Cenas impressionantes pareciam de outro mundo — mas a explicação está bem aqui na Terra (e envolve a SpaceX).

Uma espiral brilhante e ondulante em forma de “S” cortando o céu da Europa. Um orbe luminoso flutuando sobre a América do Norte. As imagens, que viralizaram nas redes sociais nos últimos dias, mais pareciam um sinal extraterrestre — mas têm uma explicação surpreendentemente terrestre.
O espetáculo foi causado por um lançamento de foguete Falcon 9 da SpaceX, e apesar de parecer algo raro, esse tipo de fenômeno está se tornando cada vez mais comum com o aumento das viagens espaciais.
🚀 O que aconteceu?
No dia 24 de março, um Falcon 9 partiu da Flórida rumo à órbita terrestre para lançar um satélite militar dos EUA. Até aí, tudo dentro do previsto. Mas, momentos depois da entrega da carga, o segundo estágio do foguete começou a liberar combustível enquanto girava no espaço — criando uma espiral luminosa visível a quilômetros de distância.
Moradores do Reino Unido e de vários países da Europa ficaram impressionados com o que viram no céu e rapidamente compartilharam registros nas redes sociais. O serviço meteorológico do Reino Unido, o Met Office, confirmou que o fenômeno foi “provavelmente causado pelo Falcon 9 da SpaceX”.
🌪 Espiral ou água-viva?
Apesar de parecer com outro fenômeno famoso, o da “água-viva espacial”, os especialistas garantem: não é a mesma coisa.
- A espiral surge quando o foguete já terminou sua missão e está prestes a reentrar na atmosfera. Ele gira enquanto descarta o combustível restante, criando o efeito luminoso no céu — algo que os cientistas comparam ao “efeito mangueira de jardim”.
- Já a água-viva acontece bem antes, logo após o lançamento. É causada pelos gases de exaustão liberados pelo foguete ainda em ascensão, que se expandem na atmosfera rarefeita e formam uma espécie de “bolha luminosa” que se espalha pelo céu.
☀ Quando e onde dá para ver?
Esses fenômenos só são visíveis quando as condições de luz são perfeitas. Isso geralmente ocorre no começo da noite ou ao amanhecer, quando o céu está escuro o suficiente para o brilho do foguete se destacar, mas o Sol ainda consegue iluminar a alta atmosfera.
Ah, e não se engane: embora pareça que o foguete esteja “ali pertinho”, ele pode estar a mais de 300 km de altitude. Nosso cérebro simplesmente não está acostumado a ver esse tipo de coisa.
📈 E por que estamos vendo isso com mais frequência?
Porque estamos lançando muito mais foguetes. Segundo dados do astrofísico Jonathan McDowell, passamos de menos de 150 lançamentos por ano no século passado para mais de 250 em 2024 — e a tendência é só aumentar.
Para o pesquisador Christopher Combs, o mais importante é que esses espetáculos estão despertando a curiosidade do público. “É incrível quando as pessoas se interessam pelo espaço. Espero que continuem fazendo perguntas.”