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Editorial: Motta e Alcolumbre deixam claro que defesa das emendas e do poder orçamentário seguirá prioritária em 2026

5 de fevereiro de 2026
in POLÍTICA
Home POLÍTICA
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Nos discursos que fizeram na abertura do ano legislativo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), recorreram a um vocabulário cuidadosamente calibrado.

Cada um a seu modo, falou-se em “paz”, “harmonia”, “diálogo”, “bom senso” e “respeito mútuo”, entre outras expressões generosas e diplomáticas.

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Na superfície, os pronunciamentos soaram como um aceno de distensão institucional.

🔄 Atualizações Recentes

Na substância, porém, deixaram claro que o Congresso segue mobilizado em torno de uma prioridade central: a defesa corporativista das prerrogativas acumuladas nos últimos anos, em especial o controle ampliado do Orçamento da União por meio das emendas parlamentares.

Não à toa, a suavidade retórica em torno da suposta pacificação e do equilíbrio entre os Poderes foi acompanhada de afirmações inequívocas.

Hugo Motta disse caber aos parlamentares “fazer valer a prerrogativa constitucional do Congresso de destinar as emendas parlamentares aos rincões Brasil afora”.

🧠 Análise da Situação

Já Davi Alcolumbre fez questão de sublinhar: “Defender a paz nunca foi – e nunca será – sinônimo de omissão.

Nosso desejo de paz não significa que tenhamos medo da luta”.

Na cosmologia dos dois timoneiros do Congresso, é precisamente de luta que se trata, sobretudo da luta pelo direito de seus pares de exercer força máxima sobre o orçamento público.

📊 Fatos e Dados

Daí se conclui que o conflito com o Executivo e com o Supremo Tribunal Federal (STF), onde hoje se concentram os principais diques de contenção ao poder excessivo do Legislativo sobre o Orçamento federal, não apenas permanece como tende a marcar todo o ano político de 2026.

O presidente da Câmara adotou um tom conciliador, mas não menos assertivo.

Ao afirmar que o Parlamento deve atuar “em sintonia com as ruas” e que as emendas seriam instrumento legítimo para atender às demandas da população, Hugo Motta reiterou a narrativa segundo a qual a crescente intervenção do Legislativo no Orçamento representaria expressão direta da democracia representativa.

O discurso da cooperação veio acompanhado de uma mensagem clara: o Congresso não pretende abrir mão do poder que conquistou.

Davi Alcolumbre foi menos cuidadoso na embalagem.

Seu discurso trouxe a advertência explícita de que “paz nunca foi – e nunca será – sinônimo de omissão”, frase que sintetiza o espírito com que o Senado observa o governo Lula.

Ao defender as “conquistas do Congresso”, o senador tratou o avanço das emendas como patrimônio institucional a ser preservado, não como um arranjo passível de revisão.

O recado ao Executivo foi direto: o diálogo é possível, desde que não implique retrocesso na autonomia orçamentária do Legislativo.

Este jornal tem chamado atenção, de forma reiterada, para o significado desse movimento.

📊 Informação Complementar

Sob o argumento de fortalecimento do Parlamento, consolidou-se um sistema em que parcelas crescentes do gasto público são definidas por critérios pouco transparentes, com baixa rastreabilidade e escassa avaliação de resultados.

O orçamento secreto foi a versão mais escancarada desse processo, mas sua lógica persiste, agora sob formatos formalmente legais e politicamente blindados.

A retórica da pacificação não altera essa realidade.

Ao contrário, funciona como recurso discursivo para normalizar um desequilíbrio que enfraquece a coordenação do Executivo, fragmenta o planejamento estatal e dilui responsabilidades.

O Congresso reivindica protagonismo na definição do gasto, mas resiste a assumir os ônus dessa escolha.

Nada disso aponta para uma pacificação real.

O que se desenha é a continuidade de um embate áspero ao longo deste ano, seja nas negociações orçamentárias, seja nas tensões com o STF, frequentemente chamado a conter excessos que o sistema político se recusa a enfrentar.

Enquanto o discurso da harmonia convive com a prática da defesa intransigente de interesses corporativos, o País segue refém de um arranjo disfuncional.

E assim a toada da pacificação continuará soando como o que significa hoje: palavras mansas para encobrir um conflito que está longe de arrefecer.


Fonte: estadao

05/02/2026 10:24

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