‘A gente não sabe o que tem lá dentro’, diz médica sobre canetas emagrecedoras falsas Mulher de 42 anos foi diagnosticada com síndrome de Guillain-Barré após utilizar o medicamento trazido do Paraguai de maneira ilegal Entrevista|Amanda Gdikian*, do R7 LEIA AQUI O RESUMO DA NOTÍCIA Produzido pela Ri7a – a Inteligência Artificial do R7 Uma mulher de 42 anos foi internada em estado grave em um hospital de Belo Horizonte (MG), em dezembro, após ser diagnosticada com síndrome de Guillain-Barré.
A auxiliar administrativa Kellen Oliveira Bretas Antunes teria manifestado complicações devido ao uso de caneta emagrecedora, sem prescrição médica, vinda de forma ilegal do Paraguai.
Segundo familiares da paciente, apresentou dor abdominal, que evoluiu para problemas neurológicos.
A mulher teve, ainda, comprometimento na musculatura e nos movimentos do corpo, além da fala e do funcionamento de órgãos.
Síndrome de Guillain-Barré De acordo com o Ministério da Saúde, Guillain-Barré é uma doença autoimune rara em que o sistema imunológico começa a atacar o próprio corpo, principalmente o sistema nervoso, responsável pelos nervos que conectam o cérebro com outras partes do corpo.
A condição é geralmente provocada por um processo infeccioso anterior e manifesta fraqueza muscular, com redução ou ausência de reflexos.
Relação das canetas emagrecedoras com a síndrome Em entrevista ao R7, a médica endocrinologista Evelise Valadão, do Hospital Moriah, explica que não há nenhum estudo que comprove a relação entre o uso das canetas emagrecedoras com o desenvolvimento de Guillain-Barré.
Porém, segundo ela, o caso muda quando se trata de canetas ilegais, uma vez que não é possível saber o conteúdo do medicamento.
🔍 Detalhes Importantes
As canetas falsificadas, como a gente não sabe o que tem lá dentro, qual é o componente, qual é a mistura de medicações que eles usam, não tenho como afirmar isso.
Teria que fazer um estudo do que tem nessa caneta e avaliar se poderia causar.
A médica faz um alerta sobre uso de medicamentos contrabandeados e sem procedência: “A gente nem sabe como eles são transportados.
São medicamentos injetáveis que, se pegarem calor, umidade, podem causar um quadro de contaminação em pacientes, como já aconteceu de pacientes terem alergias, distúrbios metabólicos.
Então, é um risco muito grande para a saúde.” Proibição da Anvisa A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) alertou que nem todas as canetas emagrecedoras podem ser comercializadas no Brasil.
Segundo o órgão, quando o remédio não é regulamentado, não há informações seguras sobre a procedência e a eficácia dele.
Além disso, existe o risco de o paciente fazer uso de uma substância diferente do princípio ativo informado no rótulo.
Em 21 de janeiro, a Anvisa ordenou a apreensão e proibição da tirzepatida das marcas Synedica e TG.
As restrições também foram determinadas para a retatrutida, — nesse caso, de todas as marcas.
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Confira a entrevista completa com a dra.
Evelise Valadão:
R7 – Quais são os principais riscos do uso de medicamentos para emagrecer sem prescrição médica?
Evelise Valadão – Na verdade, quando um paciente procura emagrecer, ele precisa de um acompanhamento médico, que seria uma orientação quanto à alimentação, atividade física.
Precisa avaliar se esse paciente tem alguma doença, algum problema metabólico e, juntamente com isso, o remédio seria associado.
Então, o paciente fazer uso de medicação sem prescrição médica, ele pode complicar a situação dele, porque às vezes ele pode ter um problema de tireoide e está tomando um remédio para emagrecer.
Às vezes ele pode estar com outras comorbidades e não está focando tratamento nisso.
A gente sempre recomenda que a prescrição seja feita por um médico para segurança do próprio paciente.
