"Aquele anúncio não vale nada.
Vou tomar que medidas?
Aquele anúncio não vale nada, o que posso fazer é esclarecer as pessoas”, disse António Muchanga, ex-deputado, questionado pela Lusa sobre as medidas a tomar face à decisão anunciada hoje por aquela formação política.
📊 Fatos e Dados
A Renamo, que perdeu nas eleições de 2024 o estatuto histórico de líder da oposição, agravando a contestação interna ao líder do partido, Ossufo Momade, anunciou hoje a suspensão imediata de António Muchanga de membro do partido, por violar os estatutos da organização política.
“Atendendo à gravidade, conduta reiterada e impacto público das infrações, o Conselho Jurisdicional Nacional delibera suspender o senhor António Muchanga da qualidade de membro do partido Renamo, com efeitos imediatos até nova decisão em contrário”, anunciou em conferência de imprensa o 1.º vogal do Conselho Jurisdicional da Renamo, Edmundo Panguene, em Maputo.
Para António Muchanga, o Conselho Jurisdicional da Renamo não tem competência para o suspender, considerando que se trata de uma tentativa de ameaça aos que contestam a liderança de Ossufo Momade e que se reuniram recentemente.
💥 Impacto e Consequências
"Se Ossufo quer lutar pela unidade do partido, o caminho que tem de seguir não é este.
Agora, se ele quer rutura no partido, continua assim.
Ele vai ficar com os símbolos e nós vamos ficar com os membros", declarou Muchanga, referindo que a sua suspensão só vai fortalecer o grupo.
🌍 Contexto e Relevância
Questionado pela Lusa sobre um possível afastamento do partido devido à suspensão, o ex-deputado afirmou que está de "pedra e cal" na Renamo, apesar da "relação azeda" com a liderança.
"Quem me trouxe na Renamo não foi Ossufo, nem foi a pessoa que foi ler [o anúncio da suspensão].
Renamo é coração meu, então eu estou de pedra e cal na Renamo, independentemente da minha relação azeda com os atuais dirigentes”, frisou Muchanga, referindo não ter sido notificado antes pelo partido e que não pode ser proibido de fazer comentários sobre qualquer coisa, até por ser “comentador das televisões”.
"Quando a televisão coloca uma questão da Frelimo eu comento, quando coloca questão do Anamola comento, agora porque é que vou negar de comentar assuntos da Renamo?
O que eles queriam era, quando chegássemos ao assunto da Renamo, porque o presidente é inoperacional, está a destruir o partido, então eu devia me abster?
Não posso fazer isso", concluiu.
António Muchanga defendeu no sábado a saída de Ossufo Momade da liderança, acusando-o de “falta de ideias” e de não realizar reuniões regulares conforme os estatutos da formação, pedindo união para tirar o presidente do partido do poder.
A suspensão, segundo a Renamo, surge em resposta às declarações sistemáticas do ex-deputado em órgãos de comunicação social nacionais, plataformas digitais e encontros informais, nas quais “ataca frontalmente a liderança legitimamente constituída”, expondo matérias internas e conflitos partidários ao espaço público.
Muchanga ficou ainda proibido de usar o nome, símbolos, imagens, estruturas ou património político e sedes do partido, assim como está suspenso do direito de eleger e ser eleito para quaisquer órgãos da Renamo, por instrumentalizar os antigos combatentes desmobilizados, incentivando narrativas de confronto, tensão e violência, para “fins contrários aos princípios da Renamo e à paz social”.
Há meses que ex-guerrilheiros da Renamo pedem a demissão de Ossufo Momade da liderança, acusando-o de “má gestão”, falta de pagamento de pensões e subsídios e de “incompetência total” face à crise no partido, tendo convocado, na província de Maputo, sul do país, um encontro de dois dias para debater uma provável convocação de um congresso extraordinário e a apresentação da Comissão de Gestão por eles criada, face ao constante encerramento de delegações.
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Fonte: noticiasaominuto
10/02/2026 13:09











