Sondagens independentes apontam para a vitória do líder da oposição, o conservador Petér Magyar, afastando o primeiro-ministro populista Viktor Orbán, no poder há 16 anos.
Magyar, 45 anos, antigo membro do Fidesz, afastou-se em 2024 no partido no poder para criar o Tisza e concorrer às eleições europeias desse ano, quando ficou em segundo lugar, com 30% dos votos.
Quantos partidos concorrem Cinco partidos concorrem às eleições legislativas: o Fidesz, partido no poder e liderado por Orbán; o Tisza (centro-direita, nome do segundo rio mais importante da Hungria e que resulta da junção das palavras Respeito e Liberdade); o movimento Nossa Pátria (Mi Hazánk, extrema-direita); a Coligação Democrática (DK, social-liberal) e o Partido do Cão com Duas Caudas (MKPP, satírico).
Na atual legislatura, o Fidesz, juntamente com o Partido do Povo Democrata-Cristão (KDNP) detém uma maioria constitucional, com 135 lugares.
O DK conta com 15 deputados, enquanto o movimento Nossa Pátria, que defende a saída da Hungria da União Europeia ('Huxit'), tem seis lugares.
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O que dizem as sondagens?
Sondagens independentes apontam, há mais de um ano, para a vitória de Magyar, mas a diferença em relação a Orbán tem aumentado na reta final da campanha.
Um novo inquérito, do Centro de Investigações 21, divulgado na semana passada, atribuía ao Tisza 56% das intenções de votos dos eleitores que declararam que vão participar nas eleições, enquanto o Fidesz recebia 37%.
Segundo este instituto de sondagens, esta é a maior diferença registada entre os dois partidos.
Na prática, podia traduzir-se em mais 900 mil eleitores para o Tisza, num país com pouco mais de oito milhões de eleitores.
Neste contexto de forte polarização, apenas outro partido poderá ultrapassar o limiar de 5% para entrar no parlamento: o movimento de extrema-direita Nossa Pátria.
Perante este cenário, o parlamento ficaria constituído apenas por forças de direita.
Entretanto, cerca de um quarto dos eleitores ainda estão indecisos.
Analistas têm antecipado uma elevada votação, com cerca de 80% dos votantes a declararem que vão votar.
Como funciona o sistema eleitoral
Os eleitores votam para escolher os 199 lugares da Assembleia Nacional (Országgyulés).
A Hungria tem um sistema eleitoral misto, com 106 deputados eleitos em círculos uninominais e 93 em listas de partidos nacionais.
Nestas contas também entram os votos das minorias.
Analistas advertem que sucessivas alterações às leis eleitorais, aprovadas durante os mandatos de Orbán, prejudicam a oposição.
De acordo com uma explicação do instituto independente de análise política húngaro Political Capital, os eleitores registados com uma morada húngara podem depositar dois votos: um nas listas dos partidos e outro no candidato preferido nos círculos uninominais.
Na prática, as eleições vão ser decididas nestes círculos uninominais: para vencer, um partido precisa de conquistar entre 56 e 58 dos 106 lugares.
Para entrar no parlamento, os partidos precisam de ter pelo menos 5% dos votos — o limiar mínimo sobe para 10% para coligações de dois partidos ou 15% para coligações triplas.
Há ainda que ter em conta o voto das minorias: na Hungria há 13 etnias registadas, que podem votar numa lista da respetiva nacionalidade, em vez das listas nacionais.
Teoricamente, todas as nacionalidades podem conquistar lugares no parlamento, mas na verdade apenas a comunidade roma e os alemães têm uma hipótese real, devido à quantidade de cidadãos dessas minorias.
Para eleger, estas minorias precisam de substancialmente menos votos que os partidos nacionais (cerca de um quarto).
A Political Capital descreve que, nos últimos meses, as inscrições de cidadãos roma disparou, o que o instituto interpreta como um movimento organizado para garantir um eleito que, na prática, será mais um voto no Fidesz, já que o líder da lista roma, István Aba-Horváth, tem demonstrado apoio ao partido no poder.
Os temas que estão a dominar a campanha A principal bandeira de Petér Magyar é o combate à corrupção, neste país considerado o mais corrupto da União Europeia, segundo a organização Transparência Internacional.
Uma corrupção sistémica e violações do Estado de Direito levaram Bruxelas a reter 28 mil milhões de euros de fundos europeus destinados a Budapeste, intensificando o braço-de-ferro entre Orbán e as instituições europeias, que o primeiro-ministro acusa de ingerências externas.
O candidato do Tisza, que goza de maior popularidade entre os jovens e nos centros urbanos, tem realizado uma campanha intensa por todo o país, procurando persuadir os eleitores mais idosos e com menos instrução dos meios rurais, tradicionalmente votantes do Fidesz.
Magyar tem focado o discurso nas questões internas: além do combate à corrupção, a que chama roubo, promete reforçar as instituições democráticas e um sistema judicial independente, uma via para recuperar os fundos suspensos.
Também tem atacado a precária situação da educação, saúde e outros serviços públicos.
📊 Informação Complementar
Já Viktor Orbán, 62 anos, tem insistido que, se o antigo aliado vencer, o país entrará na guerra na vizinha Ucrânia — o que a oposição nega -, enquanto se apresenta como o único capaz de garantir a paz, mas também os preços da energia e dos combustíveis.
Com o plano energético proposto pelo Tisza, avisa, cada família vai perder cem mil forint (cerca de 260 euros) por ano.
Com uma política que intitulou de "democracia iliberal", o primeiro-ministro, há mais tempo no poder entre os países da UE, insiste na soberania nacional, denunciando ameaças de Bruxelas e da Ucrânia, enquanto veta apoios a Kiev ou novas sanções à Rússia.
O líder do Fidesz, anti-imigração, afirma-se como o defensor, na Europa, dos valores tradicionais cristãos.
Ao longo de quatro mandatos consecutivos, é acusado de desgastar o Estado de Direito, concentrar a maioria da imprensa e minar a independência dos tribunais.
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Fonte: noticiasaominuto
05/04/2026 04:34











