Impeachment de Dias Toffoli: Senado está diante de tempestade perfeita
Além de aparecer enrolado nas teias do Banco Master, ministro enfrenta problemas com os três Poderes.
Crédito: TV Estadão Gerando resumo SÃO PAULO E BRASÍLIA – O fundo de investimentos usado pelo dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para comprar parte da participação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli no resort Tayayá movimentou R$ 35 milhões, segundo extratos obtidos pelo Estadão.
As datas dos aportes, feitos pelo cunhado do banqueiro, o pastor Fabiano Zettel, são simultâneas à costura da sociedade entre o fundo e a empresa do ministro.
Também batem com mensagens obtidas pela Polícia Federal em que Vorcaro pediu a Zettel que fizesse aplicações milionárias no empreendimento e ainda disse que estava sendo cobrado pelos repasses, como revelou o Estadão.
Em nota divulgada anteriormente, o ministro negou ter recebido pagamentos de Vorcaro ou ter relação de amizade com o banqueiro (leia ao final).
Procurado no sábado, 14, ele não se manifestou.
Depois da publicação da reportagem, a equipe do ministro enviou uma nota à reportagem em que afirma que a única operação ocorrida entre a Maridt e o fundo Arleen foi a venda de parte da participação no grupo Tayaya em setembro de 2021 (leia ao final).
A defesa de Vorcaro também não respondeu aos questionamentos.
Os advogados de Fabiano Zettel disseram que não irão se manifestar.
🧠 Análise da Situação
O espaço segue aberto.
O cruzamento entre as mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro e os extratos ajudam a reconstruir a linha do tempo das transações financeiras entre o fundo ligado ao banqueiro e o resort de luxo que teve o ministro como sócio.
Como revelou o Estadão, o pastor da igreja Lagoinha Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, era o único cotista do fundo de investimentos Leal, administrado pela Reag Investimentos – também investigada pela PF no caso Master.
O Leal, por sua vez, é o único cotista do fundo Arleen, usado para comprar a participação da família Toffoli no resort no Paraná.
No dia 27 de setembro de 2021, o Arleen passou a ser sócio das empresas Tayaya Administração e DGEP Empreendimentos, que são a gestora e a incorporadora dos terrenos onde foi construído o Tayayá em Ribeirão Claro, no Paraná.
Nessa data, o fundo adquiriu metade da participação de R$ 6,6 milhões em capital social da Maridt S.A.
– empresa de Toffoli – nessas duas companhias, ou seja, no resort.
Porém, os R$ 3,3 milhões em capital social comprado pelo fundo não representam, nem de longe, o tamanho real do negócio com os irmãos Dias Toffoli.
Esse é o dinheiro que o fundo usou para adquirir sua parte do controle da empresa junto a outros sócios.
São apenas recursos que sócios colocam à disposição da empresa para eventuais necessidades e também para simbolizar o tamanho de sua fatia na companhia.
Ao comprar essa participação, o Arleen adquiriu também uma parte do empreendimento, que é avaliado em mais de R$ 200 milhões.
No total, documentos mostram que o fundo investiu R$ 35 milhões no resort – no qual a Maridt, empresa de Toffoli, possuía participação societária.
Segundo os extratos obtidos pela reportagem, nos dias 28 de outubro de 2021 e 3 de novembro do mesmo ano, Fabiano Zettel fez aportes de R$ 15 milhões e de R$ 5 milhões no fundo Leal.
Nas mesmas datas, o Leal aplicou R$ 14.810.038,35 e R$ 4.936.679,35 no FIP Arleen.
Em janeiro, quando o Estadão revelou que Zettel era o cotista do fundo Leal, o pastor afirmou ter deixado o fundo em 2022.
Os papéis do próprio Leal e as mensagens com Vorcaro mostram que, na verdade, ele continuou como cotista e manteve aportes no Tayayá por meio do fundo.
Em maio de 2024, Vorcaro perguntou por mensagem de WhatsApp a Zettel sobre a situação dos repasses ao resort do ministro.
