O antigo membro dos serviços de informações do Corpo de Fuzileiros Navais dos EUA e agora académico Ben Connable calcula que uma operação para abrir a passagem marítima necessitaria de uma faixa de segurança de “cerca de 600 quilómetros com 40 quilómetros de profundidade”.
Ocupar esta área em território iraniano, acrescentou hoje, durante um ‘webinar’ organizado hoje pelo Instituto do Médio Oriente, sediado em Washington, implicaria ocupar algumas localidades e infraestruturas como estradas e o porto de Bandar Abbas e estabelecer pelo menos um aeródromo.
Na sua leitura, isso envolveria “pelo menos três divisões de infantaria”, ou seja, entre 45 mil a 60 mil soldados, para enfrentar ataques insurgentes e de guerrilha, mobilização que pode demorar cerca de seis meses a ser preparada.
🌍 Contexto e Relevância
"Esta seria uma operação de duração indefinida, teriam de estar preparados para ficar 20 anos", como aconteceu no Afeganistão, avisou o professor adjunto na Universidade de Georgetown.
Connable salientou ainda que, se os Estados Unidos destruírem infraestruturas civis iranianas, vão “herdar essa destruição caso decidam enviar tropas para o terreno, o que implica assistência humanitária, ajuda em caso de catástrofes e, posteriormente, a reconstrução das infraestruturas e a reconstrução do país”.
A intervenção não se resumiria a escoltar petroleiros e cargueiros, mas implicaria atacar posições em terra, neutralizar ameaças de mísseis, drones e minas, e garantir espaço operacional para a travessia dos navios.
💥 Impacto e Consequências
“O Irão é um adversário assimétrico, e por isso esperamos que responda de forma simétrica”, explicou o coronel reformado Ray Gerber, durante o ‘webinar’ intitulado “Mudanças na dinâmica da guerra no Irão: uma análise das perspetivas de intervenção das forças terrestres dos EUA”.
Além de investidas contra as forças invasoras, Gerber antecipa a escalada de ataques a infraestruturas civis de países vizinhos, como centrais de dessalinização de água e instalações petrolíferas, e a ativação das milícias Huthis do Iémen, que podem bloquear o Estreito de Bab el-Mandeb.
"Penso que haveria uma escalada horizontal, e acho que isso apenas aumentaria os custos e provavelmente prolongaria ainda mais a situação", afirmou.
💥 Como noticiasaominuto Afeta o Cotidiano
Na opinião deste analista, os milhares de soldados atualmente destacados na região oferecem sobretudo capacidade de resposta a crises, como incursões específicas, não de campanha prolongada.
"Eles oferecem opções.
São um exemplo da rapidez com que podemos reagir a certas pressões, mas, na verdade, a sua vantagem não reside necessariamente na continuidade", sublinhou.
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Fonte: noticiasaominuto
07/04/2026 14:42











