Pessoa contaminada por hantavírus fora de navio coloca França em alerta sanitário Um habitante da pequena cidade de Concarneau, no noroeste da França, que não estava a bordo do navio de cruzeiro, mas teve contato com o hantavírus, foi transferida nesta terça-feira (12) para o Hospital Universitário de Rennes, a 350 quilômetros a oeste de Paris.
O governo francês adotou medidas de isolamento mais rígidas, em meio ao aumento do temor da população diante da possível propagação do vírus.
“Acabei de receber a confirmação de que a pessoa está sendo transferida nesta manhã para o Hospital Universitário de Rennes”, afirmou Quentin Le Gaillard, prefeito de Concarneau, cidade portuária de 20 mil habitantes localizada a 550 quilômetros a noroeste de Paris, onde vive a pessoa transferida.
O prefeito ressaltou que não conhece a identidade nem as circunstâncias do contato com o vírus.
🔍 Detalhes Importantes
"Por enquanto, trata-se apenas de uma exposição: uma pessoa que esteve em contato com alguém portador do vírus.
Portanto, não há motivo para pânico; estamos falando de um único caso que foi contido", declarou à AFP por telefone.
Segundo Le Gaillard, a população reagiu com relativa tranquilidade à notícia da possível contaminação.
"As pessoas sentem que a situação está sendo tratada de forma muito eficaz pelas autoridades de saúde, pelo Estado e também pela prefeitura", acrescentou.
📌 Pontos Principais
Após a confirmação de uma pessoa contaminada entre os cinco passageiros franceses que estavam a bordo do navio MV Hondius, a França endureceu os protocolos de isolamento para casos de contato e anunciou uma “quarentena hospitalar reforçada” para todos aqueles que tiveram contato com uma pessoa infectada.
A francesa que estava no cruzeiro e apresentou sintomas durante o voo de repatriação testou positivo e está internada em um hospital de Paris.
Os outros quatro passageiros da França tiveram resultado negativo, mas continuarão isolados no mesmo hospital, segundo o jornal Le Figaro.
O Ministério da Saúde informou na segunda-feira a identificação de 22 pessoas expostas ao vírus: oito passageiros do voo de 25 de abril entre Santa Helena e Joanesburgo e outras 14 pessoas que estavam no voo Joanesburgo-Amsterdã no mesmo dia.
A ministra da Saúde, Stéphanie Rist, realizará uma coletiva de imprensa nesta terça-feira às 16h45 em Paris (11h45 em Brasília), acompanhada por epidemiologistas e pelo diretor da Saúde Pública da França, anunciou seu gabinete.
Três pessoas que viajaram a bordo do Hondius morreram.
📊 Informação Complementar
Em dois casos, a OMS confirmou infecção por hantavírus; o terceiro é tratado como caso provável.
A variante identificada no MV Hondius do hantavírus dos Andes é uma cepa rara, capaz de ser transmitida entre humanos e com período de incubação de até seis semanas.
A doença pode provocar síndrome respiratória aguda e tem taxa de letalidade superior a 40%, segundo especialistas.
Medo da propagação
O temor da disseminação do hantavírus domina as manchetes dos principais jornais franceses nesta terça-feira.
"Hantavírus: a contaminação pode se espalhar?", questiona Le Figaro em sua capa.
A publicação destaca que as informações disponíveis até agora justificam as medidas rigorosas adotadas pelas autoridades sanitárias.
A cepa Andes, detectada no cruzeiro, pode causar complicações cardiopulmonares e apresenta letalidade média de 40%.
"A França em alerta diante do hantavírus", estampa o diário econômico Les Echos.
Segundo o jornal, a crise sanitária pode se prolongar por semanas na França e em outros países, já que passageiros contaminados a bordo do navio retornaram para os Países Baixos, Reino Unido, Suíça e Estados Unidos.
O diário também destaca que, além dos passageiros contaminados, a França monitora outros 22 casos de pessoas expostas ao vírus.
O La Croix publicou uma reportagem especial para responder às principais dúvidas sobre a doença.
O jornal ressalta que a situação não pode ser comparada à pandemia de Covid-19, sobretudo porque o hantavírus apresenta menor transmissibilidade.
Em entrevista ao diário, o infectologista Emmanuel Piednoir afirmou, no entanto, que a doença é mais grave e representa mais uma "ameaça individual do que de saúde pública".
Já o Le Parisien reuniu em dez pontos "tudo o que se sabe" sobre o hantavírus.
O jornal explica que os primeiros sintomas se assemelham aos de uma gripe, com febre leve, mas o quadro pode evoluir rapidamente para insuficiência cardiorrespiratória.
A reportagem também lembra que ainda não existem medicamentos ou vacinas contra o hantavírus.
RFI e AFP
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Fonte: Terra
12/05/2026 06:31











