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Como, em poucos meses, João Campos perdeu o favoritismo em Pernambuco

31 de maio de 2026
in BAHIA, Brasil, POLÍTICA
Home BAHIA
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Eleições 2026: saiba quais cargos estarão em disputa neste ano
Presidente, governadores, senadores e deputados serão escolhidos pelos eleitores; entenda o papel de cada cargo.

Crédito: Estadão Gerando resumo Apontado até poucos meses atrás como o favorito na disputa pelo governo de Pernambuco, o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) viu sua vantagem sobre a governadora Raquel Lyra (PSD) derreter em um intervalo curto de tempo.

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Impulsionada pela melhora na avaliação de sua gestão, a chefe do Executivo estadual assumiu a dianteira nas pesquisas antes mesmo do início oficial da campanha, levando o adversário a intensificar a pressão por um apoio explícito do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A ascensão de Raquel nas pesquisas já estava nos cálculos de especialistas em opinião pública, visto que o incumbente – aquele que tem a “caneta” na mão – costuma crescer no ano da eleição.

A surpresa foi a rapidez com que esse movimento aconteceu.

Na pesquisa Datafolha desta semana, a governadora aparece à frente do adversário no segundo turno, com 51% das intenções de voto contra 44% do pessebista.

Em comparação com o mês anterior, Raquel cresceu 9 pontos, enquanto João Campos recuou 8.

🧠 Especialistas Analisam estadão

As pesquisas mais antigas ajudam a entender o tamanho da reviravolta.

Em agosto do ano passado, o levantamento da Quaest mostrava o então prefeito do Recife com 31 pontos de vantagem sobre Raquel no primeiro turno.

À época, a governadora enfrentava ceticismo até mesmo entre aliados sobre suas chances de reeleição.

No levantamento mais recente do instituto, do mês passado, a vantagem havia encolhido para apenas 8 pontos.

Na Quaest, a melhora na performance eleitoral de Raquel veio acompanhada de um salto de 11 pontos na aprovação da sua gestão (62%) – e este, segundo especialistas, costuma ser o principal termômetro das chances de reeleição de um governante.

O sociólogo Maurício Garcia, diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Pesquisadores Eleitorais (Abrapel) e ex-diretor regional do Ibope na região Nordeste, cita mais de um fator para explicar a melhora de Raquel Lyra nas pesquisas.

Ele diz que, nos últimos meses, a governadora melhorou a comunicação do governo, azeitou a relação com a Assembleia Legislativa e mostrou resultados à população, com entregas concretas, especialmente na área da segurança pública.

“Pernambuco é um dos Estados mais violentos do País e ela começou a atacar essa questão.

Houve uma contratação, segundo dados do governo, de quase 7 mil agentes de segurança.

É um incremento muito forte”, afirma Garcia, hoje diretor do Instituto Conectar.

Para ele, a governadora soube explorar e dar visibilidade ao investimento.

O especialista conta que os policiais novatos são identificados por bonés da cor laranja e passaram a ser conhecidos pela população como “laranjinhas”, apelido incorporado pela comunicação da gestão.

Na prática, o acessório tornou mais perceptível para a população o reforço do efetivo nas ruas.

Renato Dorgan, CEO do Instituto Travessia e especialista em pesquisas qualitativas, também cita as contratações como um acerto da gestão:
“Ela encheu as ruas do Recife de policiais com boné laranja.

Isso mexe diretamente na sensação de segurança da população.

Em grupos qualitativos que fizemos, as pessoas dizem que melhorou a segurança e que tem mais polícia na rua”, afirma Dorgan.

O CEO do Travessia também associa o avanço de Raquel Lyra nas pesquisas às obras e investimentos realizados no interior do Estado, especialmente em infraestrutura e saneamento, um problema histórico do Sertão e do Agreste pernambucano.

Segundo Dorgan, Raquel ampliou sua influência entre os prefeitos do interior com o apoio do PSD, que filiou mais de 70 gestores municipais no Estado.

📊 Informação Complementar

O movimento ajudou a contrabalançar a força de João Campos na capital, Recife, e na Região Metropolitana.

Garcia e Dorgan convergem em outras duas análises.

A primeira é a de que Raquel conseguiu melhorar a comunicação de sua gestão e a sua imagem pessoal, se mostrando nas redes sociais uma gestora mais carismática e próxima da população, ao mesmo tempo em que passou a explorar com mais frequência símbolos da identidade pernambucana, como a bandeira do Estado.

