A iniciativa surge após uma petição pública lançada no início do mês pela DNL Convergência, distribuidora sediada em Ansião que representa quatro dezenas de editoras independentes, depois de ter sido informada pela Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) de que não participará na 96.ª Feira do Livro de Lisboa, que terá lugar entre os dias 27 de maio e 14 de junho.
De acordo com Pedro Cipriano, responsável pela DNL Convergência / Grupo Editorial Divergência, esta petição, exigindo maior bibliodiversidade e transparência no setor, reuniu “mais de 5.000 assinaturas em tempo recorde”.
Contudo, a distribuidora rejeita entrar em conflito e optou pelo caminho construtivo, procurando uma alternativa que permita às 40 editoras que representa terem um espaço para expor os seus catálogos, promover e vender os seus livros, ainda para mais sendo oriundas de uma das regiões mais afetadas pelo estado de calamidade devido à tempestade Kristin.
📌 Pontos Principais
Na altura em que lançou a petição, a DNL alertou que “o tecido empresarial local enfrenta uma quebra acentuada de faturação e um contexto económico adverso”, criticando a APEL por “retirar o tapete a um dos principais polos de dinamização cultural do interior do país”.
Nesse sentido, Pedro Cipriano afirma que a DNL irá “solicitar [à Câmara Municipal de Lisboa] a cedência de espaço público e apoio logístico para a realização de um ‘palco alternativo’ em locais emblemáticos da cidade, como o Jardim da Estrela, a Ribeira das Naus ou a Praça do Município”.
“A nossa prioridade não é o conflito institucional, mas sim garantir que Lisboa não perde a riqueza cultural que estas editoras e os seus mais de 400 autores representam”, afirma o responsável, em comunicado.
🌍 Contexto e Relevância
Para o coletivo de 40 editoras, esta é uma oportunidade para transformar um impasse burocrático num momento de "inovação para o setor livreiro".
Os promotores da iniciativa propõem que o evento ocorra em moldes “ligeiros e sustentáveis”, e fora das datas da Feira do Livro de Lisboa, para complementar a oferta cultural da cidade sem gerar conflitos de calendário.
Outro dos destaques da proposta que vão apresentar é o "foco na bibliodiversidade", uma vez que o objetivo é "garantir palco a dezenas de pequenas e médias editoras que, apesar de possuírem catálogos ativos e prémios literários, ficaram de fora do Parque Eduardo VII por alegada falta de espaço".
A resposta civil é também um ponto importante a considerar, afirmam, assinalando que "a proposta responde diretamente à expectativa dos 5.000 subscritores da petição, que pedem critérios mais inclusivos na gestão de eventos apoiados pelo erário público".
“O coletivo irá apresentar o projeto detalhado à autarquia, acreditando que ‘Lisboa tem espaço para todos’ e que a CML será o parceiro ideal para viabilizar esta ‘festa do livro independente'”, acrescentou.
Fonte: noticiasaominuto
09/03/2026 16:03











