A diretora regional adjunta para o Médio Oriente e Norte de África da Amnistia Internacional, Kristine Beckerle, afirmou a propósito, num comunicado, que “os civis no Líbano estão, mais uma vez, a ser obrigados a fugir em massa por um Exército que repetidamente demonstrou a intenção de infligir danos significativos à população civil, através de ataques ilegais em rondas anteriores de combates”.
Nos últimos quatro dias, o Exército israelita emitiu ordens de evacuação de mais de 100 aldeias e cidades do sul e leste do Líbano e de toda a zona sul de Beirute.
Kristine Beckerle defendeu que “os avisos excessivamente amplos que abrangem vastas áreas do Líbano não constituem garantias eficazes de proteção”, porque “não fornecem informações significativas sobre onde ou quando as Forças Armadas israelitas poderão atacar e não oferecem aos civis o nível de orientação necessário para tomarem decisões informadas sobre se devem fugir ou por quanto tempo”.
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Além disso, acrescentou, "muitos civis, entre os quais idosos, crianças e pessoas com deficiência, não podem fugir, ou podem não ter nenhum local seguro para onde ir".
Segundo a responsável da Amnistia, “emitir ordens de evacuação generalizadas não concede ao Exército israelita o direito de tratar estas áreas como zonas de fogo aberto, nem isenta Israel das suas obrigações – ao abrigo do Direito Internacional Humanitário – de proteger os civis e tomar todas as precauções viáveis para minimizar os danos aos civis, onde quer que estejam”.
Mas foi isso mesmo que o Exército israelita fez, por exemplo, “nas 24 horas desde a ordem de evacuação dos subúrbios do sul de Beirute: realizou repetidos ataques aéreos, muitos sem aviso prévio”, apontou, acrescentando que “a impunidade absoluta de que Israel tem usufruído após rondas anteriores de combates abriu caminho para que tais violações do Direito Internacional se repetissem, colocando, mais uma vez, os civis em grave risco”.
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"Instamos as partes em conflito a cumprir suas obrigações nos termos do Direito Internacional Humanitário, a proteger os civis e a abster-se de ataques ilegais", vincou.
A 02 de março de 2026, o movimento xiita libanês Hezbollah lançou uma série de ataques contra Israel em resposta ao assassínio do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, numa ofensiva dos Estados Unidos e de Israel ao Irão.
Entre 03 e 06 de março, as Forças Armadas israelitas emitiram uma série de ordens de evacuação, instruindo os residentes de cidades e aldeias no sul do Líbano e em zonas do Vale de Bekaa a abandonar as suas casas.
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Entre elas, uma de 05 de março, na qual ordenaram que toda a população que vivia a sul do rio Litani partisse "imediatamente, para sua segurança".
Segundo o Conselho Norueguês para os Refugiados, menos de 100 horas após a escalada do conflito israelita com o Hezbollah no Líbano, mais de 300.000 pessoas tinham sido deslocadas em todo o país.
A 06 de março, o Centro de Operações de Emergência de Saúde Pública libanês, afeto ao Ministério da Saúde Pública, anunciou que 217 pessoas tinham sido mortas e 798 feridas desde a escalada dos combates, a 02 de março, e que mais de 110.000 dos deslocados se encontravam em abrigos coletivos.
O mais recente balanço do Ministério da Saúde libanês, hoje divulgado, indicou que os ataques israelitas no Líbano provocaram pelo menos 486 mortos e 1.313 feridos desde o início da mais recente ofensiva.
Antes disto, em outubro de 2023, o Hezbollah e Israel envolveram-se em fogo cruzado transfronteiriço após o grupo ter atacado o norte de Israel, em solidariedade com o movimento islamita palestiniano Hamas, alvo de uma guerra na Faixa de Gaza na sequência de um atentado perpetrado em território israelita.
“Desde outubro de 2023, a Amnistia Internacional documentou os ataques ilegais de Israel contra civis e alvos civis, o uso de fósforo branco e a vasta destruição nas aldeias fronteiriças do Líbano, bem como os repetidos disparos de morteiros não-guiados do Hezbollah contra áreas civis em Israel”, sustentando que “todos devem ser investigados como crimes de guerra”.
Fonte: noticiasaominuto
09/03/2026 18:25