A segunda é a análise de que João Campos pode ter errado na escolha dos seus candidatos ao Senado, apesar de, até o momento, seus dois nomes estarem liderando a corrida.

O ex-prefeito optou por uma chapa “puro sangue lulista”, com a ex-deputada Marília Arraes (PDT) e o senador Humberto Costa (PT), o que o afasta do eleitorado de centro e centro-direita.

Na chapa de Raquel, as vagas ainda não foram definidas.

São quatro pré-candidatos: Miguel Coelho (União Brasil), Túlio Gadelha (PSD), Eduardo da Fonte (PP) e Fernando Dueire (PSD).

A disputa pelo governo de Pernambuco tem peso estratégico para os planos nacionais do PSB.

O partido, que ocupa a vice-presidência da República com Geraldo Alckmin e manterá o posto na chapa à reeleição, trabalha para se consolidar como a principal força do campo progressista no pós-Lula.

Nesse contexto, vencer o governo pernambucano é tido como fundamental para ampliar a projeção nacional do PSB e de João Campos, que hoje comanda a legenda.

Aliados avaliam que uma vitória fortaleceria o nome do ex-prefeito do Recife como um potencial candidato à Presidência em 2030.

PSB vê juventude de Campos como trunfo As pesquisas qualitativas – que não têm rigor estatístico, mas ajudam a compreender o que está na cabeça do eleitor -, mostram que João Campos é visto como um gestor competente pelos pernambucanos, mas parte dos eleitores o considera ainda jovem para assumir o governo do Estado – o ex-prefeito está com 32 anos.

A ideia da campanha de Campos é usar a sua juventude como um trunfo para enfrentar uma adversária que, segundo o presidente do PSB pernambucano, Sileno Guedes, sofre com a falta de entregas concretas e promessas de campanha não cumpridas.

“O dinamismo que João emprestou para a Prefeitura de Recife e pode emprestar para Pernambuco vai de encontro ao que acontece hoje no Estado, que é lento, sem liderança e sem grandes investimentos”, disse o dirigente.

Campos foi reeleito prefeito de Recife com 78% dos votos e ficou conhecido em todo País por sua desenvoltura nas redes sociais.

A aposta da pré-campanha do PSB para reverter a desvantagem em relação à governadora é o apoio de Lula.

O impasse é se o presidente irá ao Estado apoiar o ex-prefeito ou se ficará neutro para não prejudicar Raquel, com quem também tem boa relação – essa última opção é defendida, segundo o entorno de Campos, pelo ex-ministro da Casa Civil, Rui Costa (PT).

Como mostrou o Estadão, Lula sinalizou a aliados que pretende dar uma declaração de apoio a Campos nos próximos dias.

O entorno de Raquel, contudo, acredita que o presidente não se envolverá na disputa.

Uma prévia desse embate político ocorreu no último Carnaval, quando Lula foi ao Recife curtir a festa e posou ao lado de ambos.

Questionado sobre o tema na sexta-feira, 29, o presidente do PT, Edinho Silva, endossou a aliança de Lula com Campos, mas não fechou as portas para Raquel.

“Em Pernambuco, o presidente Lula nunca omitiu que seu candidato é o João Campos.

Isso para nós está muito claro.

Agora, é evidente que nós não vamos nos negar a dialogar com quem quiser apoiar o presidente Lula”, disse ele em entrevista coletiva após um evento da Fundação Perseu Abramo em São Paulo.

Aliados do ex-prefeito de Recife argumentam que Raquel ficou em cima do muro na eleição de 2022 – ela declarou neutralidade e que agora seria apoiada por bolsonaristas.

“O verdadeiro palanque dele [Lula] é aqui”, disse o ex-presidente do PSB, Carlos Siqueira (PSB), que participou do mesmo encontro que Edinho.

“Lá estão as forças bolsonaristas junto com Raquel”, acrescentou, sem citar diretamente Miguel Coelho, um dos pré-candidatos ao Senado na chapa da governadora e que em 2022 declarou voto em Jair Bolsonaro (PL) e cujo pai foi líder do governo Bolsonaro no Senado.

Sileno Guedes sustenta que o palanque duplo é uma tentativa da governadora “confundir um pouco o posicionamento político dela”.

“Não temos nenhuma dúvida quanto ao palanque do Lula”, disse ele, que também demonstra segurança que Campos conseguirá ultrapassar a governadora na corrida eleitoral.

O foco, de acordo com o dirigente partidário, é levar o pré-candidato a todas as regiões do Estado para conversar com o eleitorado.


Fonte: Estadão

31/05/2026 22:01

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