Os mandados de captura foram emitidos no final de julho de 2025 contra a advogada Nili Kupfer-Naouri, da associação Israel Is Forever, e Rachel Touitou, da organização Tsav 9, no âmbito de uma investigação judicial aberta em Paris, confirmou a mesma fonte, corroborando uma informação avançada pelo diário Le Monde.
De acordo com o jornal francês, as duas mulheres franco-israelitas a residir em Israel estão a ser alvo de processos judiciais instaurados por juízes de instrução franceses, na sequência de queixas apresentadas por organizações de defesa de direitos humanos.
Ambas são acusadas de terem impedido, através das respetivas organizações, a entrega de ajuda humanitária à Faixa de Gaza.
🔍 Detalhes Importantes
Ao avançar, a 16 de janeiro, numa entrevista filmada ao The News — um portal noticioso pró-Israel que publica na rede social X — que era alvo de um mandado de captura emitido por juízes franceses, Nili Kupfer-Naouri confirmou desenvolvimentos de uma investigação judicial aberta em 2025 por cumplicidade em genocídio e incitamento ao genocídio em Gaza.
A investigação incide sobre civis que bloquearam a entrega de ajuda humanitária ao enclave palestiniano durante a guerra conduzida por Israel, na sequência dos ataques terroristas de 07 de outubro de 2023 perpetrados pelo Hamas.
O jornal Le Monde apurou, com confirmação dos queixosos e dos respetivos advogados, que os dois mandados de captura foram emitidos no verão de 2025 contra Nili Kupfer-Naouri, fundadora e presidente da associação Israel Is Forever, que define a sua missão como a “mobilização das forças sionistas francófonas”, e Rachel Touitou, porta-voz do coletivo Tsav 9, que bloqueou repetidamente, em 2024, camiões com destino a Gaza.
🔄 Atualizações Recentes
A associação Israel Is Forever apelou aos apoiantes para participarem nestas ações e mobilizou voluntários.
Os factos, qualificados de “cumplicidade em genocídio”, ocorreram entre 01 de janeiro e 26 de novembro de 2024, bem como em maio de 2025, quando camiões transportando ajuda humanitária destinada aos habitantes de Gaza foram bloqueados, nomeadamente nos postos fronteiriços de Nitzana e Kerem Shalom.
As duas militantes são também suspeitas de "provocação pública e direta" ao genocídio, por apelarem a impedir "o abastecimento dos habitantes de Gaza" e por "os desumanizarem".
💥 Impacto e Consequências
“É a primeira vez que uma jurisdição nacional se pronuncia sobre factos de cumplicidade em genocídio através do bloqueio da ajuda humanitária”, disse à France-Presse (AFP) a advogada Clémence Bectarte, que defende as organizações palestinianas de defesa dos direitos humanos PCHR (Palestinian Center for Human Rights), Al-Haq e Al-Mezan, partes civis nesta instrução judicial.
"Uma etapa jurídica crucial acaba de ser ultrapassada", declararam, por seu lado, estas três associações num comunicado conjunto com Nidal, União Judaica Francesa pela Paz e Urgência Palestina.
“Trata-se de passos importantes rumo ao fim da impunidade total israelita por crimes internacionais cometidos por pessoas com dupla nacionalidade.” “Se manifestar pacificamente com uma bandeira israelita contra o facto de uma organização terrorista se apoderar da ajuda humanitária, desviá-la e revendê-la a preços elevados aos habitantes de Gaza é um crime — então nem vale a pena olhar de cima para os ‘mullahs’, a França é o Irão!
Eu lutarei sempre para defender a verdade, o meu povo e o meu país", reagiu Rachel Touitou na rede social X, indicando à AFP que não pretendia comentar mais.
“Desejo boa sorte à justiça francesa para convencer as autoridades israelitas de que um genocídio foi cometido em Gaza”, acrescentou o advogado Gilles-William Goldnadel, precisando que a cliente se encontra em Israel, mas que arrisca agora ser detida caso viaje para França.
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Fonte: noticiasaominuto
02/02/2026 14:04











