Vorcaro revelou à PF ter tratado da venda do Master com governador do DF Ibaneis Rocha
Banqueiro confirmou em depoimento que assunto foi levado ao conhecimento do governador do Distrito Federal.
BRASÍLIA — Enquanto estuda socorrer o Banco de Brasília (BRB), o governo do Distrito Federal enfrenta problemas no orçamento, déficit nas contas e falta de dinheiro em caixa para quitar despesas do ano passado e assumir novos compromissos.
A gestão do governador Ibaneis Rocha (MDB) estuda fazer um aporte no BRB para cobrir perdas com a compra de créditos podres do Banco Master.
A situação, porém, pode levar o governo do Distrito Federal a cortar despesas e comprometer serviços.
💥 Impacto e Consequências
O Estadão questionou o governo do DF e a Secretaria de Economia da gestão distrital sobre os números do orçamento e os impactos de um socorro ao BRB, mas não obteve resposta.
Nos últimos dias, o governador reforçou que o DF tem condições de socorrer o BRB sem comprometer o orçamento público.
“Nós temos mais de R$ 200 bilhões de ativos imobiliários.
E eu assumo junto à população do Distrito Federal que nós não vamos deixar quebrar o BRB”, disse Ibaneis em entrevista à TV Record no último dia 31.
🌍 O Cenário Atual de estadao
“Eu não sou parte do problema, mas serei parte da solução.” Leia mais Os números oficiais mostram que a solução pode ser limitada, pois o governo distrital já está precisando de dinheiro para cobrir os gastos atuais – e isso mesmo com R$ 28,41 bilhões repassados pela União para o Fundo Constitucional do Distrito Federal.
Além disso, o BRB ainda não apresentou o tamanho do socorro necessário e qual será o plano de recomposição.
Procurado, o BRB afirmou que tem até o dia 31 de março para divulgar os demonstrativos financeiros de 2025, mas não comentou a situação do balanço e das carteiras do Master.
O governo do DF registrou um déficit de R$ 926,5 milhões nas contas em 2025, de acordo com relatório divulgado no último dia 30.
O resultado mostra que o Executivo gastou mais do que arrecadou e piorou as contas em relação a 2024, quando o déficit foi de R$ 644,7 milhões.
Em 2026, último ano do mandato de Ibaneis, o orçamento está sob pressão devido a despesas que não foram quitadas no ano passado e que disputarão espaço com os gastos deste ano.
O governo herdou R$ 1,7 bilhão em recursos empenhados em anos anteriores que não foram liquidados – ou seja, que não tiveram o serviço executado – e que precisarão ser cumpridos ou cancelados.
Outra rubrica chama a atenção é o o crescimento de despesas efetuadas sem dinheiro em caixa e que foram quitadas em anos seguintes, as chamadas Despesas de Anos Anteriores (DEA).
O valor disparou de R$ 126 milhões em 2019 para R$ 1,4 bilhão em 2025.
Em 2026, em pouco mais de um mês, já foram gastos R$ 807 milhões em despesas realizadas em anos anteriores, mais da metade do ano passado inteiro, de acordo com o Portal de Transparência do Distrito Federal.
O valor total pode crescer ao longo do ano e ainda não é conhecido.
Isso acontece quando um serviço é realizado, ou uma obra é feita, mas o Executivo não tem dinheiro em caixa para pagar e transfere a dívida para depois.
O problema é que os gastos são feitos com o orçamento do ano atual, tomando lugar de outras despesas assumidas pela gestão.
O ano de 2026 é o último do mandato de Ibaneis e, de acordo com a legislação, o Executivo não pode deixar dívidas para o próximo governo e nem se comprometer com despesas que não possam ser quitadas até o dia 31 de dezembro.
Por isso, um socorro ao BRB aumentaria a pressão sobre as contas do DF.
‘Cheque especial’
O Relatório de Gestão Fiscal (RGF) de 2025, divulgado no último dia 30, acendeu um alerta no Executivo.
O Distrito Federal encerrou o ano com R$ 570 milhões em caixa para honrar compromissos.
Tirando os recursos carimbados para saúde, educação e outras vinculações obrigatórias, a disponibilidade ficou negativa em R$ 876,6 milhões.
📊 Informação Complementar
Na prática, o governo distrital virou o ano no “cheque especial”, sem dinheiro em caixa para honrar os compromissos que assumiu.
No último dia 20, Ibaneis decretou congelamento de gastos para cumprir o orçamento de 2026.
O decreto limitou quanto cada órgão pode gastar por mês e possibilita que o Executivo cancele despesas se for necessário.
De 18,6 bilhões em despesas, metade está congelada no primeiro semestre do ano.
Fonte: estadao
04/02/2026 09:07











