Em meio a atritos com Senado, Lula segura indicações para agências Planalto avalia ambiente desfavorável na Casa Alta por relacionamento desgastado com Davi Alcolumbre há meses atualizado Compartilhar notícia O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem ao menos uma dezena de indicações para diretorias de agências reguladoras que ainda não avançaram.
Os nomes precisam passar pela aprovação do Senado, em um momento de deterioração na relação entre o Palácio do Planalto e o presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP).
Auxiliares do governo avaliam que o ambiente no Legislativo é desfavorável para esse tipo de votação, já que a tramitação depende de articulação política com Alcolumbre.
A relação entre Lula e o senador se agravou no fim de abril, quando o nome do advogado-geral da União, Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
🔍 Detalhes Importantes
Nos bastidores, integrantes do governo atribuem ao presidente do Senado papel central na derrota — a primeira rejeição a um indicado à Corte em 132 anos.
Alcolumbre nunca escondeu a preferência pela indicação de seu antecessor na presidência do Senado, Rodrigo Pacheco (PSB-MG), para o posto no STF.
Reservadamente, senadores governistas e de oposição afirmam que a derrota de Messias vinha sendo construída desde o ano passado.
Parlamentares relatam que Alcolumbre orientou colegas a votarem contra o nome e chegou a afirmar, em conversas privadas, que “derrotaria esse cara”.
🧠 Análise da Situação
Cabe ao presidente do Senado encaminhar as indicações às comissões e, posteriormente, ao plenário da Casa.
Na prática, a aprovação depende diretamente de articulação com Alcolumbre.
📊 Informação Complementar
Lula tem ao menos 11 vagas abertas ou prestes a vagar em diretorias e presidências de órgãos reguladores, em razão do término de mandatos.
São elas: – Agência Nacional de Mineração (ANM) — duas indicações; – Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) — duas indicações; – Agência Nacional de Cinema (Ancine) — uma indicação; – Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) — uma indicação; – Agência Nacional de Águas (ANA) — uma indicação; – Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) — uma indicação; – Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) — uma indicação; – Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), autarquia antitruste — duas indicações.
Na última quarta-feira (20/5), o Senado aprovou duas indicações de Lula para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM).
Otto Lobo assumirá a presidência da entidade, enquanto Igor Muniz ocupará uma diretoria.
A CVM é responsável por regular, desenvolver e fiscalizar o mercado de capitais brasileiro.
Interlocutores do governo avaliam que o envio de novos nomes deve ocorrer apenas após uma conversa direta entre Lula e Alcolumbre.
Lideranças políticas atuam para viabilizar um encontro reservado entre os dois, na tentativa de reduzir a tensão.
Aliados do presidente defendem a manutenção do diálogo com a cúpula do Senado para garantir o avanço de pautas de interesse do governo.
Segundo relatos, há disposição de ambos os lados para uma reunião presencial.
Lula e Alcolumbre estiveram juntos recentemente em eventos públicos, mas com pouca interação.
O episódio mais recente ocorreu na posse de Odair Cunha no Tribunal de Contas da União (TCU), na quarta-feira, quando os dois trocaram apenas cumprimentos formais.
Situação semelhante já havia ocorrido na posse de Nunes Marques na presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), primeiro encontro após a rejeição de Messias.
Na ocasião, evitaram contato direto e demonstraram desconforto.
Indicações no BC
– Atualmente, há duas diretorias vagas no Banco Central: a de Organização do Sistema Financeiro e a de Política Econômica.
Os ex-diretores Renato Dias de Brito Gomes e Diogo Abry Guillen deixaram os cargos em 31 de dezembro de 2025.
– Até o momento, Lula não fez acenos aos próximos indicados para compor o quadro de diretores da autoridade monetária e o Comitê de Política Monetária (Copom).
– A lei da autonomia do BC estipula mandatos fixos de quatro anos para todos os membros da diretoria.
Insistência em Messias
Lula tem sinalizado a aliados que pretende indicar novamente Jorge Messias ao STF.
Regras internas do Senado, no entanto, impedem que um nome rejeitado pela Casa volte a ser analisado no mesmo ano.
O Ato da Mesa nº 1 de 2010 do Senado veda essa possibilidade.
O artigo 5º da norma diz: “É vedada a apreciação, na mesma sessão legislativa, de indicação de autoridade rejeitada pelo Senado Federal”.
Na prática, isso significa que eventual reapresentação do nome do ministro Jorge Messias ao STF somente poderia ocorrer a partir de fevereiro de 2027, com o início de nova sessão legislativa.
Pessoas próximas ao presidente defenderam a escolha de outro indicado, mas Lula tem demonstrado resistência em recuar.
No Senado, aliados do governo avaliam que insistir em Messias pode consolidar uma nova derrota e ampliar ainda mais o desgaste com a cúpula da Casa.
Fonte: Metrópoles
24/05/2026 09:52











