Um homem foi detido, na passada quinta-feira, e acusado de ter transferido cerca de 17 mil euros das contas de uma idosa que tinha acabado de morrer no lar onde o suspeito trabalhava como enfermeiro, em Espanha.
Os Mossos d'Esquadra da unidade de investigação de Eixample, em Barcelona, detiveram Miguel Ángel F., um enfermeiro colombiano de 38 anos, por alegada fraude, conta o La Vanguardia.
O tribunal ordenou ainda que permanecesse em prisão preventiva, depois de saberem que tinha sobre si um mandado de prisão por ter violado uma sentença anterior por violência doméstica.
A investigação encontrou provas de que o enfermeiro teria aproveitado a morte da mulher para lhe furtar o telemóvel e fazer diversas transferências para as suas contas bancárias.
🔍 Detalhes Importantes
Mas como começa a história?
Carmen Clusellas tinha 80 anos quando o seu coração deixou de bater, a 21 de outubro.
Morava há dois anos e meio num luxuoso condomínio residencial para idosos, um conjunto de apartamentos onde cada morador é independente, mas tem acesso a restaurante, enfermagem, capela, ginásio e serviços de receção 24 horas.
Cerca das 10h30 (hora local), como Carmen não respondeu, um enfermeiro entrou em sua casa e encontrou-a já sem vida.
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Perceberam depois que já tinha morrido há várias horas.
A família, ainda em choque, recebeu um telefonema perturbador no dia seguinte.
Os departamentos de prevenção de fraudes dos bancos BBVA e Abanca ligaram para o telefone da mulher, ainda sem saber que tinha morrido, para a informar de atividade suspeita na sua conta.
Da conta do Abanca tinham sido transferidos 10.000 euros e da do BBVA 7.000 euros – com outros tantos pagamentos via Bizum (uma app espanhola semelhante ao MBWay) a terem falhado.
A investigação foi simples.
A conta que recebeu os fundos pertencia ao enfermeiro do lar que tinha dado conta do óbito.
De facto, Carmen, poucos dias antes de morrer, tinha avisado uma amiga que o enfermeiro lhe tinha pedido dinheiro emprestado.
Na sexta-feira, a 17 de outubro, (cinco dias antes da mulher morrer), o suspeito tinha também solicitado um empréstimo de 45.000 euros para abrir o seu próprio restaurante.
Carmen planeava recusar o pedido na segunda-feira, mas no dia seguinte acabou por morrer.
A pedido da família, o tribunal ordenou também uma autópsia para determinar a causa da morte.
📊 Informação Complementar
A análise forense preliminar concluiu que a morte foi natural, não existindo quaisquer sinais de violência ou suspeitas.
O relatório final, que contém a análise toxicológica, chegou ao tribunal ontem e confirmou que Carmen morreu de causas naturais, tendo apenas vestígios de cafeína no organismo.
A residência onde Carmen vivia tinha câmara de videovigilância com detetor de movimento e foi registada a entrada do enfermeiro na casa às 10h33 e novamente às 10h36.
O homem não é visto explicitamente nas gravações, o que pode indicar que tenha adulterado o cartão de memória da câmara e apagado as imagens incriminatórias.
Já as transferências foram feitas, respetivamente, às 8h11 e 8h13.
A administração do complexo afirma que, ao tomar conhecimento do incidente, suspendeu o enfermeiro sem remuneração por quinze dias e, posteriormente, demitiu-o.
"Agimos imediatamente", enfatizaram, ao jornal espanhol.
O homem trabalhava no lar há um ano e nunca tinha apresentado problemas relacionados com o trabalho.
A família de Carmen disse ao mesmo meio que esta "estava com excelente saúde" e que, apenas um dia antes de morrer, tinha assistido a um concerto no Palau de la Música.
Em setembro, para comemorar os 80 anos, organizou um encontro com os companheiros do lar: "Era maravilhosa com as pessoas, e todos os que a conheciam ficavam impressionados", remataram.
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Fonte: noticiasaominuto
10/02/2026 13:09











