O ex-presidente do Partido Social Democrata (PSD), Rui Rio, equacionou, este sábado, que haverá “caos constitucional, instabilidade política e instabilidade social”, caso o candidato presidencial André Ventura saia vitorioso no sufrágio do dia 8 de fevereiro, uma vez que “o Chega [será] transferido para a Presidência da República”.
“Não quero ver em Portugal um Presidente da República que é, do ponto de vista político, um populista, alguém que tem um discurso do género: ‘Anda tudo a gamar’, ‘Estes 50 anos do pós-25 de Abril são 50 anos de corrupção’, ‘Se ganhar as eleições, meto Sócrates na cadeia.’ Tudo isto é uma conversa que não faz sentido nenhum.
Essa conversa, se estivermos num tasco, a beber uma cerveja, pode fazer algum sentido, mas não faz sentido na política, e muito menos faz sentido em quem se propõe a ser Presidente da República”, explanou, em declarações à SIC Notícias.
E reforçou: "Se andámos 50 anos a gamar, o doutor Francisco Sá Carneiro era um corrupto como os outros?
Se são 50 anos de corrupção, Mário Soares era corrupto?
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Álvaro Cunhal era corrupto?
Diogo Freitas do Amaral era corrupto?
Era tudo corrupto?
Isto é uma conversa para se ter num balcão de um tasco, mas não exatamente na política, e muito menos própria de alguém que quer ser Presidente da República.” O antigo mandatário de Henrique Gouveia e Melo, candidato que obteve 12% dos votos na primeira volta, assumiu ainda que votará em António José Seguro na segunda volta das eleições que ditarão o sucessor de Marcelo Rebelo de Sousa como forma de se posicionar contra André Ventura.
"Naturalmente, começa por ser mais um voto contra André Ventura, na exata medida em que, na primeira volta, não votei, nem apoiei António José Seguro.
Na segunda volta, as características são sempre diferentes", enquadrou.
Ventura usa "o populismo, a demagogia e a mentira para chegar ao poder"
Rio assinalou ter apoiado o almirante por ser "independente dos partidos e dos interesses".
Aliás, na ótica do social-democrata, se os restantes "eram candidatos oficiais de um partido político", André Ventura "é mais do que isso".
"Ele não é o candidato oficial do Chega, ele é o presidente do Chega.
Pior ainda, não há no Chega ninguém para o substituir.
Portanto, aquilo que aconteceria se ele ganhasse as eleições era que o Chega seria transferido para a Presidência da República.
Nomeariam alguém ou elegeriam internamente alguém para ser presidente do Chega, mas que não tivesse a força, nem de longe nem de perto, de André Ventura, e André Ventura continuaria a ser o presidente do Chega, na prática”, articulou.
Para o antigo líder do PSD, e tendo em conta “os ímpetos que o Chega tem”, reinariam “o caos constitucional, a instabilidade política e a instabilidade social”, que é “exatamente o contrário do que, no modelo constitucional português, um Presidente da República deve fazer”.
"O Presidente da República deve unir", recordou, acusando Ventura de "utilizar o populismo, a demagogia e a mentira para chegar ao poder".
Rio mostrou-se também chocado com a postura do presidente do Chega, que usou "esta desgraça que nos aconteceu para procurar ganhar alguns votos".
"Penso que era isso a que o presidente da Câmara Municipal de Leiria se referia.
[…] Um candidato que usou a situação para se projetar, com umas garrafitas de água, numa carrinha, a fingir que leva lá meia dúzia de garrafas”, disse, face às declarações de Gonçalo Lopes, que lançou ter assistido a “um carrossel de pessoas a vir a Leiria como se um jardim zoológico se tratasse”.
"Acho ridículo quando alguém quer oferecer meia dúzia de garrafas de água e que se filma para trazer numa carrinhazinha pequenina a ajuda ao distrito e ao concelho de Leiria", criticou o autarca, no rescaldo da depressão Kristin.
Sem confirmar se o alvo era Ventura, o presidente da Câmara Municipal de Leiria considerou ainda que “aproveitar o que está a acontecer para fazer campanha” é “uma ofensa a quem está a sofrer, a quem está há mais de dois dias sem água, sem luz, com dificuldades extremas”.
Seguro “tem todas as condições para fazer um mandato de Presidente da República positivo” Rio confessou que, desta feita, não faz “um esforço grande para votar em Seguro”, uma vez que “isto é tudo muito relativo” e, no leque de candidatos atual, tem preferência pelo socialista.
"Seguro é uma pessoa civilizada, é um democrata, tem sentido de Estado, é uma pessoa equilibrada.
Não me esqueço que, enquanto líder da oposição no tempo da troika, ele procurou diversas vezes, contra a vontade do seu partido e desgastando-se dentro do seu partido, suavizar a oposição ao governo, dadas as dificuldades enormes que Pedro Passos Coelho tinha por causa da troika, troika essa que tinha sido chamada pelo partido do doutor António José Seguro”, lembrou.
Para o antigo líder social-democrata, Seguro tem, inclusive, “todas as condições para fazer um mandato de Presidente da República positivo e a favor de Portugal”, ainda que não tenha “aquele ímpeto reformista que via mais em Gouveia e Melo”.
Acima de tudo, "é um candidato decente, não é um populista, não é um demagogo, nem pega na mentira para argumentar".
Recorde-se que António José Seguro e André Ventura foram os mais votados na primeira volta das eleições presidenciais, pelo que disputarão a segunda volta, no dia 8 de fevereiro.
O candidato apoiado pelo PS e, agora, também pelo Livre, PCP e BE, conquistou 31% dos votos.
📊 Informação Complementar
Por seu turno, o líder do Chega obteve 23%.
Em terceiro lugar ficou João Cotrim de Figueiredo, que alcançou os 16%.
O candidato apoiado pela Iniciativa Liberal posicionou-se à frente de Gouveia e Melo, que obteve 12%, e de Luís Marques Mendes, que teve 11%, apesar de ser apoiado pelo PSD e CDS-PP.
À Esquerda, Catarina Martins (BE) obteve 2%, enquanto António Filipe (PCP) teve 1,6%.
Já Jorge Pinto (Livre) ficou pelos 0,6%, abaixo do artista Manuel João Vieira, que conseguiu 1%.
O sindicalista André Pestana recolheu 0,2% dos votos e Humberto Correia 0,08%.
Fonte: noticiasaominuto
31/01/2026 21:09











