“Ele era gente como a gente”, diz Pepito, o mais próximo assessor de Pelé José Fornos Rodrigues lança um livro em que relata as peripécias, entre o riso e o choro, com o rei do futebol Pelé alguma vez pediu um autógrafo para alguém?
Uma amiga muito próxima do Pelé implorou a ele que conseguisse um autógrafo do Roberto Carlos, o cantor.
Em um evento de uma empresa, lá estava o Roberto, sentado à mesa.
O Pelé se aproximou, deu uma caneta e papel.
Que nada — o Roberto chamou um assessor, pegou sua própria caneta e uma outra folha em branco.
Aí, sim, assinou.
Ele levava documentos no bolso?
🌍 O Cenário Atual de veja
Sim, o RG.
Às vezes ele esquecia, então eu tinha uma cópia autenticada.
Pediram alguma vez?
Nunca… Ah, sim, uma vez.
O Pelé, que era barbeiro ao volante, cismou em dirigir.
Foi parado pela Polícia Rodoviária.
Claro que o policial o identificou, mas fez questão de pedir o documento, só pra ver o nome e a foto do Pelé — que, aliás, era “Edison”, como consta na certidão de nascimento, e não “Edson”.
E dinheiro, ele tinha na carteira?
Sim, e cheque.
O contador ficava louco no fim do mês, ao fechar as contas, porque o que o Pelé havia dado como pagamento não coincidia com o que saía da conta bancária.
O que acontecia: em postos de gasolina, os proprietários não descontavam os cheques, e um tempo depois os expunham numa moldura, com a assinatura do rei.
Lembra de alguma cena em especial de comoção com a chegada do Pelé?
Na Itália era sempre impressionante, gente chorando, até beijando os pés dele.
Entre presidentes, reis e rainhas, ele foi o ídolo de infância de muita gente, então a reação era ainda mais extraordinária, sentimental.
Uma vez, em Chicago, antes mesmo de ele jogar nos Estados Unidos, lá pelos idos de 1970, uma menina adolescente caiu em prantos numa sala de aula ao ver o Pelé.
Tiveram até de chamar um médico.
Essa história eu não conto no livro que acabo de lançar, Pelé — O Legado Desconhecido, da editora Trend.
Alguma vez o Pelé tremeu na base, ao encontrar um outro famoso?
Teve um quase encontro.
Foi no Aeroporto Santos Dumont, no Rio.
Fui ao banheiro e deixei o Pelé escondidinho, em um canto, como sempre.
No caminho encontrei o Arnaldo Jabor, que o rei admirava muito.
“Mas, poxa, por que você não me chamou, queria conhecê-lo”, ele me disse.
Nunca se conheceram pessoalmente.
Quando o Jabor morreu, o Pelé disse uma coisa linda: “Esse era o cara que não podia ter morrido”.
Afinal de contas, os governos dos presidentes Médici e Geisel, durante o período da ditadura militar, pressionaram Pelé para disputar a Copa de 1974?
📊 Informação Complementar
Não foi bem assim.
Um dia, em 1973, ele foi chamado para conversar com o então ministro da Educação, o Jarbas Passarinho.
Mandaram até avião.
Pelé foi, mas disse não, tinha decidido não jogar mais pela seleção.
A conversa foi absolutamente tranquila.
Fomos embora da casa do Passarinho e pronto.
O Pelé naquela tarde citou uma frase sábia do pai, o Dondinho: “Melhor parar quando todo mundo quer que continue e continuar quando todo mundo quer que pare”.
Como Pelé será lembrado daqui a 100 anos?
A imagem dele pode ser traduzida por uma cena que me marcou muito.
Um dia, ele decidiu ir sozinho para Nova York.
Disse que não seria boa ideia, mas ele era teimoso, sabe mula quando empaca?
Fomos juntos até o aeroporto.
Me despedi e ele entrou sozinho para os procedimentos da alfândega.
Aí um casal o viu passar e um parceiro disse para o outro: “Olha, ele é gente como a gente”.
Esse será sempre o Pelé, gente como a gente — mas vou dizer, era um E.T.
na Terra.
Publicado em VEJA de 27 de fevereiro de 2026, edição nº 2984
Fonte: veja
02/03/2026 10:37