“Você não resolveu o aporte do fundo Tayayá?
Estou em situação ruim”, escreveu o banqueiro.
O cunhado respondeu: “Te perguntei se poderia ser semana que vem e você disse que sim”.
Cunhada de Toffoli diz que marido nunca foi dono de resort: ‘Sócio?
Olha minha casa’
Casa de irmão de ministro do STF, relator do caso Master, aparece como sede de empresa que vendeu a fundo de cunhado de Vorcaro parte de resort no Paraná.
Crédito: Pedro Augusto Figueiredo e Taba Benedicto/Estadão
Depois disso, Zettel apresentou a lista de pagamentos para Vorcaro aprovar.
Nessa lista, constava em uma das linhas: “Tayaya – 15″.
Para a PF, tratava-se do repasse de R$ 15 milhões ao empreendimento.
Vorcaro respondeu: “Paga tudo hoje”.
Em agosto de 2024, Vorcaro novamente relatou ao cunhado as cobranças pelos pagamentos.
“Aquele negócio do Tayayá não foi feito?”, perguntou o banqueiro.
Zettel respondeu que já tinha transferido o recurso para o intermediário responsável por efetivar o pagamento, mas que o aporte final dependeria dessa pessoa.
Por causa disso, Vorcaro se irritou.
“Cara, me deu um puta problema.
Onde tá a grana?”, perguntou ao cunhado.
Zettel respondeu: “No fundo dono do Tayayá.
Transfiro as cotas dele”.
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Para prestar contas diante das cobranças, Vorcaro pediu a Zettel que levantasse todos os aportes realizados no Tayayá.
“Me fala tudo que já foi feito até hoje”.
Zettel, então, respondeu: “Pagamos 20 milhões lá atrás.
Agora mais 15 milhões”.
Nas conversas, Vorcaro não explica quem era o responsável pelas cobranças feitas a ele pelos repasses.
Os extratos obtidos pelo Estadão mostram que Zettel aportou R$ 15 milhões no dia 8 de julho de 2024 no fundo Leal.
No entanto, de fato, o Arleen não recebeu o mesmo aporte do Leal na mesma época.
Somente no dia 10 de fevereiro de 2025 o fundo Leal aportaria exatos R$ 14.521.851,17 no Arleen.
No dia 21 do mesmo mês, a Maridt S.A., do ministro Dias Toffoli, vendeu o restante de sua participação na incorporadora e na administradora do Tayayá à PHB Holding, empresa do advogado Paulo Humberto Barbosa, que já prestou serviços para a JBS.
Na quinta-feira, 12, um dia após vir à tona a existência de um relatório da PF com conversas e menções a Toffoli no celular de Vorcaro, o ministro deixou a relatoria do caso Master no Supremo.
O inquérito foi redistribuído e agora está nas mãos do ministro André Mendonça.
Toffoli nega recebimento de Vorcaro Em nota divulgada após a PF ter apresentado o relatório ao STF, Toffoli admitiu ter recebido dividendos da empresa Maridt, que tinha participação nos resorts, mas negou ter recebido pagamentos de Vorcaro.
Leia a íntegra da manifestação: “A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil.
Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro.
De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
Depois da publicação da reportagem, a equipe de Toffoli encaminhou a seguinte nota à reportagem:
A única e exclusiva operação ocorrida entre a Maridt Participações S.A.
📊 Informação Complementar
e o Fundo Arleen foi a venda de parte de sua participação no grupo Tayayá Ribeirão Claro, realizada em 27 de setembro de 2021, a valor de mercado.
Não houve, após essa data, nenhum outro recebimento de recursos pela Maridt, direta ou indiretamente, do referido fundo.
O ministro Dias Toffoli reitera que jamais recebeu qualquer valor de Daniel Vorcaro ou de seu cunhado Fabiano Zettel.
Fonte: estadao
15/02/2026 21:01











