americanas e infraestruturas civis em países da região como Arábia Saudita, Bahrein, Emirados Árabes Unidos, Qatar, Kuwait, Jordânia, Omã e Iraque.
Desde o início do conflito, as autoridades iranianas contabilizaram pelo menos 1.332 mortos – entre os quais o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, líder supremo da República Islâmica desde 1989, entretanto substituído pelo seu segundo filho, Mojtaba Khamenei, e o chefe do Conselho Supremo de Segurança Nacional, Ali Larijani – e mais de 10.000 feridos, mas não atualizaram o balanço oficial nos últimos dias.
A organização não-governamental HRANA (Human Rights Activists News Agency), com sede nos Estados Unidos, situa o número total de vítimas mortais no Irão em pelo menos 3.492, entre as quais 1.574 civis.
O Líbano foi a 02 de março arrastado para o conflito regional, quando o movimento xiita libanês pró-iraniano Hezbollah lançou um ataque a Israel, que desde então tem bombardeado intensamente o sul do país, com forças de artilharia e blindados, e iniciou duas semanas depois uma intervenção terrestre.
Em 30 dias, a guerra entre Israel e o Hezbollah fez mais de 1.300 mortos no país — entre os quais, pelo menos 118 crianças e 40 profissionais de saúde – e milhares de feridos, e o número total de deslocados ultrapassou um milhão, o que representa mais de um sexto da população nacional.
Leia Também: Presidente francês recusa envolver país na guerra contra regime de Teerão
Fonte: noticiasaominuto
02/04/2026 14:40











