Flávio é cavalo que incorpora clã Bolsonaro, já aliados avaliam se pode ficar tóxico até as eleições Carlos Andreazza analisa a situação do senador Flávio Bolsonaro e o tipo de influência que pode ter nas eleições de 2026 após se ver envolvido no Caso Master.
Crédito: TV Estadão
As relações entre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, vêm dominando a internet.
O assunto já alcançou 2,73 bilhões de visualizações nas redes sociais desde que o site Intercept Brasil revelou uma conversa entre o presidenciável do PL e o banqueiro.
🌍 Contexto e Relevância
O dado faz parte de um levantamento produzido pela newsletter Ebulição, da Agência Lupa, obtido pela Coluna do Estadão, que monitorou as narrativas digitais após o vazamento dos áudios.
O pico de engajamento aconteceu em 14 de maio, um dia depois da publicação da primeira reportagem, quando o tema engajou 1,35 milhão de usuários no assunto.
‘Narrativa de vingança’ e ataque a jornalistas Antes do início da crise na pré-campanha bolsonarista, Flávio Bolsonaro tinha cerca de 100 mil menções diárias no X e no YouTube, que saltaram para 632 mil publicações em apenas 24 horas.
🧠 Análise da Situação
Segundo o levantamento da Lupa, o sentimento negativo associado ao senador também aumentou: foi de 45% para 56,6%.
Nos dias seguintes às revelações, no entanto, a narrativa mudou, e o foco passou a incluir ataques ao Intercept Brasil e a jornalistas e instituições ligadas à divulgação do caso.
O levantamento da newsletter aponta que a “narrativa de vingança” ganhou força especialmente em 17 de maio, três dias depois de o caso se tornar público.
📌 Pontos Principais
Na ocasião, apenas no X, o assunto concentrou média diária de 69 mil usuários engajados.
No Telegram, aplicativo amplamente utilizado por bolsonaristas, mensagens com ataques circularam em ao menos três grupos monitorados pela Lupa, que ultrapassam os 30 mil participantes.
Para Cristina Tardáguila, gerente de inovação e formação da Agência Lupa, o caso Flávio-Vorcaro mostra como crises políticas podem evoluir para disputas de narrativas e credibilidade da imprensa.
“Depois do impacto inicial dos áudios, observamos um movimento muito forte de reorganização narrativa nas redes.
Parte significativa da mobilização digital passou a atacar os mensageiros e questionar a legitimidade da cobertura jornalística, numa tentativa de deslocar o centro da discussão e mobilizar emocionalmente diferentes audiências”, avaliou à Coluna.
Menções a ‘perseguição política’ e ‘vazamento seletivo’ ganharam força O monitoramento também identificou forte circulação de conteúdos que tentavam enquadrar o caso envolvendo Flávio Bolsonaro como “perseguição política” e “vazamento seletivo”.
Também houve uma tentativa nas redes de passar adiante o desgaste político e associar o banqueiro Daniel Vorcaro ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Tardáguila alerta que as redes sociais aceleram não só os fatos, mas a “disputa por versões”.
“Hoje, compreender uma crise política exige acompanhar como grupos organizados tentam reinterpretar eventos, produzir engajamento e influenciar percepções públicas em tempo real”.
Fonte: Estadão
23/05/2026 08:35











