Alvo da PF, fundador da Reag renuncia a cargo em empresa listada na B3 João Carlos Mansur deixou presidência do Conselho de Administração da Revee, que prometia construir novo estádio do Canindé atualizado Compartilhar notícia Alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, João Carlos Mansur renunciou ao cargo que exercia como presidente do Conselho de Administração da Revee, concessionária de equipamentos públicos em cidades como Belo Horizonte (MG) e Recife (PE), e é listada na B3.
As ações que chegaram a ser vendidas a R$ 30 no ano passado valem R$ 2,34 nesta sexta.
A decisão consta em fato relevante da Revee (RVEE3) divulgado na noite de quarta-feira (14/1), mesmo dia da operação que mirou Mansur, fundador da Reag, fundo de investimentos por trás da Revee.
Também Wisam Kamel Ayache renunciou ao posto de membro independente do Conselho de Administração da Companhia.
🌍 Contexto e Relevância
“Tendo em vista a vacância da maioria dos cargos do Conselho de Administração da Companhia, a Companhia informa que está em andamento o processo de seleção de candidatos para a recomposição desse órgão”, disse a Revee.
“Nesse contexto, a Companhia convocará
assembleia geral de acionistas para deliberar sobre a recomposição do Conselho de Administração em até 30 dias contados da presente data”.
A decisão veio após esta coluna mostrar que, apesar de ter deixado a Reag depois da Operação Carbono Oculto, Mansur seguia como presidente do conselho de administração da Revee.
Conheça mais sobre Mansur e sobre a Revee
Mansur ganhou notoriedade como fundador da Reag Investimentos, depois de trabalhar na estruturação de mais de 200 fundos de investimento.
🔄 Atualizações Recentes
Como conselheiro do Palmeiras, foi quem intermediou o acordo entre o clube e a WTorre para a construção do que hoje é o Allianz Parque.
Pelo negócio, fechou um contrato para receber R$ 75 mil por mês durante o tempo em que duraria a obra.
Ao criar a Revee, convidou Luis Davantel, que havia sido o principal executivo à frente do Allianz, para ser o CEO.
A ideia era replicar o modelo de sucesso, assumindo a gestão de outros complexos esportivos e culturais, montando uma rede de equipamentos do tipo.
O primeiro a entrar na carteira da Revee foi o complexo da “Arena Fonte Luminosa”, em Araraquara (SP), composto pelo estádio de mesmo nome, um dos mais modernos do interior do país, o ginásio Gigantão, utilizado pela equipe de basquete do SESI, e um centro de eventos com capacidade para receber 30 mil pessoas em shows.
Assinada em 2023 pela Revee e pelo então prefeito Edinho Silva (PT), a concessão por 35 anos previa pagamento de R$ 10 milhões à vista e outros R$ 20 milhões em investimentos diretos por parte da Revee.
Enquanto a Reag assumiu a gestão do financiamento da Neo Química Arena, estádio com Corinthians, com a Caixa, a Revee passou a buscar influenciar a gestão de arenas comprando dívidas das construtoras com os bancos.
Foi assim que, em 2023, a companhia passou a deter parte da dívida da Arena do Grêmio, em Porto Alegre.
A fatia comprada por R$ 40 milhões foi vendida no ano passado a Marcelo “Marquespan” Marques pelo dobro, R$ 80 milhões.
O plano era fazer o mesmo com a Arena Fonte Nova, de Salvador (BA), e a Arena das Dunas, de Natal (RN).
📊 Informação Complementar
Em Recife, venceu, no ano passado, a concessão por 35 anos do recém reformado ginásio Geraldão, em um contrato de R$ 209 milhões.
Com o governo de Minas Gerais, assumiu a concessão de uso da Serraria Souza Pinto, em BH, pelos próximos 20 anos, a partir de 2024, se comprometendo com investimentos mínimos de R$ 7 milhões.
Em São Paulo, a Revee é uma das três participantes do contrato que deu origem à Portuguesa SAF.
Pelo acordo, o futebol da Lusa seria gerido (como tem sido) pela Tauá Partners enquanto que a estrutura física do Canindé seria concedida à Revee, que transformaria o estádio em uma “arena” para 50 mil pessoas.
Paralelamente, a Revee foi anunciada pela GL Events, concessionária do Anhembi, como responsável por construir uma arena multiuso próximo à concentração do Sambódromo.
Os dois projetos, juntos, custariam R$ 1 bilhão, segundo a Revee.
Já com o Canindé “fechado para reforma” — o que depois se mostrou uma farsa — e a obra do Anhembi aprovada, a Revee foi lançada na B3 em maio do ano passado, com ações cotadas a R$ 6, valor que chegaria a mais de R$ 30 depois de o conselho presidido por Mansur aprovar um aumento de pelo menos 10 vezes no seu capital social: de R$ 120 milhões para pelo menos R$1,21 bilhão.
Após a Operação Carbono Oculto, em agosto, o preço da ação que é que caiu mais de 10 vezes.
Há dois meses tem fechado sempre abaixo de R$ 3.
Desde então, a operação da Revee tem derretido.
Davantel renunciou aos cargos de vice-presidente do Conselho de Administração e de
diretor presidente e de Relações com Investidores.
Seu substituto neste último cargo, Lucas Dias Trevisan, também renunciou, no fim do ano.
Anunciada em julho, a compra de 40% do capital social do clube de futebol português Marítimo da Madeira Futebol, uma SAD (a SAF dos portugueses) por 15 milhões de euros foi cancelada, assim como o aumento de capital.
À coluna, a GL disse que voltou atrás e “não vai desenvolver o projeto da Arena” com a Revee, como havia anunciado.
A SAF da Portuguesa também já indicou que não conta mais com a Revee no projeto, pausado porque o clube não tem a concessão de boa parte do terreno — enquanto isso não é resolvido, o Canindé foi reaberto.
A ideia é seguir com Davantel, mas a partir de outro CNPJ.
Fonte: metropoles
16/01/2026 15:16











