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Editorial: ‘O armistício é frágil e o mundo segue preso à lógica da desconfiança e da fragmentação’

1 de novembro de 2025
in ECONOMIA, Internacional, POLÍTICA
Home ECONOMIA
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O mundo suspirou de alívio.

Em Busan, os presidentes dos EUA, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, anunciaram uma “trégua comercial”.

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Por um ano, Washington suspenderá parte das tarifas e Pequim adiará restrições às exportações de terras raras.

Mas a pausa é volátil.

Nada de essencial mudou.

📌 Pontos Principais

A rivalidade sino-americana deixou de ser uma disputa de tarifas para se tornar o eixo de uma nova era – a da interdependência armada.

Trump apresenta o acordo como vitória pessoal, e Xi, como demonstração de força paciente.

Ambos fingem moderação, mas nenhum recua.

Trump precisa de uma foto de estabilidade para o eleitorado que ele mesmo desestabilizou.

Xi precisa mostrar que o Ocidente, dividido e errático, já não dita as regras do comércio global.

O resultado é um armistício temporário entre contendores que se alimentam mutuamente: quanto mais autoritária e autárquica se torna a China, mais nacionalista e protecionista se tornam os EUA.

E vice-versa.

Essa guerra de tarifas, controles e sanções já não é um jogo de soma zero, mas de saldo negativo.

Cada retaliação encarece insumos, fragmenta cadeias e desacelera o crescimento global.

A inflação pressiona, a produtividade cai e a incerteza reina.

O comércio, que já foi instrumento de integração e prosperidade, converteu-se em arma geopolítica – em vez de unir, passou a dividir.

No curto prazo, Pequim parece administrar melhor o conflito.

Ao transformar a interdependência em poder, Xi criou uma rede de coerção sutil: quem quiser semicondutores, baterias ou ímãs raros precisa da China.

Trump usa o mesmo argumento para expandir tarifas e subsídios que distorcem seu próprio mercado.

O efeito é perverso: ao emular a China, os EUA começam a se parecer com ela – menos abertos e inovadores, mais arbitrários.

O país que venceu a guerra fria em nome da liberdade econômica experimenta agora o autoritarismo (mas sem o planejamento da China), o controle (sem a eficiência), o nacionalismo (sem a coesão).

A tentativa de Trump de redesenhar o comércio mundial a golpes de bravata, como se o século 21 fosse um tabuleiro de cassino, é contraproducente: aliados humilhados, empresas desnorteadas e um sistema internacional cada vez mais descrente das instituições criadas pelos próprios EUA.

A era do livre comércio – motor da prosperidade e da democracia nas últimas sete décadas – cede lugar a um mundo de licenças, proibições e chantagens cruzadas.

Pequim, por sua vez, colhe dividendos do caos americano.

Com a retórica inflamada de Trump, Xi Jinping pode apresentar-se como o guardião da estabilidade e da previsibilidade.

Mas se o Consenso de Washington está moribundo, o “consenso de Pequim” não inspira confiança.

O crescimento chinês enfraquece, a repressão se intensifica e a inovação definha sob o peso do controle estatal.

A trégua de Busan é, portanto, o retrato de dois gigantes que perderam o rumo: um tenta reconstruir muros que ele mesmo derrubou; o outro ergue muralhas para esconder suas fragilidades.

Entre essas muralhas, o mundo se estreita.

As instituições multilaterais já não arbitram tensões; alianças se convertem em transações.

O comércio se reconfigura em blocos que competem mais para sobreviver do que crescer.

A fragmentação torna todos mais pobres.

Para países intermediários, o desafio é resistir à lógica da divisão.

📊 Informação Complementar

A América Latina, e especialmente o Brasil, tem algo a ganhar e muito a perder.

Num cenário de tarifas e escassez, o Brasil lucra com a demanda chinesa por soja, carne e minerais críticos.

Mas a vantagem é passageira.

A longo prazo, o País arrisca-se a tornar-se fornecedor cativo de commodities num mundo de cadeias encurtadas, em que o poder se mede não pela abundância de recursos, mas pela capacidade de inovar e negociar com autonomia.

A trégua de Busan é menos o fim de uma guerra que o intervalo entre dois atos.

Sob a superfície de cordialidade, subsiste a mesma lógica de desconfiança e competição existencial.

Trump e Xi não fizeram as pazes, só adiaram o duelo.

O perigo é que, na próxima rodada, o gatilho dispare sozinho – e o mundo descubra que, em tempos de interdependência armada, ninguém ganha.


Fonte: estadao

01/11/2025 09:09

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