Andreza MataisColunas Farra da hora extra na Câmara: grupo de “vips” recebeu R$ 9,3 milhões Grupo de servidores concursados em altos postos da Câmara coletou R$ 9,3 milhões somente com horas extras desde 2016 atualizado Compartilhar notícia Um grupo de 13 servidores concursados em altos postos da Câmara dos Deputados recebeu R$ 9,3 milhões apenas em horas extras da Casa desde 2016, em valores corrigidos pela inflação.
Como mostrou a coluna, um pequeno grupo de servidores da Casa, em posições de direção, passou a ter ganhos extraordinários com as horas extras pagas pela Câmara, frequentemente acima de R$ 20 mil ou mesmo R$ 30 mil mensais.
Por ser considerada uma verba “extraordinária”, esse tipo de pagamento está fora do Teto Constitucional, que limita os ganhos de servidores públicos.
💥 Impacto e Consequências
Para alcançar esse valor, os servidores teriam que trabalhar até o limite de horas extras permitidas durante a semana e ainda dar expediente aos fins de semana e feriados.
O levantamento foi feito com base em raspagem de dados públicos da própria Câmara, que disponibiliza as informações sobre os contracheques dos servidores em seu site.
O grupo de 13 servidores representa aqueles que receberam os maiores valores em horas extras desde 2016.
🌍 Contexto e Relevância
O maior valor foi recebido pelo advogado-adjunto da Casa, Daniel Borges de Moraes: R$ 1.062.774,22.
Em 2025, foram R$ 174,6 mil em horas extras.
O levantamento mostra que o recebimento de valores elevados em horas extras é mais antigo: em 2019, por exemplo, foram R$ 150,3 mil.
📊 Fatos e Dados
Os valores de anos anteriores foram corrigidos pela inflação usando o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O segundo maior recebedor de recursos nesse período foi o atual diretor-geral da Câmara, Guilherme Barbosa Brandão, com R$ 823,9 mil recebidos desde 2016.
Em 2025, o servidor recebeu R$ 160,7 mil em horas extras, atrás apenas de Daniel Borges de Moraes.
Guilherme Brandão é diretor-geral da Câmara desde agosto de 2025, indicado pelo presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Ele foi alçado ao cargo para substituir Celso de Barros Correia Neto, o diretor-geral anterior, ligado a Arthur Lira (PP-AL).
Brandão é servidor concursado da Câmara há mais de 12 anos.
No organograma da Casa, o diretor-geral é o responsável pelo funcionamento administrativo da instituição.
Na sequência, aparecem outros servidores em posições estratégicas da Casa.
Câmara: diretores cumprem “jornada extenuante” Em nota à coluna, a Câmara dos Deputados disse que os servidores mencionados recebem horas extras em função de “jornada semanal extenuante, ordinariamente superior a 40 horas” e que a frequência dos servidores tem “registro obrigatório em sistema eletrônico biométrico, tanto durante os dias úteis quanto aos fins de semana”.
“Ressalte-se que não há pagamento de serviço extraordinário sem a devida justificativa formal, prévia autorização e o correspondente registro biométrico no sistema de ponto eletrônico.
A realização de serviço extraordinário por esses servidores observa rigorosamente todos os requisitos estabelecidos na Lei nº 8.112/1990, bem como os normativos internos da Câmara dos Deputados”, diz o texto.
Fonte: metropoles
17/04/2026 10:14











