Com guerra, Copom desiste de projetar novo corte de juros no Brasil Órgão do Banco Central considera que eclosão do conflito no Oriente Médio trouxe “forte aumento da incerteza” para a economia mundial atualizado Compartilhar notícia O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central (BC), não deu novas indicações sobre a perspectiva de cortes de juros no Brasil, no comunicado divulgado nesta quarta-feira (18/3), no qual anunciou a redução da taxa básica, a Selic, de 15% para 14,75% ao ano.
O principal motivo da ausência de uma estimativa foi a eclosão da guerra no Oriente Médio, envolvendo Estados Unidos e Israel contra o Irã.
No comunicado, o Copom afirma que o cenário criado pelo conflito resultou em “forte aumento da incerteza” na economia global.
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Com isso, a projeção de novos cortes da Selic fica comprometida.
Diz o órgão do BC: “O Comitê reafirma serenidade e cautela na condução da política monetária, de forma que os passos futuros do processo de calibração da taxa básica de juros possam incorporar novas informações que aumentem a clareza sobre a profundidade e a extensão dos conflitos no Oriente Médio, assim como seus efeitos diretos e indiretos sobre o nível de preços ao longo do tempo”.
Mudança de tom
A nota divulgada depois da última reunião do Copom, no dia 28 de janeiro, foi redigida em outro tom.
🌍 Contexto e Relevância
Na ocasião, os integrantes da cúpula do BC anteviam, em se confirmando o cenário esperado, “iniciar a flexibilização da política monetária no próximo encontro”.
De fato, o corte de 0,25 ponto percentual foi feito, mas as chances de novas projeções foram comprometidas pela guerra.
Ainda em função do conflito, o Copom diz no comunicado que o ambiente externo se tornou mais incerto, com reflexos nas condições financeiras globais.
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“Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, aponta o texto.
Projeções em alta
Na comparação entre as notas divulgadas em janeiro e nesta quarta-feira, houve piora nas projeções sobre a elevação dos preços no mercado nacional.
As expectativas de inflação para 2026 e 2027, apuradas pela pesquisa Focus (levantamento semanal feito pelo BC com economistas do mercado) permanecem em valores acima da meta, situando-se em 4,1% e 3,8%, respectivamente.
Em janeiro, elas estavam em 4,0% e 3,8%.
Mais importante foi a mudança da projeção de inflação feita pelo próprio do Copom para o terceiro trimestre de 2027, atual horizonte relevante de política monetária.
Ela era de 3,2% e passou para 3,3%.
A mudança numérica é pequena, o problema é o sentido de alta da estimativa.
Note-se que o mencionado “horizonte relevante” é o período que o BC define para que suas decisões sobre juros, quer elevações, quer cortes, tenham efeito real e máximo na inflação.
Fonte: metropoles
18/03/2026 21:59