Agora, esses medicamentos falsificados, a gente nem sabe o que tem lá dentro, como eles são transportados.
São medicamentos injetáveis que, se pegarem calor, umidade (eles vêm do Paraguai), podem causar um quadro de contaminação em pacientes, como já aconteceu de pacientes terem alergias, distúrbios metabólicos.
Então, é um risco muito grande para a saúde.
R7 – É possível identificar se uma caneta emagrecedora é falsa ou ilegal?
Evelise – Total, porque a caneta verdadeira você vai comprar na farmácia.
O que você não comprar na farmácia é falso, porque o laboratório só vende para farmácia.
Se você comprar de terceiros, em alguns consultórios que a gente também fica sabendo, não é comprar de outros profissionais de saúde.
Não tem como ser do próprio laboratório, então é falso.
R7 – No que consiste a síndrome autoimune?
É possível reverter o quadro?
Evelise – A síndrome de Guillain-Barré é uma doença autoimune que o próprio sistema imunológico vai destruir os nervos periféricos.
Então, o paciente começa com formigamento, fraqueza.
Começa nas pernas e vai subindo.
Geralmente, é causado por uma infecção, de vírus ou bactéria, que teoricamente atingiria o sistema imunológico e causaria todo esse quadro.
É muito raro, mas tem tratamento, um tratamento imunobiológico, e tem casos que podem ficar mais graves, que, se atingir os músculos respiratórios, pode causar uma parada respiratória e o paciente precisaria ser entubado.
É um quadro mais raro, quando a doença já avançou praticamente em todo o corpo.
R7 – O uso de canetas emagrecedoras originais ou falsas pode desencadear a síndrome de Guillain-Barré?
Evelise – A caneta verdadeira, todos os estudos não mostraram nada que remetesse a síndrome de Guillain-Barré.
São feitos vários estudos durante muitos anos, laboratório leva mais de dez anos para desenvolver um medicamento, então eu acredito que não tenha relação nenhuma.
As canetas falsificadas, como a gente não sabe o que tem lá dentro, qual é o componente, qual é a mistura de medicações que eles usam, não tenho como afirmar isso.
Teria que fazer um estudo do que tem nessa caneta e avaliar se poderia causar, porque Guillain-Barré é uma síndrome rara, é uma doença autoimune que o próprio sistema imune destrói os nervos periféricos.
O paciente, ele começa a sentir fraqueza muscular.
Então, é uma situação muito rara, não é comum.
Por isso que fica difícil a gente dizer que foi da caneta, mas teria que fazer um estudo bem específico relacionado a isso.
R7 – É possível prever alguma outra condição de saúde acarretada pelas canetas?
Evelise – Não.
Na verdade, as canetas são super seguras, as verdadeiras, a que você compra na farmácia.
Elas têm proteção renal, proteção cardiovascular, tem vários estudos mostrando o benefício em perda de peso, em diabetes.
Claro que cada paciente tem sua tolerância, tem efeito colateral, mas que poderiam causar um problema para a saúde.
Isso não está descrito em literatura.
R7 – Quais sintomas devem ser motivo de alerta para pacientes que usam esse tipo de medicamento?
Evelise – Como a gente não sabe o que tem na caneta, mas a gente sabe que já tiveram pessoas que passaram mal com a caneta, então eu chamaria atenção para quadros alérgicos.
Quadros gastrointestinais, vômito, diarreia, dor de barriga, dor de cabeça.
📊 Informação Complementar
Tiveram pessoas com distúrbio metabólico, confusão mental, queda de pressão, e teve esse último quadro dessa moça que teve essa fraqueza muscular que foi feito o diagnóstico de Guillain-Barré, mas não se sabe se é por conta da caneta.
Eu acredito que não, mas precisa ser investigado, com certeza.
*Estagiária do R7 sob supervisão de Júlia Ramos, editora
Fonte: r7
30/01/2026 08:21










