Os cálculos são do Grupo do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), União Africana (UA), Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento através do seu Escritório Regional para África (PNUD) e Comissão Económica das Nações Unidas para África (CEA) e foram apresentados durante a 58.ª sessão da Comissão Económica para África na cidade marroquina de Tânger.
No documento, frisam que, para alguns países africanos, o impacto da falta de acesso a fertilizantes pode ter consequências mais graves do que a crise dos combustíveis, consequência direta do encerramento quase total do Estreito de Ormuz por parte do Irão, como retaliação pelos ataques dos Estados Unidos e Israel contra o território iraniano.
É pelo Estreito de Ormuz que circula grande parte do petróleo mundial mas também de outras matérias primas.
📊 Fatos e Dados
“O conflito em curso no Médio Oriente representa um grave risco para África, já que a maioria dos países continua a crescer a taxas inferiores às do período pré-pandemia”, indicam no documento, que especifica que a magnitude do impacto nos países africanos varia consoante o seu nível de dependência das importações e das condições do mercado global.
De forma geral, o relatório indica que qualquer interrupção no fornecimento de gás natural liquefeito (GNL) proveniente do Golfo Pérsico afeta a produção de amoníaco e ureia, encarece os fertilizantes e reduz a sua disponibilidade durante a época das plantações, que vai de março a maio, “pressionando assim os preços dos alimentos e afetando duramente as famílias mais vulneráveis em África”.
Por outro lado, África depende, em grande medida, do Médio Oriente para o seu comércio uma vez que esta região representa 15,8% das suas importações e 10,9% das suas exportações.
💥 Impacto e Consequências
O documento também aponta que o conflito pode ser benéfico para alguns países, que poderão “registar benefícios a curto prazo devido aos altos preços das matérias-primas, ao desvio por rotas comerciais alternativas e à reorientação logística”.
A Nigéria é citada como um desses exemplos, podendo beneficiar da subida de preços do petróleo, enquanto Moçambique pode usufruir do impulso do GNL e do maior tráfego pelo porto de Maputo.
Outros portos africanos – como o de Durban na África do Sul, o de Walvis Bay na Namíbia e o porto das Maurícias – também aumentaram a sua atividade devido ao desvio de rotas em redor do Cabo da Boa Esperança.
"No entanto, os analistas alertam que estes benefícios serão desiguais e não compensarão as pressões inflacionistas, fiscais e sobre a segurança alimentar que o continente enfrenta", lê-se ainda no relatório.
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Fonte: noticiasaominuto
03/04/2026 06:19











